A arte de recriar

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Nos últimos tempos é bem comum ligar a televisão e se deparar com uma história familiar, mas não se trata das novelas do canal Viva ou do programa Vale a Pena Ver de Novo. O assunto em questão são os remakes produzidos pela Rede Globo, que nesse ano já fez dois produtos do gênero: as novelas Gabriela e Guerra dos Sexos (ainda em exibição) – e ainda se pode engrossar a lista citando as novelas O Astro e Ti Ti Ti, que foram exibidas nos dois últimos anos. Assim, o público quer saber: por que tantos remakes? Seria a a falta de criatividade? Falta de autores suficientes? Os remakes são uma forma de sucesso certo? Eles seriam a solução para a queda do Ibope?

As especulações são muitas para se obter as respostas dessas perguntas. Dentre as explicações, a que mais se destaca para explicar o porquê de tantos remakes é de que a rede de TV vai lançar um produto desses por ano em comemoração ao aniversário de 50 anos da mesma. As outras explicações podem ser: homenagem, como no caso de Gabriela, para comemorar o Centenário de Jorge Amado; a escassez de dramaturgos, já que poucos autores chegam ao primeiro escalão das produções; ou, ainda, a busca por melhores resultados no Ibope, que nos anos 90 chegavam facilmente aos 60 pontos no horário das 21 horas e, agora, em meados de 2008, dificilmente alcançava os 40 pontos.

Dessa forma, os remakes seriam uma saída para preencher a grade de programação e seriam uma fórmula para reagir às expansões da TV paga e da Internet, à falta de autores que se comparem aos que acumulavam clássicos e de atores experientes. Esses fatores podem ser uma explicação para a queda do Ibope. Entretanto, os remakes nem sempre são sinônimos de sucesso: exemplos disso foram as novelas Irmãos Coragem, que, no último capítulo da primeira versão, teve uma audiência maior que o jogo final da Copa do Mundo de 1970 que foi ao ar no dia anterior e, na segunda versão, não agradou. Outros exemplos que não deram certo foram Pecado Capital e Ciranda de Pedra. Por outro lado, houve a experiência positiva de novelas como A Viagem, que foi exibida em 1975 na Rede Tupi e que em 1994 foi sucesso de audiência, além de outros exemplos que deram certo, como Mulheres de Areia, Anjo Mau e Gabriela.

Assim, espera-se que a célebre frase “em televisão nada se cria, tudo se copia”, de Abelardo Barbosa, não sirva tanto de inspiração para os autores atuais, já que os remakes não são novidades pois já eram produzidos no início da telinha, que gravava as produções radiofônicas.

Por Silvana Araújo

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Silvana Araújo

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Interesses: literatura, música, cinema. Estudante do 7º período de Relações Públicas e petiana desde 2011.
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