Nova geração de RP – Tayara Wanderley

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Essa série faz parte da edição comemorativa da Revista Comunicadores, cujo tema é sobre os 100 anos das Relações Públicas, no Brasil.

A série sobre a nova geração de RP conta com alunos do curso RP da Ufam, dos 2º, 4º, 6º e 8º períodos. Os alunos escolhidos estão envolvidos em projetos de extensão e pesquisa da universidade, além de alguns terem participado da mobilidade estudantil para outras universidades brasileiras e internacionais. Confira a entrevista da aluna do 8º período, Tayara  Wanderley, que relatou sua mobilidade estudantil para o Pará.

Você queria ser Relações Públicas desde menina?

Mais ou menos. Queria muito Direito, acho que mais pelo peso do curso, mas me amedrontei diante do vestibular, além de que descobri que eu queria fazer um trabalho mais voltado pro âmbito social, o que eu poderia realizar em outros cursos. Meu pai é jornalista, então, eu já tinha um olhar pra comunicação, mas eu sabia que queria algo além, ou diferente de jornalismo. Foi quando optei por Relações Públicas, mesmo sem ter muita noção do curso.

Como você conheceu mais sobre o curso?

Meu pai me ajudou muito. Ele estudou na Ufam, e antes os cursos tinham o tronco comum, portanto, eram muito próximos. Ele não tinha muita noção da profissão, mas me indicou por ser uma alternativa ao jornalismo.

Você já desenvolveu alguma atividade de pesquisa ou extensão na universidade?

Participei do PET, por convite de uma amiga para entrar no programa de extensão CinemaTIC’s, ainda no primeiro período. Ela me conhecia de outra ocasião e me fez o convite. No segundo período, surgiu a oportunidade de ser bolsista no PET, então entrei. Eu gostava muito; não consigo definir o que eu estudei, mas sim o quanto cresci na academia, e sem dúvida, na minha carreira, pela oportunidade de ter uma tutora (antes a professora Luiza Elayne e depois a professora Ítala Clay), por trabalhar em grupo, por ter responsabilidades, por ter que criar, estudar e fazer além do proposto em sala de aula. No Petcom participei de alguns projetos, aprendi sobre a pesquisa científica, ramo de atuação que me encanta, e que, modéstia à parte, por conta do PET me deu maior facilidade em realizar. Fiquei no PET por um ano e meio, até fazer a mobilidade. Participei também do projeto Dossiê RP.

Você acha importante essas atividades no currículo do aluno?

Demais. Porque é na universidade a única época que temos essa oportunidade, como dizia minha mãe, de “viver a universidade”. Ir além dos ensinamentos da sala de aula só te acrescentam, te dão um plus, um “a mais” na tua formação. Depois que você entra no mercado de trabalho, isso acaba; ou você acerta ou você acerta, caso contrário, um erro sai caro.

Em sua opinião, qual a diferença do aluno engajado nas atividades da universidade para os que se limitam a sala de aula?

Eles estarão em uma fôrma, um molde. Capacitados, mas não terão o algo a mais, o diferencial. Quando se participa de diversas atividades, você quer mais, você é proativo e isso vai refletir na sua vida profissional e pessoal.

Você já participou de congressos da área de comunicação?

Sim. Intercom em edições regionais e nacionais, Enecom, Erecom [Encontro Regional de Estudantes de Comunicação Social], Cobrecos [Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação Social] e Mídia Cidadã. Em 2011, no meu primeiro ano de faculdade, fui para o Congresso de Mídia Cidadã, em Belém do Pará. Foi meu primeiro contato com a produção científica na área e com a Executiva Nacional dos Estudantes (Enecos), que tem um coletivo forte em Belém.

No ano seguinte, em janeiro, fui ao Cobrecos, em Fortaleza, que é um congresso deliberativo da Enecos; logo depois, em março, para o Erecom, em Imperatriz no Maranhão, para o encontro regional, pois não tínhamos encontros regionais na Região Norte. Em maio, fui ao meu primeiro Intercom Norte, em Palmas, defendendo um artigo sobre o Dossiê RP, uma atividade de extensão dedicada a pesquisar sobre os 35 anos de Relações Públicas na Ufam.

