Nova geração de RP – Thaís Bentes

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Essa série faz parte da edição comemorativa da Revista Comunicadores, cujo tema é sobre os 100 anos das Relações Públicas, no Brasil.

A nossa série sobre a nova geração de RP conta com alunos do curso RP da Ufam, dos 2º, 4º, 6º e 8º períodos. Os alunos escolhidos estão envolvidos em projetos de extensão e pesquisa da universidade, além de alguns terem participado da mobilidade estudantil para outras universidades brasileiras e internacionais. Confira a entrevista da aluna do 4º período, Thaís Bentes, que ingressou no Petcom logo em seu primeiro período.

Você sempre quis ser Relações Públicas?

Eu sempre soube que eu tinha que fazer Comunicação Social. Acho que a pessoas sabem pra qual caminho elas tendem, todo mundo sabe no que é bom. E eu sempre soube que eu tinha que fazer Comunicação Social, pela minha facilidade de escrita, pois eu sempre escrevi bem e lia muito. E como eu já tinha feito Jornalismo e tinha achado limitado o ambiente de trabalho e queria ter mais oportunidades, porque eu sei que o mercado é difícil, decidi fazer Relações Públicas.

Você já desenvolveu alguma atividade de pesquisa ou extensão na universidade?

Eu entrei logo de cara no Petcom. Porque como eu já tinha perdido anos da minha vida fazendo outros cursos que não me serviram de nada, daí eu não estava com muito tempo pra perder, e queria fazer tudo o mais rápido possível. Então eu entrei logo no primeiro período no PET, mesmo sem poder receber bolsa no começo. Mas eu quis entrar mesmo assim, pra eu já ter minhas horas complementares. Eu fiz muita cobertura de evento, fotografando e escrevendo matérias sobre eles, principalmente eventos culturais. Eu escrevo matérias semanalmente pro Blog Petcom, e gosto porque é meio livre, então eu posso escrever o que me interessa na área de comunicação. Participei de organizações de eventos do projeto, de duas ACEs, uma sobre blogs, em uma escola municipal próxima à Ufam e a outra sobre audiovisual, na Vila de Paricatuba, no interior do Amazonas.

Você acha importante essas atividades no currículo do aluno? Por quê?

Sim, porque essas atividades são um pouco diferentes do estágio. Por exemplo, temos uma chance maior de errar e aprender muitas coisas, sem ter tanta cobrança de um estágio. Aprendemos muito; eu reconheço que hoje em dia eu sei muito mais do que antes e tenho muito mais experiência, sei lidar com várias situações e tive uma cobrança muito tranquila. Eu pude crescer sozinha, não tinha que saber daquela coisa naquela hora, desenvolver aquela atividade porque estava sendo cobrada, não. Eu fui crescendo aos poucos, e tive uma liberdade muito grande.

Em sua opinião, qual a diferença do aluno engajado nas atividades da universidade para os que se limitam a sala de aula?

Acho que a maior diferença é a pessoa que quer ser alguém melhor. Porque a pessoa envolvida aprende muito e mais rápido, às vezes, do que a pessoa que só frequenta a universidade. O outro aprende também, de qualquer jeito, pois se ele for pro mercado de trabalho vai aprender, de um jeito ou de outro. Mas há sempre aquela pessoa que quer ser melhor, que quer realmente ser diferente. A pessoa quer saber mais, ela quer ter aquele nível de intelectualidade, quer ser boa no que faz, quer apresentar conteúdo. Tem muita gente que faz universidade porque precisa daquele diploma, mas já trabalha na área, ou é de famílias que possuem empresas e só precisam de diploma pra exercer a profissão de forma burocrática. Pra mim, a diferença é a pessoa querer. Se esse estudante não quer se aperfeiçoar, não importa, mas se ele se importa e quer, aí é positivo.

Você já participou de congressos da área de comunicação?

