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Qual a universidade mais antiga do Brasil?

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Daqui a doze dias, a Universidade Federal do Amazonas irá comemorar 106 anos de existência. Fundada em 1909, esta deve ser considerada a Instituição de Ensino Superior mais antiga do Brasil, mas então por que é a Universidade Federal do Paraná que possui o título de instituição mais antiga? E por que a Universidade Federal do Rio de Janeiro alega possuir mais de duzentos anos de história?

A Escola Universitária Livre de Manaós – 1909

faculade de direito manaus anos 50
Faculdade de Direito em Manaus em um cartão postal da década de 50.

Idealizada pelo tenente-coronel Joaquim Eulálio Gomes da Silva Chaves – que deu seu nome ao maior auditório da Ufam – a Escola Universitária é considerada a primeira universidade por unir cursos superiores de três áreas: Exatas, Humanas e Saúde. Em julho de 1913, passou a chamar-se Universidade de Manaós.

Em 1915, a Reforma de Carlos Maximiliano Pereira dos Santos (DF Nº 11.530) criou um modelo-padrão e requisitos mínimos para o funcionamento de Universidades Federais no Brasil. Essa foi a chamada Lei Maximiliano.

Com a decadência do ciclo da borracha, a Paris dos Trópicos foi lentamente perdendo seu brilho e prestígio, fazendo com que a Universidade de Manaós lentamente se fragmentasse em vários outros cursos superiores independentes por não cumprir os requisitos da Lei Maximiliano.

O único curso que atendia os requisitos era o curso da Faculdade de Direito do Amazonas, que continuou a funcionar por quarenta e sete anos até que a Lei Federal 4.069-A reintegrou os cursos superiores e criou a Universidade do Amazonas baseada nos moldes desta faculdade.

Em 2002, ela foi rebatizada como Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e continua suas atividades até hoje.

A Universidade de São Paulo – 1911

Não estou falando da atual Universidade de São Paulo, esta Universidade foi criada vinte e três anos antes da atual USP e teve uma curta história, também devido à Lei Maximiliano.

A reforma exigia que as instituições de ensino superior fossem equiparadas a estabelecimentos oficiais, possuíssem cinco anos de funcionamento e estivessem em uma localidade com população superior a 100 mil habitantes. Essa antiga universidade não conseguiu a equiparação a estabelecimento oficial, fazendo com que fechasse suas portas e cursos em 1919.

A Universidade do Paraná – 1912

universidade do paraná antigaEsta instituição também encontrou problemas com a Lei Maximiliano, pois a cidade de Curitiba ainda não possuía mais de 100 mil habitantes na época. Então, assim como a Universidade de Manaós, em 1918, a Universidade do Paraná se dividiu em diversas faculdades independentes.

Somente em 1946 o decreto federal 4.069-A permitiu o retorno de instituições fora da esfera pública-estadual, o que fez os cursos se reunificarem novamente sob o nome de Universidade do Paraná, atuando como instituição particular e tornando-se federal somente em dezembro de 1950.

Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho – 1792

Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho
Ilustração da antiga Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho. Atualmente a construção possui três andares e é sede do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e do Instituto de História.

Criada pela própria rainha Maria I de Portugal, é considerada o primeiro curso de ensino superior criado no Brasil. Diversas instituições atuais possuem origem diretamente ligada à esta academia, como a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Escola Politécnica do Rio de Janeiro.

Mas, somente em 1920, devido à reforma de Maximiliano, os principais centros de ensino superior do Rio de Janeiro se unem para criar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reunindo a já citada Escola Politécnica, a Faculdade Nacional de Medicina e a Faculdade Nacional de Direito.

Então, qual a mais antiga?

Fachada da UFRJ rio de janeiro
Fachada da UFRJ, atualmente a maior universidade federal do país.

Realmente não há um consenso sobre qual a universidade mais antiga, já que tudo é uma questão de ponto de vista.

A UFRJ alega ter sido fundada em 1792 criando o primeiro curso de ensino superior no Brasil, porém ela só recebeu efetivamente o título de “universidade” em 1920.

A Escola Universitária de Manaós traz esse título desde sua fundação em 1909, mas passou quarenta anos desmembrada em faculdades independentes antes de ser reintegrada como Universidade do Amazonas em 1968.

A Universidade do Paraná também passou vinte e oito anos desmembrada em diferentes instituições até se reintegrar em 1946, porém alega que mesmo durante este período encontrava-se sob uma única diretoria e que todos os cursos continuaram em pleno funcionamento.

O que você acha? Qual a universidade mais antiga na sua opinião?

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Victor Costa
Um CDF que deu muita sorte por chegar na faculdade tão cedo e manter as espinhas longe do rosto. Sou fã de história antiga e mitologias, pseudomúsico e desenhista empolgado, me descobri um editor de vídeos razoável, e alguns gostam do que eu escrevo, apesar de considerar tudo o que eu produzo irrelevante para a vida, o universo e tudo mais. Estudante do 6º período de Jornalismo e petiano desde agosto de 2013.
Victor Costa

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4 thoughts on “Qual a universidade mais antiga do Brasil?

  1. A mais antiga é a Faculdade de Medicina da Bahia.
    A transferência do trono português para o Brasil, em 1808, foi um dos acontecimentos mais destacados da história colonial brasileira. O pouco tempo que D. João VI e a família real permaneceram na Bahia, um mês e dois dias, foi o suficiente para que se registrassem alguns fatos de relevância nacional.

