Nova geração de RP – Mariana Filizola

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Essa série faz parte da edição comemorativa da Revista Comunicadores, cujo tema é sobre os 100 anos da Relações Públicas, no Brasil.

A série sobre a nova geração de RP conta com alunos do curso RP da Ufam, dos 2º, 4º, 6º e 8º períodos. Os alunos escolhidos estão envolvidos em projetos de extensão e pesquisa da universidade, além de alguns terem participado da mobilidade estudantil para outras universidades brasileiras e internacionais. Confira a entrevista da aluna do 6º período, Mariana Filizola, que relatou sua experiência de mobilidade estudantil para Brasília.

Você queria ser Relações Públicas desde pequena?

Não, eu só fui conhecer a profissão de RP no momento decisivo da escolha da faculdade. Eu sempre sabia que queria fazer comunicação. Em relação a Jornalismo e Publicidade eu tinha algumas dúvidas, então escolhi Relações Públicas, porque apresentou uma visão geral que me agradou bastante.

Como você conheceu a área de Relações Públicas?

Eu descobri através do PSC (Processo Seletivo Contínuo), quando fui ver os cursos disponíveis. Achei estranho, porque não fazia ideia de que era comunicação. Então eu fui pesquisar e assisti um documentário chamado The Century of the Self (O Século do Ego, no Brasil), da BBC, que conta a história do Edward Bernays e de um dos cases mais famosos dele, que envolveu a promoção do cigarro entre as mulheres. Achei as ideias dele incríveis e pensei que era aquilo que eu eu queria fazer.

Você já desenvolveu alguma atividade de pesquisa ou extensão na universidade?

Sim, assim que eu entrei eu participei do VIP, um programa de visitas desenvolvido por uma professora do nosso curso. Depois eu fiquei como bolsista da Ascom (Assessoria de Comunicação da Ufam) e logo em seguida eu fui pra mobilidade na UnB, em Brasília. Enquanto estava lá fiz um Pibic com a professora Maria Emilia, e agora estou no Pibex, junto com a Assessoria de Relações Internacionais e Interinstitucionais da Ufam. A duração do Pibic foi de um ano. Era sobre comunicação e cultura nas organizações. O Pibex começou em setembro e só são seis meses. A ideia desse trabalho é de aplicar uma pesquisa de opinião com os alunos e professores da Ufam sobre o que eles acham de internacionalizar a universidade. Vou fazer toda a etapa de planejamento da pesquisa, da aplicação, da coleta de dados. Aliás, na próxima semana, irei organizar um evento sobre a divulgação de resultados e fazer um debate sobre o que os alunos acham disso.

Você acha importante essas atividades no currículo do aluno? Por quê?

Acho sim. Talvez porque meus pais são professores e eu já tinha algum contato com a universidade, sempre ouvi em casa que quanto mais tempo você passasse na universidade fazendo coisas que complementassem sua formação, melhor seria ser depois, quando você se formasse. Em termos de carreira e experiência mesmo. Por isso eu sempre quis fazer muita coisa na Ufam, aproveitar tudo. Então eu acho que já estou meio que encerrando, né? Já fiz Pibic, Pibex, mobilidade… tem sido muito importante sim.

Em sua opinião, qual a diferença do aluno engajado nas atividades da universidade para os que se limitam à sala de aula?

Eu acho que ficando só na sala de aula a gente perde muito. Principalmente nós, numa universidade pública, que temos uma série de oportunidades que no mercado de trabalho você não vai ter. Os resultados do Pibic, por exemplo, renderam artigos, um que inclusive foi pro Intercom. Já o Pibex junto com a Assessoria de Relações Internacionais rendeu um evento e estamos querendo transformar em artigo também. Eu acho que esse tipo de oportunidade te abre muito mais a cabeça do que só o que você faz em sala de aula.

De quais congressos você já participou?

Participei do Intercom Nacional 2013, aqui em Manaus, quando ajudei na organização. No Intercom Norte 2014, em Belém, apresentei no Intercom Jr. um artigo sobre o Pibic que eu fiz com a professora Emilia e em julho passado organizei uma conferência sobre os grandes rios do mundo.

Pra você, qual a relevância da atuação dos alunos como pesquisadores nos congressos?

