RP-AM e o mercado de trabalho, com Isabela Catarino

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Essa série faz parte da edição comemorativa da Revista Comunicadores, cujo tema é sobre os 100 anos das Relações Públicas, no Brasil.

A série sobre mercado de trabalho contará com entrevistas aos profissionais de Relações Públicas que estão inseridos no campo de trabalho de Manaus. Falamos com quatro mulheres que atuam verdadeiramente como RPs. A primeira delas foi a Isabela Catarino, RP da Prodam.

Você queria ser Relações Públicas desde menina?

Não, eu sempre soube que iria fazer algo na área de Humanas, mas não sabia o quê. E fui muito influenciada, por filmes, minisséries, quando eu via os atores atuando como porta-vozes na área governamental. Eu não sabia exatamente como funcionava a parte da comunicação naquilo, mas entendia que aquilo eu poderia fazer. Então, quando eu tive que escolher, fui pesquisar o que eu poderia fazer e encontrei Relações Públicas. Eu cheguei a prestar outro vestibular e passar para o curso de Letras, mas eu desisti porque já estava estudando RP, inclusive estagiando.

Como você soube da existência de um profissional de Relações Públicas e que a Ufam dispunha desse curso?

Eu fiz aquelas pesquisas que todo estudante deveria fazer antes de se formar. E meio que já sabia que queria e poderia trabalhar com a imprensa, podia ser porta-voz e representar uma instituição. E então eu fui procurar qual curso se enquadrava. Fiz aquela pesquisa de website mesmo e encontrei Relações Públicas.

Onde você já trabalhou depois de concluir o curso de RP na Ufam?

Eu sempre estagiei, e antes disso, integrei o Programa de Educação Tutorial de Comunicação Social (Petcom). No meu terceiro período, estagiei na Assessoria de Comunicação da Ufam (Ascom). Meu primeiro release foi na Ascom, falei sobre os Jogos Universitários; na verdade, era uma sugestão de pauta. E quando vi a minha notícia publicada, fiquei muito feliz. Depois estagiei na Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), fique lá até me formar, quando me contrataram. Trabalhei um pouquinho na Ascom de lá já como profissional e fazia parte do grupo que assessorava o órgão. Depois, fui trabalhar no Instituto de Inteligência Socioambiental Estratégica da Amazônia (Piatam), um programa da Ufam financiado pela Petrobrás que estudava os impactos ambientais da indústria petrolífera e que tinha uma área de comunicação muito grande. Então fiquei lá bastante tempo, atuando como RP. Fazia principalmente planejamentos e organização de eventos.

Atualmente, você trabalha na Prodam, certo? Qual é seu setor lá? Eles possuem um setor dedicado à comunicação?

Quando entrei lá, existia o cargo de Relações Públicas que estava meio que voando no organograma da empresa. Com o tempo, em menos de um ano, conseguimos criar uma assessoria de comunicação, que antes não tinha. Antes nós trabalhávamos ligados ao pessoal do departamento de negócios, mas não tinha ninguém que mandasse ou orientasse, era só um lugar pra ficar. Atualmente, temos uma assessoria, da qual eu sou a assessora. Quando assumi o cargo passei a trabalhar diretamente com o presidente da empresa. Então, eu assessorava ele e criou-se uma hierarquia. Passaram duas pessoas para o cargo de RP no último concurso e conseguimos estruturar um setor de Relações Públicas. A outra RP saiu da empresa porque ela passou em outro concurso e acabou que, além de assessorar o presidente, eu acumulei as funções que ela fazia.

Existe diálogo entre a comunicação e a alta administração da Prodam? Ou você possui um chefe imediato que intermedia essa relação?

Diálogo total. Eu sou subordinada diretamente a ele, que inclusive faz a minha avaliação de desempenho. Eu costumo dizer que a realidade que eu tenho aqui eu não conheço ninguém que tenha em órgãos públicos locais. Mas é claro que ele é uma pessoa de visão, ele considera a comunicação estratégica. No organograma da empresa, a assessoria de comunicação está no mesmo nível dos outros setores estratégicos.

Como você trabalha a comunicação na Prodam? Envolve a comunicação interna e externa, ou é limitada a um só público?

A gente tem uma comunicação interna bem forte. De 2010 pra cá, conseguimos desenvolver vários instrumentos de comunicação internos. Quando eu cheguei aqui tinha um jornalzinho que era enviado todo dia, um site e duas pessoas na equipe: eu e a Relações Públicas Andreia Nunes. Nós fizemos uma pesquisa e os colaboradores disseram que gostavam do jornal, então procuramos mantê-lo. E daí criamos outros instrumentos, como a intranet, solução de mídia indoor, que são aquelas TVs que ficam passando notícias institucionais, e substituíram os jornais murais. Temos uma série de ferramentas de comunicação interna e tentamos sempre trabalhar no sentido de realizar campanhas. Por exemplo, nós fizemos a campanha do novembro azul, que era uma iniciativa do RH da empresa: eles trouxeram pra dentro da Prodam um laboratório, e os homens puderam fazer exames de sangue e a ultrassonografia que detecta e previne o câncer de próstata. Fizemos matéria sobre isso, anúncios pra vendera ideia e manter uma estrutura interna bem legal. Tentamos trabalhar os instrumentos pra passar a mesma informação, seja no jornal diário, banner na intranet, na mídia indoor. Tudo numa campanha só.

