FALD: conhecendo nossos artistas

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Festival Alimenta Dança, produção independente organizada por Damares D’Arc, Denni Sales, Francis Madson e Francisco Rider, ocorreu na última semana, entre os dias 19 e 22 de setembro, reunindo diferentes performances, apresentações e discussões envolvendo não somente dança, mas a arte e a sociedade em geral. A convite de Francisco Rider, um dos idealizadores do projeto, o PETCOM UFAM realizou a cobertura do evento, e agora você pode acompanhar nossa série de posts especiais, com fotos e vídeos de vários momentos do festival e nossas impressões sobre as apresentações.

Na terceira e última noite do Festival Alimenta Dança (21/9), a Noite do Tacacá foi tomada por uma série de performances de artistas locais. A partir de uma seleção feita pelos usuários do Facebook, nove bailarinos exibiram seus trabalhos em lugares distintos da Luppi Produções, contendo inclusive, uma performance numa parada de ônibus em frente ao local do festival.

O conjunto das intervenções artísticas foi chamado de Mapa, uma vez que a ideia era de que os artistas pudessem dialogar com o espaço à medida que o público, por sua vez, pudesse dialogar com o artista.

Além disso, o público pôde assistir, por meio das performances, profundas críticas de cunho social. É o caso da apresentação Ybyrassú – “a grande árvore”, na língua tupi-guarani – da artista parintinense Monica Seffair. Em uma tentativa de alertar a humanidade sobre os danos que ela mesma causa à esta terra, Monica contracena com a árvore como se estivesse pedindo desculpas em um lamento profundo, gritando palavras em tupi-guarani.

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Demmy Souza e Isabelle Noronha apresentaram na performance Beleza à venda uma crítica à beleza estética que é vendida nas revistas, e que muitas vezes foge dos reais padrões dos públicos a que estão direcionados. Rosiane Santos e Bruno Athayde, em Folha ao Vento, trouxeram questões relativas ao amadurecimento do corpo. Trabalharam o tempo, o vento e a folha conjuntamente e relacionando-os em toda a sua apresentação. Aline França abordou o tema “trajetória” na sua performance. De acordo com uma pesquisa feita pela própria bailarina, ela percebeu ações e reações das pessoas quanto ao cansaço, raiva e fadiga numa parada de ônibus. Foi a apresentação de Aline que locomoveu os espectadores da Luppi Produções a uma parada no outro lado da rua, e além disso, as pessoas já presentes no local acompanharam de perto, mostrando curiosidade sobre o que estava acontecendo.

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O grupo que mais interagiu com o público era composto por Branco Souza, Adriana Goes e Vanessa Viana. Os bailarinos traziam uma reflexão sobre os fetichismos que o capitalismo trouxe e como nós passamos a viver de forma superficial. Branco se transformou em um lagarto monocromático, bicho de estimação de Adriana, que personificou uma personagem que parece uma dominatrix, querendo dizer que ela era, de fato, dona dele e ele era um objeto que podia ser usado. Essa ideia é passada quando a terceira personagem, Vanessa, convida quem está assistindo a usar as tintas, pincéis, maquiagens que estavam dispostos para que pintassem o bicho de estimação, fazendo talvez uma analogia quanto ao fato de que ele deixou de ter vontades e que, mesmo que as tivesse, não teriam importância à medida que o público faz o que quer. Ou seja, utiliza o corpo dele como bem entende, retratando o que realmente aconteceu com a sociedade: não temos mais vontades, achamos ter vontade, mas ela é apenas ilusória. Tornamo-nos espectadores de algo que não sabemos bem o que é e, em meio a tudo isso, compramos, adquirimos coisas para que, mais uma vez, tenhamos a ilusão que o fizemos porque era a nossa vontade, quando, na verdade, somos bombardeados de mensagens para que façamos isso.

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A última noite do FALD conseguiu surpreender (ainda que no decorrer do festival já tivesse ficado claro o objetivo do projeto e sua diversidade) ao proporcionar apresentações de artistas e bailarinos que apresentaram um conjunto artístico admirável. Além disso, uma vez que todos são do Amazonas, proporcionaram orgulho do atual cenário cultural independente. O que falta agora é maior reconhecimento do público, para distinguir que aqui se tem arte conceituada e de qualidade, e que não é necessário a exportação de modelos montados estrangeiros. O que falta hoje em dia é identidade, em todos os aspectos.

Confira a seguir um vídeo com momentos da noite e depoimentos dos artistas, e, logo em seguida, nossa galeria de fotos:

Por Swênnya Azevedo e Thaísa Lima
(Captação de imagens por Swênnya Azevedo, Thaísa Lima e Victor Costa e edição de Victor Costa)

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
Swênnya Azevedo

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