Sim. Eu participei do Intercom, com um trabalho que fiz no Petcom, de uma cobertura jornalística do Fald (Festival Alimenta Dança), que era um festival cultural que teve aqui no Amazonas em 2013. Eram várias intervenções urbanas de um processo de imersão cultural de dança de vários artistas; se eu não me engano, uma dançarina era da Alemanha, a outra da Bahia. Foram três dias, cada dia era uma temática e eu cobri o evento do primeiro dia, do Macaco Nú. Eu fiz uma foto do grupo que meio que, por si só, já explicava o que era o Macaco Nú. E escrevi um artigo sobre isso, explicando, falando um pouco sobre arte contemporânea, sobre conceito, fotografia, o próprio intuito da intervenção do Macaco Nú, sobre o que o grupo trabalha, qual era a proposta e o objetivo deles, como foi o processo de criação, como eles atuam. Na época, concorri no Pará, junto com a equipe do PET, e cada um apresentou um trabalho. Eu também participei de outro trabalho, na época, que era a segunda edição da Revista Comunicadores. Eu era uma das coautoras, e não precisei apresentar, só colaborei com o conteúdo. No caso do Macaco Nú, eu defendi o trabalho e foi algo que me enriqueceu muito e que eu acreditava, pois eu escrevi sobre o que tinha interesse e me dava prazer.

Pra você, qual a relevância da atuação dos alunos como pesquisadores nos congressos? 

No Intercom Jr., por exemplo, o aluno apresenta algo que ele já tem certo domínio, acredita e gosta daquilo. Sem aquela sensação de que precisa provar que é melhor que alguém, ou que seu trabalho é melhor do que outro, ter essa sensação de concorrência, de que só vai falar daquilo que ele gosta e acredita. Porque se você faz uma coisa muito bacana e outra pessoa se interessa por aquilo, você se sente contribuindo com alguma coisa assim, de alguma forma.

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A aluna Thaís Bentes

Você já estagiou?

Além do Petcom, onde já estou há quase dois anos, participo do Coletivo Difusão, que é uma produtora cultural independente que faz diversas atividades na cidade e faz parte da Rede Fora do Eixo, uma rede nacional de produtoras independentes que fazem circular cultura e arte em geral. Eu vivi a época de um festival, que era o Até o Tucupi e eu entrei na verdade só pra ajudar na produção desse festival. É um festival de artes integradas, que dura 20 dias, e tem vários tipos de atividades, como oficinas sobre música, produção cultural, dinheiro público para atividades culturais, etc., e, fechando o festival, dois dias de mostra de música, com mais de 20 bandas se apresentando. São bandas de todos os ritmos: metal, rock, instrumental, reggae, tem tudo. Foram esses os dias em que eu trabalhei mesmo, nem dormi, porque não tinha como, nem antes, nem durante. Era uma cobertura integral e instantânea, tinha que falar sobre todas as coisas que estavam acontecendo, por horas e horas sentada na frente de um computador sem beber e nem comer direito, e eu tinha que saber tudo o que estava acontecendo. O meu trabalho era gerenciar as mídias sociais, editar a foto pra matéria, escrever essa matéria, deixar uma matéria pronta pra outra banda que ia entrar. Eu tinha que fazer, no mínimo, três matérias, a primeira do começo do show da banda, depois durante e a última de finalização do show. E, nesse meio tempo, tinham ainda outras matérias sobre o que estava acontecendo lá fora, entrevistas com o público, com pessoas importantes que chegavam no evento. Em paralelo a isso, estava acontecendo uma batalha de reggae numa pista de skate, e tinha que entrevistá-los também. Foi um trabalho proativo, em que todo mundo devia saber de tudo, então foi um estágio que durou 30 dias. O Coletivo Difusão inclusive gosta de chamar de vivência, porque realmente você vive aquela realidade, e não tem tempo pra nada, só pra aquilo.

Você está no 4° período. O que pode dizer sobre o que aproveitou ou ainda vai aproveitar na academia?

Eu cresci muito, sou uma pessoa totalmente diferente do que era. Até porque, na universidade, a gente tem muita oportunidade de discutir coisas, que por exemplo, numa escola não era discutido. Aqui eu consigo discutir sobre política, economia, artes, opiniões, preconceitos, coisas que normalmente na escola não se discute. Na universidade sim, temos muito mais oportunidades de conversar sobre coisas que realmente são relevantes e importantes. Já li muitos livros legais, tive professores incríveis, que foram responsáveis por muitos fatores que resultaram no que eu sou hoje. Se eu já escrevia bem, agora eu escrevo muito melhor. E eu tenho muita facilidade, já que escrevo muita matéria pro Blog Petcom, de ter aquele “feeling” de que tem uma coisa acontecendo e eu já sei qual vai ser o título, como que começa, como termina, qual foto ficaria boa, qual o tipo de linguagem usado em certas ocasiões. Também já li vários livros que influenciaram nas opiniões que tenho hoje, vivi muito a cena cultural amazonense por causa do Difusão. Tenho mais opiniões concretas, mas o crescimento do nível intelectual mesmo foi o que mais me importou.