Já em relação à comunicação externa, nós temos uma assessoria de imprensa, da qual eu coordeno e supervisiono os trabalhos. Sou analista desse contrato, e como era um serviço terceirizado, fizemos uma licitação.

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Isabela Catarino, na Prodam

Nós aprendemos, na universidade, que a comunicação é muito importante numa organização, seja pública ou privada. De acordo com sua experiência profissional de mercado, isso faz parte da nossa realidade?

É difícil falar pelo o que eu não conheço, mas acho que tudo depende do gestor. Eu posso estar numa grande empresa multinacional e ele achar que a comunicação não é importante, como eu tenho colegas que trabalham em empresas assim. Eu posso trabalhar numa multinacional e as pessoas acharem que a comunicação só serve pra persuadir, pra cooptar, aquelas teorias negativas que a gente aprende, até mesmo pra influenciar funcionário, em dizer que atuamos de forma a ajudar que eles trabalhem mais. Mas também, como no meu caso, o gestor pode pensar numa comunicação estratégica. Eu acho que isso vai do funcionário também; eu, por exemplo, se trabalhasse numa empresa em que não se investisse na comunicação, talvez não estivesse mais aqui.

Quais seriam os problemas da falta da comunicação?

Desde a falta de interação dos funcionários até não saber o que o colega faz. De haver muito ruído, daquela informação não ser clara e nem transparente. Claro que o ruído vai haver sempre, mas já pensou uma comunicação só ruído? Ou uma comunicação que de repente tenha um fluxo só de cima pra baixo mesmo, em que não se escuta o funcionário, não se tem feedback. E tem uma coisa importante, no meu caso especificamente, que é se tratar de uma organização pública. Enquanto profissional, eu entendo que estou numa organização pública e que devo respostas à sociedade. Então, a gente tenta trabalhar isso da maneira mais clara possível. Não se trata apenas de promoção da organização, e sim de dar satisfação à sociedade sobre o que estamos fazendo com o dinheiro que foi investido na gente, porque são os impostos que nos bancam. Nós temos essa consciência.

Você pratica atividades que você aprendeu na universidade?

Total. Tudo o que eu aprendi na sala de aula eu uso, o que acontece é que no meu dia a dia também pratico atividades que não aprendi na universidade. Por exemplo, hoje em dia eu trabalho com as mídias sociais e na universidade eu não estudei isso, porque não estava em evidência, na época.

Como era a área de comunicação na Prodam antes de você entrar?

Tinha uma estagiária supervisionada por alguém que não era da área de Relações Públicas e essa pessoa se limitava a fazer o diário, tirar fotos dos aniversariantes, etc. Antes dela houve tentativas de se colocar um profissional aqui e não deu certo.

Como é o setor atualmente?

Eu estou só, já que a outra RP passou em outro concurso e saiu. Mas fizemos um concurso, onde foram oferecidas duas vagas para Relações Públicas, e uma vaga para o profissional de design. Hoje eu até tenho um designer, mas ele não é concursado. Tenho três estagiários, de Design, Jornalismo e RP. O estagiário de Jornalismo atua na produção de matérias que são divulgadas apenas internamente. Agora, por exemplo, estamos fazendo matérias em todos os setores, da série “conhecer para integrar”. A ideia é ir em cada setor, tirar fotos, falar o que eles fazem, enfim. O estagiário de RP tem um caráter diferente também atua na produção textual, além da organização de eventos.

Você gosta do que faz?

Eu amo! Se me perguntassem se eu faria outra coisa,minha resposta seria sim, porque não vou morrer de fome, né? Mas eu adoro e gosto dos bastidores, gosto quando tem evento e eu quietinha lá anotando. Meu trabalho me possibilita escrever, estar em contato com novas tecnologias, conseguir conversar e ouvir as pessoas. E aí eu me vejo como eu queria me ver naquele filme, eu estou lá representando aquela instituição.

Como é o relacionamento de você com a assessoria de imprensa terceirizada?

Eu faço o levantamento das pautas que podem interessar e mando pra eles, a gente discute, eles fazem a matéria e a gente dispara pra imprensa. E os atendimentos são feitos por mim mesma.

Como você coordena a assessoria de imprensa? 

As informações são todas minhas, eu passo pra lá e eles disparam. Dúvidas, questionamentos, tudo volta pra mim. É o meu telefone que toca pra responder. Essa foi a metodologia que a gente adotou, a forma em que eu me sinto mais segura pra trabalhar. E essas pessoas que trabalham com a gente são super competentes.

Qual o recado que você deixa pra quem quer ser RP?

Eu acho que não pode se limitar. É claro que é horrível quando pedem pro RP ser um designer, por exemplo. Tanto é que quando eu tive a primeira oportunidade eu contratei um designer. Mas antes de não ter, eu que fazia. Ficava horrível, mas era o jeito. Ser um pouco de cara de pau faz bem, não digo pra ser desonesta, mas não ter vergonha. Eu lembro que queriam que eu fizesse um jornal mural lá na Secretaria do Meio Ambiente, aí falaram: “você tem que mexer no Corel”. E eu não sabia, mas me matriculei num curso do Senac, que era uma escola aberta. Eu achei melhor fazer aquilo do que dizer que não sabia fazer. Porque você precisa ser sagaz. Você tem que aproveitar as oportunidades.

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
Swênnya Azevedo

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