Em junho fui ao Enecom (Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação) em Brasília e em setembro ao Intercom Nacional, defender o meu trabalho do Dossiê RP, que tinha ganhado o regional, mas não ganhamos o nacional. Nesse ano, ainda pelo PET, tive um artigo aceito no Mídia Cidadã, que também ocorreu em Brasília, mas não fui defender.

Em 2013, participei do Intercom Regional aqui em Manaus com dois trabalhos no Expocom, um vencedor, na modalidade interdisciplinar, categoria embalagem. No meio do ano, participei do Enecom novamente, em Teresina, no Piauí. E, no final do ano, no Intercom Nacional, em Manaus, onde ganhei o meu primeiro – e até agora único, mas esse ano que me espere – prêmio nacional. Ainda nesse congresso apresentei um artigo no Intercom Júnior sobre a utilização da fanpage no Facebook pela coordenação do curso de Relações Públicas. Em 2014, apresentei outro artigo sobre a fanpage do curso de RP no Intercom regional apenas.

Pra você, qual a relevância da atuação dos alunos como pesquisadores nos congressos? 

Além de ser uma iniciação, um primeiro contato com a pesquisa científica, contribui para a formação acadêmica do aluno e para a construção da área estudada, com colaborações que, por mais que sejam em nível de graduação, já congregam para a nossa área. Além disso, temos o contato com alunos, professores e pesquisadores de outras universidades e dos diversos níveis acadêmicos. É a oportunidade de conhecermos o que uma universidade do outro lado do país está pesquisando, o que pessoas que estão fazendo doutorado estão pesquisando. Sempre que vou a congressos, volto revigorada, com vontade de abraçar e pesquisar o mundo.

Você já estagiou?

Sim, na Secretaria de Estado da Cultura, por uns quatro meses, e na Secretaria Municipal de Comunicação, também por quatro meses.

tayara wanderley
A aluna Tayara Wanderley

Soube que você fez mobilidade estudantil para outra universidade. Como foi o processo?

Foi em 2013, no primeiro semestre. Foi apenas um semestre. Sempre quis fazer mobilidade, conhecer outra cultura, outro idioma e viver em outro lugar, outra universidade. Sempre acompanhava os editais da Assessoria de Relações Internacionais quando vi um edital do Banco Santander. Os pré-requisitos eram básicos: não ter reprovação, coeficiente bom e algumas outras coisas. No entanto, tinha dois editais, um para a Espanha, outro regional, apenas para a nossa região. Por não ter fluência em espanhol, como o outro pedia, escolhi ir pra Belém, lugar em que nasci e onde, por ter ido ao meu primeiro congresso, criei fortes laços de amizade e tinha boas referências da universidade. Por mais que o edital ganhasse uma bolsa, o dinheiro era pouco pra me manter na cidade, sem nenhum parente ou ajuda. Acompanhei de perto toda a burocracia para a liberação da Ufam e aceite da UFPA [Universidade Federal do Pará], fui insistente e chata.

Como foi sua experiência na mobilidade em Belém?

Estudei apenas um semestre. Minha ideia era ficar um ano, mas como na UFPA não tem Relações Públicas, me matriculei no curso de Publicidade e como não tinham muitas matérias parecidas e a grade curricular no curso da Ufam ia mudar, além da falta de dinheiro em Belém e a saudade de casa, preferi voltar. Quando eu escolhi Belém, já tinha feito amizades por conta do congresso de Mídia Cidadã em 2011 e pela militância na Enecos, mas construí novas amizades que tenho até hoje, e que são muito fortes e não quero perder nunca. Mantenho contato, mas pouco, apenas pelas redes sociais.

