Santuário das 40 Mil Almas: conheça o Ossuário de Sedlec

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A história do Ossuário de Sedlec tem início em 1278, quando Henrique, superior religioso do mosteiro de Sedlec, na República Tcheca, foi enviado à Palestina pelo Rei Otokar II. No seu retorno, trouxe uma pequena quantidade da Gólgota – local onde Jesus Cristo foi crucificado – e esparramou pelo cemitério da abadia. Devido a isso, o cemitério de Sedlec logo tornou-se um local de enterro desejado por todos.

Alguns anos mais tarde, um novo personagem se apresenta. O professor universitário chamado Jan Hus foi o protagonista do movimentado relacionamento com a fé bíblica, oposto à hierarquia da Igreja. E é nesse ambiente de revolução e mudanças drásticas que, em meados dos anos 40, damos continuidade à história do Ossuário.

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Numa época em que apenas os membros do clero eram autorizados a beber do sangue de Cristo, Hus surgiu com a ideia de que todos os cristãos deveriam participar da comunhão e essa, talvez, tenha sido sua crença mais radical. Além de defender também que as indulgências não deveriam ser vendidas às pessoas, ele propôs a reforma da Igreja um século antes de Martinho Lutero, mas sua história é pouco conhecida.

Em 1415, Hus foi chamado perante um conselho da Igreja, condenado por heresia e queimado na fogueira como punição. Seus seguidores – chamados hussitas, por causa do seu nome – iniciaram a guerra em 1419, quando uma manifestação saiu do controle e parou na Câmara Municipal de Boémia, onde eles atiraram vereadores pelas janelas.

Após a destruição de várias cidades, o rei Sigismund iniciou várias cruzadas contra os hussitas, porém, foi derrotado pelo líder deles, Jan Zizka – homem que só possuía um olho. Alcançou-se a estabilidade quando foi eleito um rei hussita. Após sua morte, a dinastia Jagiellon assumiu o trono de Boémia.

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Devido a tantas mortes durante as guerras e à Peste Negra, foi construída uma igreja gótica no centro do cemitério de Sedlec, com um nível superior abobadado e uma capela subterrânea que seria utilizada como ossuário para as covas coletivas desencavadas durante a construção. Segundo a lenda, a tarefa de exumar os esqueletos e empilhar seus ossos na capela foi dada a um monge cego.

Em 1870, um xilógrafo foi contratado para organizar os ossos. O resultado disso foram quatro enormes montes em forma de sino ocupando os cantos da capela, um gigantesco candelabro, que contém todos os ossos do corpo humano, guirlandas de crânios enfeitando a abóbada e colunas de ossos da coluna percorrendo o altar.

Estima-se que o Ossuário de Sedlec contenha entre 40 mil e 70 mil esqueletos mobiliando a capela. O local está entre as atrações turísticas mais populares da República Tcheca, recebendo em torno de 200 mil visitantes por ano.

Por Andréia Santos

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Andréia Santos

Andréia Santos

“Amei as palavras e as odiei e espero tê-las usado direito.” (A Menina Que Roubava Livros). Levo mais tempo pra me definir do imaginava, mas esse é um problema desde o ensino fundamental, com aquelas redações do tipo “Quem sou eu?”. Fã incondicional de todas as palavras bonitas que existem no mundo, amo poesia, gente e tudo que envolve as duas coisas e mais um pouquinho. Queria ter nascido há algumas décadas. Teria compreendido Nietzsche e seria amiga do Vinicius de Moraes. Sonho em ser “uma menina com uma flor”. Estudante do 3º período de Relações Públicas e petiana desde agosto de 2013.

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