    Após abrir os portos do Brasil às nações amigas de Portugal, D. João VI assinou, em 18 de fevereiro de 1808, o documento que mandou criar a Escola de Cirurgia da Bahia, no antigo Hospital Real Militar da Cidade do Salvador, que ocupava o prédio do Colégio dos Jesuítas, construído em 1553, no Terreiro de Jesus.
    Em 1º de abril de 1813 a Escola se transformou em Academia Médico-Cirúgica. Em 03 de outubro de 1832 ganhou o nome de Faculdade de Medicina, que guarda até hoje.

    Situada entre igrejas, conventos e casarões coloniais, o Brasil viu nascer sua ciência médica, conheceu grandes nomes – professores, cientistas e alunos – e concentrou uma grande parte de seu interesse na atuação profissional, social e política dos doutores da Faculdade.

    Muitas, entre milhares de testes e estudos realizados, deram início às pesquisas tropicalistas, médico-legais, psiquiátricas e antropológicas, determinando a expansão da cultura médica nacional e procedimentos avançados no tratamento de doenças típicas do país.

    Vultos como Manuel Vitorino, Afrânio Peixoto, Nina Rodrigues, Oscar Freire, Alfredo Brito, Juliano Moreira, Martagão Gesteira, Prado Valadares, Pirajá da Silva e Gonçalo Muniz, projetaram nacional e internacionalmente Faculdade pelas suas atuações de ensino e pesquisa. Também, tendo estado a Bahia, sempre em destaque na política nacional, não poderia deixar a liderança, justificada pela profunda formação humanística dos mestres e sua influência na comunidade.Assim, os salões da faculdade serviram de palco para acirradas discussões, agitados debates e até mesmo lutas armadas, que marcaram decisivamente os rumos tomados pelo contexto social e político nacional – como na Guerra do Paraguai, na Guerra de Canudos e na Segunda Guerra Mundial.

    Todo o precioso acervo histórico da Faculdade, de sua fundação até os dias de hoje, foi recolhido e catalogado pela Universidade Federal da Bahia para compor o extraordinário acervo do Memorial da Medicina da Faculdade de Medicina da Bahia, organizado no Reitorado Macedo Costa.

  2. Se formos considerar o conceito de Universidade tudo fica mais complexo, visto que há diferentes formas de “conceitualizarmos” as palavras (refiro-me à conhecida distância entre “as palavras e as coisas”).

    No entanto, considerando que temos como base analítica/comparativa as definições que os documentos de regulamentação burocrática (como a questão populacional, por exemplo) e as discussões filosóficas nos fornecem desse conceito, considero válido nos determos às definições filosóficas mais consensuais da Academia, o que nos leva a considerar que uma universidade só poderá ser assim classificada quando atende aos critérios de: (1) PRODUÇÃO de conhecimentos diversificados (nas Ciências Naturais, Humanas e Tecnológicas); (2) COMPARTILHAMENTO de tais conhecimentos de forma ampla com outras esferas acadêmicas (de outros países, sobretudo) e de forma dialética (considerando que uma das principais “funções” das universidades constituiu-se – visto que não era a priori – como sendo a de construir conhecimentos úteis ao desenvolvimento da humanidade – o que não suprime a premissa dos usos dos saberes no jogo de poder entre os povos), além (3) de estarem sob a gerência de um NÚCLEO ADMINISTRATIVO COMUM. Ressalto: isto, a partir de uma compreensão mais consensual dentro da Academia.

    De todo modo, as primeiras universidades Brasileiras foram criadas quase que no mesmo momento: na primeira metade do século XX. A primeira coisa a se considerar, portanto, é a juventude de nossas instituições, sobretudo considerando que as primeiras universidades do mundo datam dos séculos VIII e IX a.C. (e, o mais curioso, fora da Europa – para ser mais exato em Marrocos e no Cairo). Faz-se necessário, entretanto, considerar que em quase todos os casos, ou essas universidades tiverem seu funcionamento interrompido, ou foram “desmembradas”, ou foram fruto de inúmeras vinculações institucionais. Ou seja: essas instituições que conhecemos hoje, de uma forma geral, não são exatamente as mesmas de quando foram fundadas, mesmo a UFAM, que mesmo antes de ser a Universidade de Manaós era a Escola Universitária Livre de Manaós que seguia uma outra organização institucional, inclusive no que se refere ao vinculo com o Estado.

    Em linhas gerais, é difícil dizer qual a universidade mais antiga do Brasil, não obstante saibamos quais são as instituições de ensino superior mais antigas (ainda em funcionamento): o Instituto Militar de Engenharia (sob a administração do Exército Brasileiro) fundada em 1792; a Faculdade de Direito do Largo São Francisco (atualmente sob a administração da Universidade de São Paulo) e a Faculdade de Direito de Olinda (atualmente sob a administração da Universidade Federal de Pernambuco), que foram criadas ao mesmo tempo e por um mesmo decreto em 1827 (sendo que a Faculdade de Direito do Largo São Francisco é a única instituição que funciona no mesmo prédio desde a sua fundação).

    Mas do que nos interessa saber qual é a mais antiga? Não nos é muito mais relevante saber qual é a universidade cuja produção do conhecimento está mais voltada aos interesses públicos?

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