Festival Sairé 2012 é tema de pesquisa na UFAM

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No período de 13 a 17 de setembro, ocorreu o Festival Sairé 2012, realizado na Vila de Alter do Chão, em Santarém, oeste do Pará. Na disputa anual entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, este último voltou a conquistar títulos através da apresentação de lendas tradicionais da Amazônia, como a história do guerreiro indígena Juma, que virou o curandeiro Borari, além da sedução do boto-homem, que assume forma humana para conquistar mulheres na noite de lua cheia.

Semicírculo, símbolo do Festival Sairé. (Foto: Tâmara Saré/Agência Pará)
O Festival Sairé é tão rico culturalmente que inspira o desenvolvimento de pesquisas e dissertações de mestrado, como o trabalho de Nair Santos Lima, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCCOM) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), sobre os processos comunicacionais que ocorrem na cobertura do Festival Sairé. Nair é graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Confira abaixo a entrevista concedida ao PETCOM:
PETCOM: Como surgiu a ideia de produzir a sua dissertação de mestrado sobre o Festival Sairé?
Nair Santos: A minha linha de pesquisa no programa (PPGCCOM) é Ambientes Comunicacionais Midiáticos. Eu elegi o tema Sairé e o Jornalismo Cultural e comecei a observar, através de pesquisas e entrevistas, que as pessoas não conhecem o festival, assim como eu não o conhecia, apesar de ser habitante daquela região. Então eu pensei em analisar melhor o porquê que as pessoas não conheciam o festival.
PETCOM: Qual é o título do seu trabalho e quais são as questões em que você irá focar?
Nair: O título do meu trabalho é “A Travessia do Sairé: Análise do Jornalismo no Ciberespaço”. Esse título é bem específico, porque na vila que dá acesso à melhor parte das praias há uma travessia de canoa, que dura cerca de um quilômetro. Então, daí surge esse termo ‘travessia’, onde também observa-se que todo festival atravessa conceitos, história. Há também uma travessia do religioso para o profano, vindo desde a colonização até a contemporaneidade. É esse ‘levar para o outro lado’ que eu quero entender. E essa travessia entre o Festival Sairé para o Ciberespaço, pra mim, pode ser o Jornalismo Cultural; ele pode divulgar melhor esse festival no Ciberespaço.
Eu vou trabalhar os conceitos de processos comunicacionais olhando especificamente para a parte do religioso, porque a parte do profano é mais simples de se materializar na mídia do que a parte do simbolismo, do ritual. Eu quero analisar desde a construção histórica do festival, como é escolhido o tema, os personagens. E essa construção toda envolve entre tudo, a partir de tudo e inicialmente a comunicação. Ela é quem faz essa rede, é como se fosse uma liga unindo todos os indivíduos da sociedade.
PETCOM: Como pesquisadora, o que você observou quando esteve em campo no Festival de 2012?
Nair: Eu já saí daqui com uma noção do que iria olhar melhor. Então, ao chegar lá, eu fui logo entrevistar. O que eu pude observar é que esses processos podem estar inseridos nesses sistemas comunicacionais. Na parte religiosa, há todo um modo de conduzir o símbolo do Sairé e o povo local tenta preservar essa tradição.
PETCOM: Que dicas você pode deixar para as pessoas que estão começando a fazer pesquisas?
Nair: Se você tem algo em mente que te incomoda, te inquieta, tem que correr atrás pra conhecer isso, toda a história, o tempo e o espaço. No meu caso, eu me perguntava porque sempre que eu leio matérias em portais, blogs ou sites, há sempre um ‘control+C, control+V’ das matérias? Isso aí pode mudar? Como mudar? O que é o Sairé? Tem outra coisa pra mostrar? Esse era o problema. E no final, você tem de saber onde que vai examinar isso. Eu selecionei os sites que fazem a maior cobertura do evento, como por exemplo, o Portal D24AM, que, naquele momento, é quem divulgava melhor, até mesmo, que o Jornal do Pará. Então a minha questão era: como divulgar um evento sem ser dessa forma que todos já conhecem? Então eu vou trabalhar o Festival, nesse Ciberespaço, pelo Jornalismo Cultural.

Sobre o Festival Folclórico Sairé

Boto Cor de Rosa. (Foto: Ingo Muller/G1)

Promovido há mais de 300 anos pela comunidade Borari, residente em Alter do Chão, no Pará, o Sairé é um festival que entrelaça a religião e a cultura local. Sua origem remonta às missões evangelizadoras dos padres jesuítas com os índios da Amazônia, que possuem o símbolo de um semicírculo de cipó torcido, envolvido por algodão, flores e fitas coloridas. No centro do semicírculo estão três cruzes e no topo dele uma outra, que juntas representam o mistério da Santíssima Trindade e no topo um só Deus. A imagem da pomba, que representa o Espírito Santo, também faz parte do adorno. Para atrair o turismo na região, o festival mudou sua data para setembro (verão amazônico) e incluiu shows e outras manifestações artísticas em sua programação, como as apresentações folclóricas para a disputa dos botos Tucuxi e Cor de Rosa.

Por Rebeca Lúcio
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PETCOM UFAM
Petcom é a sigla para Programa de Educação Tutorial de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O programa é integrado por alunos dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas, que desenvolvem atividades de ensino, pesquisa e extensão na área de comunicação.
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