Fotojornalismo na web em momentos de crise

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fotojornalismoRecentemente li o artigo “Fotografia, Blogs e Jornalismo na Internet: Oposições, Apropriações e Simbioses”,do Prof. Dr. Marcos Palacios e do Prof. Msc. Paulo Munhoz. Esperava algo mais cansativo e exageradamente técnico, mas encontrei um texto de leitura fácil, porém com bastante conteúdo, tratando da evolução das mídias digitais até 2007.

Curiosamente, no ano de 2007 (quando foi publicado) estava acontecendo o boom dos Fotologs, bastante enfatizado pelos autores, mas que, pouco depois, perdeu a importância diante do crescimento de outras redes sociais no Brasil, principalmente o Orkut, algo que os professores não esperavam.

remembering-9-11-attacksUm dos trechos que mais me chamou atenção foi a sessão “Tecnologia: Modos de usar”, onde eles relacionam o aumento no jornalismo (e fotojornalismo) cidadão através das mídias digitais aos momentos de crise. O maior exemplo, e que talvez tenha sido o estopim de toda essa revolução, foi o atentado ao World Trade Center.

Em 11 de setembro de 2001, todos os olhos do mundo estavam voltados ao mesmo tempo para a tragédia ocorrida em Nova York, e assim estavam também todas as lentes de todos os aparelhos eletrônicos, rápidas o suficiente para conseguir registrar a destruição da segunda torre, que foi transmitida por todo o mundo numa velocidade nunca vista antes. Um gigantesco banco de dados de imagens relacionadas foi criado sem que ninguém o solicitasse.

Um segundo grande momento de crise foram os tsunamis na Indonésia em 2004, quando a divulgação de imagens e informações instantâneas através da internet foi de grande ajuda ao resgate dos feridos reconstrução dos locais devastados.

Trapped_underground
Adam Stacey liberou o uso da foto pela internet através do Creative Commons, permitindo que sua foto fosse utilizada livremente se ele fosse creditado.

Por fim, os autores falam dos bombardeios de 2005 em Londres, onde a imprensa local procurava silenciar-se sobre o ocorrido para não disseminar o pânico, mas através da internet, centenas de anônimos passaram a relatar o que estava acontecendo, preenchendo o vazio deixado pela imprensa até que o The Guardian criasse uma sessão especial para divulgar o conteúdo online gerado pelos leitores.

Fato curioso é que a foto mais emblemática dos atentados de 7 de julho de 2005 em Londres foi feita pela câmera do celular de Adam Stacey, um cidadão comum que ficou preso num dos túneis do metrô durante o bombardeio. A aparente selfie estampou diversos jornais importantes, sendo publicada pela BBC News, Sky News e diversos outros canais ao redor do mundo.

Imagino o que o professores estariam achando das manifestações ocorridas no início do ano passado e como as mídias digitais e a mídia tradicional se comportaram diante desses eventos; certamente seria um novo ponto a se escrever nesta lista de momentos de crise.

O artigo completo de Marcos Palacios e Paulo Munhoz está hospedado no site da UFBA.

Por Victor Costa

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Victor Costa
Um CDF que deu muita sorte por chegar na faculdade tão cedo e manter as espinhas longe do rosto. Sou fã de história antiga e mitologias, pseudomúsico e desenhista empolgado, me descobri um editor de vídeos razoável, e alguns gostam do que eu escrevo, apesar de considerar tudo o que eu produzo irrelevante para a vida, o universo e tudo mais. Estudante do 6º período de Jornalismo e petiano desde agosto de 2013.
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