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O que se fala sobre “Relações Públicas Comunitárias”

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Margarida e Waldemar Kunsch reúnem artigos de diversos autores no livro Relações Públicas Comunitárias: A comunicação em uma perspectiva dialógica e transformadora”. Em busca de apontar a importância da comunicação estratégica e de trabalhar junto ao público, o livro ressalta ainda a importância da cidadania e do trabalho do profissional de Relações Públicas na área comunitária.

É importante considerar, para leituras posteriores, que o livro não só traz conceitos inovadores sobre comunidade, o público e o privado, direcionando ao olhar da comunicação, que é o que nos compete. O que é de interesse público e o que é de esfera pública – estes dois podem confundir-se, mas em nenhum momento podem ser considerados o mesmo – mas o faz trazendo uma profunda e complexa abordagem histórica sobre como, aqui no Brasil, estes conceitos incorporaram-se em significações próprias para que, dessa forma, se entenda que as Relações Públicas comunitárias não se possam comparar com as práticas do resto do mundo.

Dentre os diversos artigos contidos no livro organizado por Margarida e Waldemar Kunsch, talvez se possa dar destaque àqueles escritos por Mariângela Haswani (“Frentes de Atuação e Dimensões Práticas das Relações Públicas Comunitárias”) e Ana Lucia Romero Novelli (“Relações Públicas e as novas fronteiras entre o público e o privado”).

No primeiro, a autora foi capaz de embasar seu argumento com fatos históricos, amarrando um determinado acontecimento à atual conjectura das Relações Públicas Comunitárias. E ela lembra que em países onde não aconteceu tal fato, um outro nível de consciência social – tanto da comunidade, organizada no terceiro setor, quanto nos segundo e primeiro setores – foi alcançado e pode ainda ser considerado mais avançado cultural e socialmente.

No segundo artigo citado, Novelli vai em busca das transformações sociais dos últimos dois milênios para explicar como se deu a diferenciação entre o público e privado, se fazendo valer também de conceitos das áreas de Administração, Direito e Ciência Política. Ela esclarece que nem sempre a Comunicação e, de forma mais específica, as Relações Públicas, estiveram a serviço do capital e que, se isso ocorre nas RP é porque, no capitalismo, o primeiro e principalmente o segundo setor observaram na atividade um meio de perpetuar suas ações à sociedade e fazer com que fossem bem vistas.

Novelli aponta que nem sempre foi assim, que a Comunicação servia ao propósito de comunicar, não levando em conta interesse políticos de quem mais pagasse mas que, apesar da dinâmica do capitalismo ter funcionado “bem” nos últimos séculos, a tendência é de que as Relações Públicas retornem a esses mais antigos valores de servir à comunidade, ao considerar que esta última, organizando-se em terceiro setor, quebra as amarras do Estado e vai em busca do que este não é capaz de proporcionar.

Ao aluno, professor e profissional da área de comunicação, assim como as áreas de Serviço Social, Administração, Direito, Ciências Sociais, Ciência Política, para citar algumas, este livro, composto por artigos que trazem a temática das Relações Públicas Comunitárias, constitui-se em um importante formador de arcabouço teórico para aqueles que buscam por conhecimentos mais profundos sobre a sociedade e o lugar da comunicação na criação de novos espaços de debate.

Ao lembrarmos que a sociedade está mudando, adaptando-se à novos extremos, temos que lembrar que a Comunicação também o deve fazer. Exemplo disse é que a sociedade é produtora e consumidora de cultura e que, nesse processo hegemônico, as Relações Públicas adquirem papel fundamental ao propor-se a disseminar tudo quanto é produzido por essa sociedade de características tão próprias da pós-modernidade. Portanto, é fundamental que o aluno-leitor vá em busca deste tipo de conhecimento, pois este se mostra a expressão dos novos tempos.

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Thaísa Lima
"Um demônio de temperamento. Mas que mulher, meu amigo, que mulher!" ~ Ímpetos de escrever e comunicar com eloquência. Estudante do 3º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.

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