Entendendo a comunicação como processo

Posted on Posted in pesquisa

David K. Berlo é diplomado em Psicologia e Comunicação pela Universidade de lllinois. Autor da obra O Processo da Comunicação – Introdução à Teoria e à Prática, ele busca explanar a forma como as pessoas se comunicam, compreendendo o campo de ação e o objetivo da comunicação, os fatores que entram no processo, e o papel da linguagem no comportamento humano.

Para isto, ele usa como referência pesquisas de Psicologia social e experimental, Sociologia, Linguística, Antropologia e Filosofia, combinadas com estudos da comunicação de massa (considerando comportamento) e outros campos da comunicação aplicada.

Dividida em 11 capítulos, a obra preocupa-se a princípio em explicar o que é comunicação e as duas dimensões principais de seu objetivo: o quem e o como. Logo após, no segundo capítulo, Berlo já apresenta sua ideia de modelo do processo de comunicação, trazendo a definição de dicionário da palavra “processo” para depois afirmar que a teoria da comunicação reflete tal ponto de vista. Isto porque:

“O teórico da comunicação rejeita a possibilidade de que a natureza consista em acontecimentos ou ingredientes separáveis de todos os demais acontecimentos. Alega que não se pode falar em o começo ou o fim da comunicação, nem dizer que determinada ideia veio de uma fonte específica, que a comunicação ocorre apenas em uma direção, etc.” (pág. 24)

Este capítulo se mostra um dos mais importantes do livro, pois sugere que a base do conceito de processo é a crença que a estrutura da realidade não é descoberta, mas criada. Reconhecendo que há “ingredientes” da comunicação que se combinam para a criação de modelos, aqui o autor apresenta o modelo de Aristóteles, que consiste em “quem fala, o discurso e a audiência”, em que a maioria dos atuais modelos de comunicação se baseiam. Mas há um modelo contemporâneo que foi muito mais utilizado, que é de Shannon e Weaver, que determinaram que os ingredientes eram a fonte, o transmissor, o sinal, o receptor e destinatário.

Após dissertar sobre a importância destas ideias, Berlo apresenta o seu próprio modelo do processo de comunicação: 1) a fonte; 2) o codificador; 3) a mensagem; 4) o canal; 5) o decodificador; 6) o receptor. Explicando-o, o autor passa também a definir a maneira técnica de utilizar esses ingredientes para que a comunicação seja a mais fiel e efetiva possível.

Os capítulos conseguintes falam ainda sobre o comportamento da comunicação, sob o aspecto pessoal, grupal e pessoal-social; sistemas sociais, discutindo a influência da matriz social e contexto cultural; o conceito de sentido, e como aprendemos a relacionar significados; além de tentar explicar o que é definição no capítulo final.

A didática escolhida por Berlo torna o livro pouco técnico, o que o torna simples e agradável de ler, possibilitando uma compreensão direta de sua ideia. Além disso, como exercício de fixação, o autor sugere, ao fim de cada capítulo, o que chama de Sugestões para meditação e estudo, dando ao leitor a oportunidade de se aprofundar mais em cada reflexão, de forma teórica e prática.

Esta leitura é uma das referências para a minha pesquisa, que tem interesse em entender o Processo de Comunicação no Teatro, mais especificamente, numa montagem teatral. Afinal, interpretando comunicação como entende David K. Berlo, como um “processo através do qual um indivíduo suscita uma resposta num outro indivíduo, ou seja, dirige estímulo que visa favorecer uma alteração no receptor por forma a suscitar uma resposta”, é possível perceber como este conceito se aplica de forma abrangente a muitos contextos e situações, como a arte, por exemplo.

Isso é só um pontapé. Fiquem de olho para os próximos conceitos e livros que serão estudados para o complemento desta pesquisa. Tudo será exposto aqui, no Blog PETCOM.

Para saber mais: BERLO, David Kenneth. O processo de comunicação: introdução à teoria e à prática. 10ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Por Jéssica Amorim

(Visited 52 times, 7 visits today)
The following two tabs change content below.
Jéssica Amorim
Está tentando a vida no que a vida deixa, e no que não deixa também. Estudante do 7º período de Jornalismo e petiana desde junho de 2011.

Comentários

pessoas comentaram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *