Pernas, pra que te quero!

Posted on Posted in cidades, sociedade
Logo após ter lido em um livro de Eduardo Galeano (Sim! Sou fã dele!) o comentário do então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, em 1996, que “os engarrafamentos são sinais de progresso”, sem contar o comentário do também então prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde, que anunciou que “no futuro, uma cidade sem engarrafamentos será muito aborrecida”, vejo a transmissão do maior engarrafamento da história na cidade de São Paulo. Sim! A maior metrópole das Américas (vale ressaltar que a cidade já superou o número de habitantes de Nova Iorque) parou!
A greve dos trens e metrôs em São Paulo, ocorrida na quarta (23/5), causou o maior congestionamento de trânsito registrado na cidade, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Às 10h da manhã eram 249 km de lentidão.
São Paulo é conhecida por seus longos engarrafamentos, o que não é de se estranhar, pois há 16 anos, em 1996, entravam mil carros por dia na capital. Hoje, em 2012 entram nada mais, nada menos que 800 carros novos, saídos da fábrica.
Estudos da Fundação Getúlio Vargas calculam que a capital paulista deixa de gerar R$ 26,8 bilhões por ano devido à perda de tempo nos congestionamentos e aos custos totais ligados aos acidentes e doenças derivadas do trânsito.
O carro, afirmam alguns, deixou de ser um artigo de luxo e passou a ser uma necessidade diária. Essa afirmação se comprova quando nos deparamos com as precárias condições que os ônibus rodam em nossas cidades, sempre lotados, com o alto preço da passagem, além do elevado tempo de espera nas paradas de ônibus.
Estes dados são alarmantes, tanto no sentido econômico, com a perda de tempo e dinheiro causada pelos engarrafamentos, quanto no sentido humano. Os governos não estão investindo o suficiente no transporte público, tornando-o sucateado, e nós estamos cada vez mais individualistas, entramos nos nossos carros ocupando cada um seu espaço e não nos preocupamos com outro, no carro ao lado.
Estaríamos, nós, acreditando em uma falsa liberdade, do direito de ir e vir para onde queremos?
É esse o progresso, que Maluf defendia, que desejamos?
Por Tayara Wanderley
(Visited 19 times, 1 visits today)
The following two tabs change content below.
Tayara Wanderley

Tayara Wanderley

Militante, feminista, hiperativa, falante e chata, muito chata. Estudante do 5º período de Relações Públicas e atualmente colaboradora do PETCOM.
Tayara Wanderley

Posts Mais Recentes por Tayara Wanderley (Ver Todos)

Comentários

pessoas comentaram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *