Lugar Uma de Artes dá boas vindas com a performance Fita/Corpo, Mostra Fotográfica e “Diálogos”

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Fita/Corpo, o novo espetáculo de dança contemporânea do artista amazonense Francisco Rider, estreou na última quarta-feira (10), no espaço Lugar Uma de Artes, localizado na Av. Joaquim Nabuco, no Centro.

A performance, que foi contemplada pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013 e pelo Programa de Apoio às Artes (Proarte 2013) da Secretaria de Estado de Cultura (SEC/AM), tem como proposta fazer uma interlocução entre as linguagens da dança e das artes visuais, trazendo a fita adesiva como um elemento complementar do corpo, como uma segunda pele, promovendo um diálogo entre os movimentos dos perfomers e o ambiente.

Outra característica que pode ser observada tanto no Fita/Corpo quanto em outros trabalhos de Francisco é a interação entre o artista e o espaço usado por ele. No Festival Alimenta Dança (FALD), por exemplo, isso foi algo que chamou atenção: a forma como o espaço adquire importância fundamental para o desenvolver da performance artística.

IMG_6850Rider viu no Lugar Uma de Arte a possibilidade de trazer a arte para discussão e, na primeira noite de apresentações deste novo trabalho, afirmou que aquela não era uma noite de inauguração e sim de “Boas Vindas” para os apaixonados pela arte como ele.

As experimentações levadas ao público por meio do Fita/Corpo só foram possíveis graças à arquitetura daquele lugar que, para ele, lembra algo sagrado, um monastério. Sendo em outro ambiente, as percepções e interações também seriam outras. Prova disso é a maneira como o público é levado a assistir as apresentações: são convidados a pegarem um banquinho do lado de fora, tirar os sapatos e acomodarem-se como queiram, proporcionando aos envolvidos uma nova forma de assistir à um espetáculo.

Diálogos

Com objetivo de dar espaço a discussões referentes ao espetáculo, em alguns dias da temporada ocorrem a ação denominada “Diálogos”, na qual bate-papos foram realizados entre público e algum moderador convidado por Rider.

Na noite de sexta-feira (12), quem fez a primeira moderação do Diálogo foi a semioticista Ecila Mabelini, que encaminhou o debate a partir de uma visão da manifestação textual em suportes diversos. Para ela, a dança e as artes plásticas fazem parte destas manifestações, uma vez que “um texto sempre diz coisas, pois está carregado de uma multiplicidade de sentidos. Muitas vezes independentemente do que o enunciador queira dizer”, afirma. Para ela, o corpo no espetáculo pôde ser remetido a uma ideia de moldura: “Pensei ‘Olha aqui essa expressão gritando nesse suporte’, e aqui o suporte é pensado como o corpo”.

Neste dia, antes do fim do espetáculo houve uma queda de energia no Centro, o que de modo algum foi empecilho para os presentes, ao que acenderam as lanternas de seus celulares, contribuindo para que a performance chegasse ao final. E o Diálogo se fez assim também, no escuro da “capela” iluminada somente por lanternas de celulares.

Já no sábado (13), o moderador convidado foi o artista plástico Otoni Mesquita. Desde o começo ele abordou a dificuldade de descrever a performance, principalmente pela sua maior relação com as Artes Visuais, pedindo assim abertura para fazer recortes, destacando pontos mais voltados às questões plásticas do espetáculo. Ele também ressaltou o mérito do Rider pelo tipo de trabalho apresentado,

Otoni Mesquita

“Só tenho a louvar essa tarefa árdua de apresentar a questão da arte contemporânea e ter que animar um espaço dentro de uma cidade em que a gente usa de todo tipo de estratégias para fazer público. É meio desesperador, e infelizmente não é só na dança contemporânea”, desabafa.

Este foi somente um dos comentários levantados durante os dois dias de Diálogo a respeito deste assunto. Francisco Rider diz ser muito clara a precariedade na formação de público na cidade de Manaus, e afirma que isto é um reflexo de todo o país. Na quinta-feira (11), no segundo dia de temporada, os intérpretes estavam prontos para começar e quando deu o horário para o início não havia aparecido nenhum espectador.

“Quando acabo um projeto que tenha patrocínio, como esse da Funarte, eu sempre descrevo a realidade no relatório. Eu falo ‘tal dia do espetáculo não apareceu ninguém’. Não vou mascarar, é uma realidade que precisa ser dita inclusive para o mapeamento deles. Aí eu explico que Manaus é uma cidade que o acesso a arte não é tão democrático, e as manifestações mais contemporâneas não tem o mesmo apelo que um Boi, por exemplo”, conta Rider.

Para ele, a formação do público e a necessidade de transformar esse debate em um problema de questão pública está relacionada com o fato de ele acreditar que o fazer artístico é sim um ofício, um trabalho e precisa ser avaliado de forma séria. “Eu não gosto dessa concepção romântica, acho que a nossa função como cidadão é trabalho. Eu me vejo como um trabalhador, não me sinto num pedestal porque sou artista”.

Continuidade da temporadaIMG_6800

A primeira temporada encerrou no último domingo (14), mas as apresentações do Fita/Corpo continuam essa semana, a partir de amanhã (17), e vão até o domingo (21). Todas as apresentações são às 19h30, com exceção do domingo, que é às 19h, no Lugar Uma de Artes.

Além da performance, é possível conferir a mostra fotográfica O Workshop – Geografias Manauarasworkshop experimental promovido por Rider em agosto passado, feitos pelo fotógrafo João Paulo Machado e participação dos performers Ademir Oliveira, Fabiano Barros, Demmy Souza, Daniela Alves e Ana Carolina Souza.

Confira abaixo a galeria da mostra e do espetáculo:

Texto: Jéssica Amorim e Thaísa Lima
Fotos: Jéssica Amorim, Hannah Veras e Thaísa Lima
Equipe de Cobertura PETCOM: Jéssica Amorim, Joana Rebouças, Marina Ribeiro, Thaís Bentes, Thaís Caruta, Thaísa Lima, Tiago Calado e Victor Costa

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