Você já sabe a sua área de atuação quando se formar?

Se eu puder escolher uma área e for bem sucedida naquilo eu escolheria produção cultural, ou alguma gestão de algum órgão ambiental, que é uma área com a qual eu tenho muita afinidade. Eu acho que eu sei mais falar sobre o que eu não quero. Eu não me veria trabalhando num órgão desses, de salto alto, toda arrumada, tendo que lidar com coisas que vão além da minha personalidade, como, por exemplo, assessorar um político. Eu não conseguiria trabalhar nesse tipo de assessoria, por conta da minha ética e por não acreditar no meu assessorado – dependendo do caso, claro. Não me vejo trabalhando num órgão que exige seriedade constantemente, pois sou uma pessoa muito distraída, que fala sobre tudo, que tem uma aparência diferente. Eu não me vejo trabalhando em eventos, porque sou uma pessoa super nervosa. Agora, em responsabilidade social eu já me vejo. Inclusive, foi algo que já trabalhei no Coletivo Difusão, principalmente com atividades voltadas à consciência negra, religião, etc., atividades essas que exigem de mim a total falta de preconceito, e que o social seja mais importante. Eu tenho que aprender a lidar com todos os tipos de públicos, seja de crença, de raça, aparência, tudo, e isso não é problema pra mim.

Tem vontade de fazer uma pós-graduação?

Tenho, porque eu sinto uma vontade de em, algum momento, ser professora. Eu acho até que seria uma coisa prazerosa pra mim, parece que eu estaria sabendo sempre daquilo que eu gosto e apresentando isso pras pessoas. Se eu for fazer pós-graduação, eu quero fazer tudo, especialização, mestrado e doutorado. Mas eu ainda não sei em que área eu faria essa especialização, se seria na área ambiental, cultural, política ou em economia.

Qual a sua expectativa para o mercado de trabalho? Vai atuar em Manaus mesmo?

O mercado de trabalho em RP não é tão amplo quanto eu pensava que era. Por exemplo, a maioria das vagas são para pessoas que vão ficar dentro de uma sala mecanicamente, gerenciando uma crise, fazendo um plano estratégico de comunicação, naquela saia justa todos os dias, seriedade pura. Pra quem gosta disso, parabéns, mas eu não gosto. O mercado de trabalho amazonense é excêntrico, pois parece que as pessoas que têm que se moldar a ele, têm que seguir um padrão. É muito difícil você encontrar um lugar onde haja liberdade e oportunidade de atuar de modo diferenciado. Eu sou do outro lado da moeda de Relações Públicas, das pessoas de Comunicação Social mesmo, que se preocupam com o lado cultural, antropológico. Eu gosto de poder passar pras pessoas alguma coisa. Eu gosto muito de poder falar sobre as coisas que eu acredito, de influenciar positivamente as pessoas. Se eu pudesse escolher uma coisa que me fizesse feliz, eu não ia escolher trabalhar pra um órgão público desses que desvia metade do dinheiro pro lado pessoal e não atende a sociedade, desenvolvendo um trabalho ‘às coxas’.

Qual o recado pra quem pergunta o que é Relações Públicas, o que você faz?

Relações Públicas é uma área da comunicação que existe para lidar com as relações interpessoais, públicas, internas, externas de uma determinada organização, de um grupo ou associação. É a comunicação destinada a regular, organizar, tornar possível algum tipo de relação comunicativa entre grupos. E isso seja qual for a forma de comunicação que a pessoa consiga imaginar que exista, pois as Relações Públicas não são limitadas assim como costumam limitar. É uma área abrangente e muito positiva pra quem gosta de comunicação, menos limitada que jornalismo e pode fazer muito dentro do que se gosta. Eu não sei se escolhi certo, mas é uma coisa que eu gosto de fazer e vou conseguir viver.

 

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
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