Auto da Compadecida: da sala de aula para as ruas!

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É fato consumado que a arte nos aproxima dos sonhos. E no teatro não é diferente. Observamos atuações nas televisões a todo instante, mas os palcos e a interpretação corpo a corpo nos fazem observadores emocionados e coreograficamente dentro do espetáculo.

Nessa semana, conversei com alunos do curso de Teatro da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), e pude conhecer um pouco mais sobre o trabalho que eles estão desenvolvendo e o amor que eles têm pela profissão que escolheram.

Da sala de aula para as ruas, os alunos que começaram a atividade de construir um cenário como trabalho de semestre, ultrapassaram as paredes da faculdade para transformar uma atividade institucional em apresentações externas. O espetáculo apresentado pelos alunos é nada menos que O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Acompanhem a entrevista!

auto da compadecida teatro de rua uea (1)

Quando e como surgiu a ideia de fazer “O Auto da Compadecida”, e transformá-lo em teatro de rua?

Na verdade, resolvemos montá-la por uma opção mais acadêmica. Na aula de Elementos Visuais, do professor Jhon Weiner, o mesmo deu uma lista de dramaturgos, entre eles o próprio Ariano Suassuna. Daí, ele pediu para que a sala formasse grupos e cada grupo escolhesse um dramaturgo e procurasse uma peça dele, e transformássemos a peça em um cenário como avaliação do semestre. Depois, praticamente todas as matérias, como Interpretação, Expressão Corporal, Voz e Movimento se aliaram à ideia do professor Jhon e acabamos trabalhando um semestre para criação do espetáculo. Optamos pelo Ariano pelo histórico de peças dele serem feitos para teatro de rua e por causa da equipe, visto que alguns participantes têm um histórico com esse tipo de apresentação.

Depois da primeira apresentação, qual foi a sensação e o sentimento do grupo?

Foi linda e mágica a sensação, acho que essas são as palavras certas para definir (Tainá). O grupo em si curtiu demais!

A peça começou como um trabalho de sala de aula, e agora é um projeto cada vez maior. Como vocês estão lidando com isso?

Bom, o grupo todo está muito feliz que a nossa peça tá alcançando essa dimensão, pois o objetivo maior do grupo é trazer para Manaus essa cultura do teatro de rua e ficamos muito felizes de ver que isso está dando certo.

auto da compadecida teatro de rua uea (2)

Como vocês se sentem quando alguém reconhece o trabalho de vocês?

Acho que a sensação é de dever cumprido. Se o público reconhece nosso trabalho, já vale os seis meses de criação da peça.

Podemos observar brilhantes atores em Manaus, mas que ainda não possuem seu reconhecimento merecido. Na opinião de vocês, o que falta para a cidade se tornar um referencial na área de atuação teatral?

Na verdade, o que o grupo percebe é uma centralização da arte em um determinado local da cidade. Isso acaba limitando a população de conhecer mais sobre o teatro manauara e talvez por isso que alguns artistas não são reconhecidos. O nosso grupo tenta quebrar essa barreira, por isso vamos às ruas e entramos nas praças dos bairros, para levar o teatro ao público.

Quais as dificuldades encontradas para trabalhar com o teatro no Brasil?

A dificuldade para alguns talvez seja o não-retorno imediato de dinheiro. Trabalhamos por conta própria e sem ter a certeza que todo mês vamos receber um salario, mas é claro que dá para sobreviver de teatro! No começo é difícil como qualquer outra profissão, mas cremos que com o passar do tempo a pessoa que realmente se profissionaliza e corre atrás não encontrará dificuldade para trabalhar na sua área.

auto da compadecida teatro de rua uea (4)Ficha técnica:

  • Direção: Emille Nóbrega
  • Produção: Tainá Lima, Dayvisson Caldas e Arlisson Cruz
  • Elenco: Emille Nóbrega (João Grilo), Rodrigo Roque (Bispo), Junior Victorino (Mulher do Padeiro), Cairo Vasconcelos (Padre), Iasmin Benayon (Compadecida), Leonardo Scantbelruy (Antonio de Moraes e Padeiro), Deborah Ohana (Diabo), Fábio Moura (Chicó e Jesus), Tainá Lima (Severino)

Por Thaís Caruta
(As fotos são da primeira apresentação do grupo, e foram cedidas por Anderson Bonaki)

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Thaís Caruta

Thaís Caruta

Alguém que vive como se estivesse num clipe musical, apaixonada, que se movimenta como um passarinho dançando ao amanhecer, que faz dos dias um eterno palco em pleno espetáculo, e não para de sonhar um só minutinho, e mais blábláblá meio insano. Estudante do 1º período de Relações Públicas e petiana desde agosto de 2013.

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