Eu acho que é bom pra desmitificar aquilo que só o professor sabe tudo. Não é pra mostrar que nós, alunos, somos experts ou estejamos no mesmo nível de conhecimento que os professores, mas sem perceber temos algo pra contribuir, sabe? Ainda mais no caso do Expocom, por exemplo. Quando se ganha um prêmio, você pensa: “ganhei um prêmio, alguém reconheceu que o meu trabalho realmente foi importante pra comunidade e pode contribuir na nossa área”.

Você já estagiou?

Já. Durante a Copa do Mundo, por um mês, estagiei na empresa internacional responsável pela transmissão dos jogos. Organizei também um evento internacional da Ufam junto com uma universidade da Áustria sobre os grandes rios do mundo, com parceria da Unesco, aqui em Manaus. Meu pai é hidrólogo e perguntou se eu queria participar da organização. E eu aceitei e foi um desafio enorme! O evento estava sendo organizado por alunos da área ambiental da Áustria e alunos da Ufam, do curso de Geografia. Além deles, foram contratados quatro profissionais para gerenciar a organização e a comunicação, mas eram todos austríacos e ninguém de comunicação mesmo. Sem contar que nenhum deles falava português, então eu dava esse suporte. Foram uns seis meses de organização pra uma semana de congresso. Pesquisadores do mundo todo que estudam os grandes rios do planeta participaram. Então foi uma experiência que, além de um desafio de organização, permitiu conhecer uma área totalmente nova pra mim.

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A aluna Mariana Filizola

Soube que você fez mobilidade estudantil para outra universidade. Como foi o processo?

Eu digo que eu tive muita sorte porque eu soube da seleção através da Ascom, onde eu trabalhava na época, porque a ARII (Assessoria de Relações Internacionais) ligou e perguntou se podíamos colocar no site uma matéria que falasse que as inscrições para a mobilidade estudantil da bolsa Santander estavam abertas. Eu fui com eles, perguntei tudo, fiz a matéria pro site e no outro dia eu já cheguei com toda a documentação que eles tinham me falado no dia interior, e me inscrevi. Na época, pouca gente ficou sabendo, lembro que tinham 5 vagas e tinham 6 pessoas concorrendo. Nesse sentido foi relativamente fácil ter entrado. O que foi mais complicado mesmo foi a burocracia entre a Ufam e UnB (Universidade de Brasília) e todos os processos de aproveitamento de disciplinas.

Como foi sua experiência na mobilidade? O que você estudou lá?

Esse programa é da Andifes (Associação Nacional das Instituições Federais), que te dá uma lista de todas as universidades das quais você pode ir. O Santander disponibiliza cinco bolsas, todo ano. E eu queria ir pra Brasília porque eu sou de lá, né? Inclusive passei no vestibular pro curso de Comunicação Organizacional, na UnB (Universidade de Brasília), só que eu não queria voltar pra lá sozinha, e fiquei aqui com meus pais, cursando RP. O curso em que eu me matriculei quando fui fazer a mobilidade foi o de Publicidade, mas fiz também uma matéria no Instituto de Ciência Política. Algumas me serviram como optativas, mas todas as matérias me permitiram ter uma visão totalmente nova da comunicação e até da própria área de RP.

Eu tive muito medo no início de nível de ensino lá ser maior que o daqui. Mas quando eu cheguei, percebi que nem era tanto assim. No geral, dá pra gente manter o mesmo nível sim, só tive dificuldade na matéria de ciência política que fiz em outro departamento. As matérias de comunicação abriram muito minha cabeça, porque eram metodologias diferentes. A UnB foi fundada pelo Darcy Ribeiro, um antropólogo incrível que tinha ideias e metodologias bem diferentes quanto à educação, e a UnB segue esses modelos. Principalmente na FAC (Faculdade de Comunicação). Por exemplo, numa aula com o tema “o que é estética pra você?”,  os alunos tinham a liberdade de apresentar de tudo: performances, poesias, teve até bolinhos de chuva, sabe? Era uma coisa que os professores incentivavam, porque eles estimulavam sempre sua criatividade, e isso foi muito incrível.

Você está no 6° período. O que pode dizer sobre o que aproveitou e ainda vai aproveitar na academia?

