Nova geração de RP – Agda Sales

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Essa série faz parte da edição comemorativa da Revista Comunicadores, cujo tema é sobre os 100 anos das Relações Públicas, no Brasil.

A série sobre a nova geração de RP conta com alunos do curso RP da Ufam, dos 2º, 4º, 6º e 8º períodos. Os alunos escolhidos estão envolvidos em projetos de extensão e pesquisa da universidade, além de alguns terem participado da mobilidade estudantil para outras universidades brasileiras e internacionais. Confira a entrevista da aluna do 6º período, Agda Sales, que irá fazer mobilidade estudantil, em março, para Portugal.

Você sempre quis ser Relações Públicas? Ou foi por acaso?

Foi por acaso. Na verdade, antes eu queria fazer Direito, mas quando eu estava no terceiro ano, meio perdida e com medo de não passar no Enem, resolvi buscar outras grades curriculares que eu achava que se encaixariam comigo, com a minha personalidade. Eu até já tinha ouvido sobre a área, mas nem sabia que existia o curso de RP na Ufam. Encontrei o curso no site da Comvest, na área de Humanas, e acabei gostando da grade. Até pensei em fazer Jornalismo, mas preferi fazer RP.

Quais foram as atividades que você desenvolveu na universidade até agora? Pibic, Pet, programas de extensão, enfim.

Comecei com uma ACE [atividade curricular de extensão], no primeiro período, com o professor Jonas Júnior. Era o blog Dossiê RP, e a gente ajudou na construção do livro, no blog e no evento de 35 anos de RP, que aconteceu em 2012. Depois, veio uma chamada da assessoria para a bolsa do Programa VIP [Programa de Visitas da Ufam], mas eu acabei entrando na Ascom mesmo, onde passei cinco meses. Depois disso, a professora Célia, assessora da Ufam na época, me convidou a fazer um Pibic, no período de um ano. O assunto era “O Relações Públicas na telenovela brasileira”, sobre o estereótipo que o profissional era apresentado à sociedade, no período da década de 1980 até 2013. Eu gostei muito de fazer o Pibic, porque a professora me deu uma autonomia pra temática do trabalho. Foi bastante trabalhoso, mas conseguimos terminar, e de qualquer forma foi uma experiência muito bacana no quesito de pesquisa acadêmica. Daí eu fiquei uns três meses no Ecoem (Programa de Mídias Digitais). E, depois disso tudo, agora estou na batalha para conseguir o visto de Portugal [risos], por conta da mobilidade que irei fazer agora em março.

Você acha importante essas atividades no currículo do aluno? Por quê?

Eu acho muito legal, porque primeiro você conhece muita gente e ainda mais a universidade. Eu levei muito a sério o que a professora Maria Emilia falou na nossa acolhida aos calouros que era: “Conheçam a universidade de vocês”. Como aluna de universidade federal, na minha opinião, temos autonomia de trabalhar no que a gente quer, em vários aspectos, além de a universidade oferecer várias oportunidades. Eu acho que enriquece o currículo da pessoa, o networking, digamos assim, enfim, eu acho que a pessoa cresce até mesmo quando as experiências não são boas. É super relevante, principalmente pra quem quer continuar na vida acadêmica e até fora dela; quando alguém te analisar no mercado de trabalho, verá que você é um aluno engajado, um profissional engajado.

Em sua opinião, qual a diferença do aluno engajado nas atividades da universidade para os que se limitam a sala de aula?

Eu acho que o aluno engajado é mais articulado, ele tem mais jogo de cintura quanto ao mercado de trabalho. Tem gente também que não faz nada na Ufam e faz muita coisa lá fora e vice-versa. Mas se você tiver um bom currículo aqui dentro, você consegue expandir esse teu ensino pra outras universidades, que é o que eu consegui na bolsa do Ibero, por todo o currículo que eu apresentei pra eles, ou então na mobilidade Santander. Enfim, eu acho que a pessoa fica melhor preparada pro mercado, mais articulada e mais experiente na área que ela resolveu estudar.

Você já participou de congressos da área de comunicação?

Sim. No 2º período, teve um trabalho orientado pela professora Inara, que apresentamos no Intercom Norte 2013 e fomos classificados para ir ao Intercom Nacional 2013, com o Quiz Super Nova. Em 2012, fui colaboradora do artigo sobre o Dossiê RP, defendido pela Tayara Wanderley no Expocom daquele ano. No Intercom Nacional 2013, eu e a Tayara também apresentamos um artigo no Intercom Jr., com orientação da professora Judy [Tavares], que era sobre a fanpage do curso de RP. Em 2014, outro artigo no Intercom Jr. regional, em Belém, com um estudo qualitativo dessa pesquisa.. Também participei do Ererp (Encontro Regional de Estudantes de Relações Públicas do Nordeste), em outubro de 2013, pra onde levei também a pesquisa sobre a fanpage.

Pra você, qual a relevância da atuação dos alunos como pesquisadores nos congressos?