Belém, por mais que tenha sido a cidade que nasci e por ser tão próxima de Manaus, é uma cidade completamente diferente. A cultura, as pessoas, o jeito de lidar, a faculdade, tudo. Então, tudo era novo pra mim. A minha primeira saída de casa para morar só, sem pai, sem mãe. Tinha que me virar pra tudo. Sempre fui muito independente, mas precisava controlar até minhas emoções. Se eu estivesse com raiva ou chateada, não tinha um ombro de mãe, só com meu travesseiro que eu chorava.

A faculdade e os alunos me abrigaram de braços abertos e isso me ajudou muito. Aprendi muito, com tudo. É uma experiência difícil de relatar, ela só pode e deve ser vivida.

Você está no 8° período e já é aluna finalista. O que pode dizer sobre o que aproveitou na academia?

Eu fujo da academia, tenho preguiça, mas tento ir, às vezes. É papo! [risos] Eu acho que aproveitei bastante, mas poderia ter aproveitado mais. Não é à toa que o nome é universidade, pois temos um universo de escolhas, aprendizados, construções, que só teremos tempo aqui. Hoje eu olho pra minha graduação e acho falha, mas não pelos professores, mas porque não me dediquei o suficiente. Se você ler, pesquisar o que os professores passam em sala, você será um aluno bom, mas se você vai um pouco além, será melhor, e se você se dedica completamente, você será excelente. Acho que estou como uma aluna mediana: li menos do que devia, pesquisei menos, isso prejudicou minha formação e tenho medo de ser penalizada por isso no mercado de trabalho.

A academia é você, os professores estão lá para te guiar. Se você não for atrás, você só será mais um que passou por lá.

O que você acha da ideia de um dia se tornar Relações Públicas?

Ainda não sei. Não consigo formular um conceito meu enquanto profissional de Relações Públicas. Confesso que tenho medo de não estar preparada. Mas estou muito feliz com a profissão que escolhi e espero me desenvolver cada vez mais.

Você já sabe a sua área de atuação quando se formar?

Não. Gosto de muitas coisas e não gosto de nada. Queria muito trabalhar com produção, porque gosto da agilidade da atividade, mas não conheço produtores, então ainda tenho muitas dúvidas. Não me vejo em uma sala, uma repartição pública, sou muito agitada para processos burocráticos. Penso em ter minha própria agência de comunicação e prestar serviços de comunicação integrados, mas enquanto isso não se concretizar, trabalhar como Relações Públicas em uma organização, não como assessora de imprensa, mas sim como gerenciadora dos processos comunicacionais da instituição.

Tem vontade de fazer uma pós-graduação?

Sim. Tenho vontade de chegar até o doutorado, mas ainda estou pesquisando em qual área. Talvez no decorrer da carreira não queira mais a área acadêmica, mas não pretendo parar de estudar.

Qual a sua expectativa para o mercado de trabalho? Vai atuar em Manaus mesmo?

Pretendo me formar e sair do país, enfim, conhecer outra cultura e outro idioma. A ideia é morar nos Estados Unidos, mas ainda não pesquisei sobre o mercado e a área de atuação lá, mas sei que os Relações Públicas são reconhecidos lá e atuam realmente como RPs. Sou apaixonada por São Paulo e pelas oportunidades daquela cidade, o Rio também me encanta, então são dois lugares também cogitados. Manaus não agora, primeiro quero conhecer o que se faz em outros lugares, e depois ocupar o meu espaço aqui.

Qual o recado que você deixa pra quem pergunta o que é Relações Públicas e o que você faz?

Eu sempre digo que é a melhor profissão do mundo. Somos os gerenciadores das informações de uma organização, gerenciamos a comunicação. Somos nós o canal entre a empresa e os clientes, a empresa e os fornecedores, a empresa e os funcionários. Nós trabalhamos a organização por meio da comunicação, somos praticamente o melhor das áreas de administração e jornalismo juntas [risos]. É difícil explicar, até a minha avó já desistiu de entender, e cada vez eu dou uma explicação nova. [risos]

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
Swênnya Azevedo

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