Eu acho que já fiz um pouco de tudo na Ufam, o que era meu objetivo mesmo. Já aproveitei muita coisa, e não faço ideia do que  ainda falta aproveitar! Já fiz Pibex, Pibic, Atividade Curricular de Extensão (ACE), enfim. Mas eu acho que o que dá pra fazer ainda é o que eu estou fazendo com você: passar essas experiências pra outras pessoas, incentivar e mostrar que tem bolsa, mobilidade, oportunidade de estudar em outro lugar, poder sair daqui enquanto estudante e ampliar sua formação acadêmica.

O que você acha da ideia de um dia se tornar Relações Públicas?

Eu acho que na Ufam nós não estudamos muito imaginando que vamos nos tornar um Relações Públicas, porque sempre ouvimos que não há mercado e nem profissionais de RP como exemplo em Manaus, sabe?  Mas tenho aprendido que dá pra fazer muita coisa, atuar em várias áreas. Sendo sincera, nunca me imaginei mesmo como RP, mas mas eu acho que dá pra fazer muita coisa boa na nossa área. Às vezes as pessoas pensam que trabalhamos de forma antiética, que muitas vezes o RP vende uma imagem falsa de uma pessoa ou organização, mas eu acho que o nosso papel é mostrar justamente que não somos assim. Mostrar que dá pra fazer muita coisa boa em RP sim, sem ser passando a identidade falsa de uma empresa ou fazendo atitudes antiéticas.

Você já sabe a sua área de atuação quando se formar?

Não faço ideia. A gente tem tantas possibilidades! Eu queria muito trabalhar numa assessoria em algo relacionado à educação ou à ciência. Acho que pelo fato de ter me envolvido muito com a Ufam, eu gosto da ideia da comunicação na universidade. Fico olhando a nossa Ascom e penso em tanta coisa que ainda pode ser feita; se eu fosse assessora da Ufam, o que eu iria fazer? Adoro pensar nesses desafios. É uma área que eu gosto. Mas a curto prazo eu penso em assim que me formar, sair e fazer um mestrado numa dessas áreas que eu gosto, porque acho que a graduação ainda não é o suficiente. E ainda tem muita experiência pra ser vivida em outra universidade, por exemplo.

Então você já tem planos de fazer uma pós?

Tenho! Fora da Ufam, sem dúvidas. Porque como a mobilidade, é outra realidade acadêmica que você tem oportunidade de vivenciar, e acho que quanto mais experiências a gente viver e lugares conhecer, melhor. Penso em fazer logo um mestrado, porque, inicialmente, você ser pago pra estudar é muito bom, né? Te dá um estímulo e tanto, sem contar que os conteúdos ainda vão estar fresquinhos da graduação. E especialização é muito cara na nossa área. Mas eu gosto de fazer vários outros cursos, de história da arte, fotografia.

Qual a sua expectativa para o mercado de trabalho? Vai atuar em Manaus mesmo?

Dá muito medo porque como te falei, a gente não ouve muita coisa sobre gente da nossa área aqui que deu certo, nem sobre concursos e uma necessidade concreta do mercado pelo Relações Públicas. Por exemplo: estamos fazendo um trabalho da professora Aline Lira e detectamos que as agências de comunicação daqui de Manaus não têm RP. Isso por um lado é ruim, é péssimo porque não temos perspectiva. Se você tá a fim de arrumar um emprego, talvez não seja fácil. Mas por outro lado pode ser bom: se você quer ser empreendedor na nossa área, tem espaço de sobra. Eu, pessoalmente, não acredito que vá atuar aqui em Manaus. Mas também ainda não sei pra onde vou – por hora me formar é a prioridade.

Qual o recado que você deixa pra quem pergunta o que é Relações Públicas e o que você faz?

Eu acho que a segunda pergunta é mais importante e fácil de responder. Sempre que alguém me pergunta o que nós somos, digo que pra mim, definir nossa profissão é algo difícil. Mas eu posso te dizer um monte de coisa que a gente pode fazer e diversas áreas super interessantes em que RPs atuam. É meio aquilo de definir quem somos pelas nossas funções, porque podemos fazer muita coisa diferente sem deixar de ser RP. No geral, resumindo mesmo, acredito que o profissional de Relações Públicas é “o” cara da Comunicação: junta todas as áreas sob uma perspectiva estratégica. Nossa formação permite inclusive abrir várias outras portas dentro da comunicação mesmo, de redação a eventos.  Eu acho que é isso.

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
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