É incentivar o futuro da pesquisa universitária, mostrando pra gente que tá, agora, nessa realidade, que comunicação muda constantemente. Eu acho que incentiva a novas produções, porque principalmente RP, na minha opinião, precisa de novas referências, né? Já temos aquelas atividades mais tradicionais, e eu acho que o aluno incentivado na pesquisa estará fomentando novas ideias pra parte teórica da comunicação, que contribuem pra área.

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A aluna Agda Sales

Você vai fazer mobilidade estudantil para a Universidade do Porto em breve. Como foi esse processo? Você já manteve contato com a instituição?

Se você ficar acompanhando o site da Ufam dá pra ver muitas oportunidades, e essa foi uma delas, a mobilidade ibero-americana. Eu vi o edital, que, até então, só tinha pra Espanha. Na verdade, eu estava vendo pra uma amiga que queria ir, e acabei vendo que tinha oportunidade para ir a Portugal, e eu pensei: “Pô, acho que dá pra mim”. Enfim, eles fizeram quatro quesitos de avaliação: nota do histórico curricular; tuas participações em congressos, pesquisa e artigos; participações em pesquisa, ensino e extensão aqui. E mais o decréscimo, caso você tivesse alguma reprovação. Eu levei todos os documentos necessários. Na primeira chamada, eu fiquei em décimo lugar e eram cinco vagas, mas eu fui saber depois que eles não tinham contado meus créditos, então entrei com recurso e fiquei em quinto lugar. Foi bem legal, porque eu tive oportunidade de escolher a lista de universidades que eles tinham. É uma bolsa do Santander pra custear seis meses. Eles te dão um valor x e você gerencia esse valor.

Já sabe o que vai estudar lá? Quando você viaja e quanto tempo vai ficar lá? Qual a sua expectativa quanto a estudar em outro país?

Eu vou fazer o curso de Jornalismo, Mídia e Assessoria de Imprensa. Vou ficar seis meses lá; eu chego em março e volto pro Brasil em agosto. Eu acho demais, porque era meu sonho. Por ser de Humanas, eu pensava que nunca ia conseguir e que teria que esperar pelo mestrado. Mas eu consegui e tô super animada e nervosa, porque nunca morei fora, nem em outro bairro. Então, acho que vai ser uma experiência tanto pra enriquecer culturalmente quanto na parte acadêmica, vai me fazer mais madura, e eu vou estar em contato com gente muito boa, da área de comunicação, porque lá tem cursos muito legais, além do meu. Eu acho que vai ser muito bacana e eu espero que eu possa usufruir de tudo que a Universidade do Porto possa oferecer, assim como o país.

Você está no sexto período, em mais da metade do curso. O que pode dizer sobre o que aproveitou na academia?

Acho que aproveitei quase tudo. Tanto as experiências com os professores, quanto a minha participação no centro acadêmico, já que eu sou representante discente no Departamento de Comunicação. Aproveitei o ensino, a pesquisa e extensão, aproveitei os meus amigos, os professores, abusei da paciência deles. E também aproveitei um pouquinho da universidade, já até dizem que eu moro aqui. Tenho um certificado de aluna engajada, inclusive.

O que você acha da ideia de um dia se tornar Relações Públicas?

Eu acho chique. Eu acho que acertei na minha escolha de Relações Públicas. Não trocaria de profissão porque eu me descobri. Eu gosto do que eu faço, do que eu estudo, das experiências, principalmente da parte em que observamos o profissional atuando de forma diversificada.

Você já sabe a sua área de atuação quando se formar?

Mídias digitais, na parte de relacionamento entre assessorias, que são coisas que eu tenho experiência e familiaridade. Eu só sei que pra eventos eu não tenho muito talento.

Tem vontade de fazer uma pós-graduação?

Tenho sim, na área de marketing. Eu queria fazer em outro lugar. Mas também queria fazer algo em comunicação empresarial. Se puder, vou tentar conseguir contatos pra fazer em Portugal, no Rio de Janeiro, ou talvez em Caxias do Sul, pois parece que a universidade de lá tem esse curso também. Mas assim, vou estudar fora e voltar pra trabalhar em Manaus.

Qual a sua expectativa para o mercado de trabalho? Vai atuar em Manaus mesmo?

Eu sinto que eu devo, pelo menos, permanecer um pouco no mercado de Manaus. Trabalhar um pouco aqui, até porque não tenho tanta experiência no mercado, fora algumas atividades extracurriculares que eu desenvolvi fora da Ufam. Eu quero trabalhar aqui pelo menos um período, mas não sei se eu permaneço. Porque penso que eu poderia permanecer fora, pra trazer coisas novas pra cá. Geralmente, as pessoas saem pra trabalhar e ficam lá, ninguém traz novidade pra cá.

Qual o recado pra quem pergunta o que é Relações Públicas, e o que você faz?

RP é ser um profissional de comunicação 360º, aquele que compreende e sabe gerenciar essas ferramentas que temos para relacionamento, tanto externo quanto interno, e principalmente, um profissional mediador e conciliador, quase um diplomata sem sair do seu país.

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
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