RP-AM e o mercado de trabalho, com Larissa Tupinambá

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Essa série faz parte da edição comemorativa da Revista Comunicadores, cujo tema é sobre os 100 anos das Relações Públicas, no Brasil.

A série sobre mercado de trabalho contará com entrevistas aos profissionais de Relações Públicas que estão inseridos no campo de trabalho de Manaus. Falamos com quatro mulheres que atuam verdadeiramente como RPs. A terceira delas foi a Larissa Tupinambá, empresária da Celebrare Cerimonial.

Você queria ser Relações Públicas desde menina?

Não, eu sempre quis ser jornalista. Quando eu entrei na Ufam, em 1995, o curso era pra Comunicação Social, e enfrentei uma barreira grande na família porque meu pai queria que eu fizesse direito. Mas eu decidi que queria fazer comunicação. Eu fiz um teste de aptidão na escola, e deu essa área. Eu queria, na verdade, também, publicidade, mas como não tinha na Ufam, decidi por Jornalismo, passei em Comunicação, e, na minha época, você entrava e escolhia a habilitação lá dentro, a partir do 5° período. E eu me desencantei por Jornalismo na faculdade, com a grade dos professores, com o fato de não ter aulas, e de RP ser mais organizado nesse sentido. Além disso, eu sempre gostei de eventos, e Jornalismo não tinha muita relação com isso.

Como você conheceu a profissão de Relações Públicas?

Dentro da universidade, que foi onde conheci o universo de Relações Públicas. Eu fiz parte de um projeto com a professora Socorro, que já se aposentou, fui bolsista dela. Ia nas salas de aula dos alunos finalistas, preparava um material, em projeção, de preferência. A partir disso, a gente conseguia divulgar a profissão. Eu fazia duas faculdades ao mesmo tempo, RP de dia e Turismo à noite, no Ciesa (Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas).

Qual foi o seu primeiro emprego após concluir o curso de RP na Ufam?

Professora. Consegui uma vaga na prefeitura pra dar aula de inglês, fiquei dois anos. Me formei primeiro em Turismo, seis meses antes, depois em RP. Quando me formei na Ufam, a professora Laura Jane me convidou pra ser professora substituta de RP da Ufam. Fiquei um ano e meio. Depois fui trabalhar na McDonald’s (fiquei um ano), pois era encantada com a proposta de trabalhar numa multinacional, e eles pediam gente com nível superior. Só que não tinha nada a ver comigo, porque era gerência de restaurante. Nesse meio tempo, eu nunca abandonei a área de eventos, e sempre trabalhei como mestre de cerimônia. Trabalhava com uma amiga minha, Maria Castro, que se formou em Turismo, no Ciesa. Eu sempre fazia isso, mas era bico, e eu nunca organizava o evento como um todo. Depois do Mc, abri uma loja de produtos dietéticos, já que meu marido é farmacêutico, e foi uma grande decepção na minha vida, porque eu percebi que eu não tinha nada a ver com aquilo. E depois de fechar a loja, voltei pra Ufam. Eu adoro dar aula. Fiquei mais um ano e meio, pela segunda vez. Eu trabalhei como assessora de comunicação da Samsung. Depois a Célia [sobrenome, professora] me indicou pra Philips, pra trabalhar com responsabilidade social e cuidar de um projeto. Fiquei quatro anos lá, até a Philips ter problemas de custos e cortar o projeto. Mas vida de Distrito [Industrial] não foi feita pra mim, numa sala fechada, embora fosse bacana porque ali eu exercia as Relações Públicas realmente. Ao mesmo tempo da Philips, eu estava no Conselho de Administração como assessora de comunicação. Posso dizer que estou no Conselho até hoje, dez anos depois, só que hoje eu transformei o Conselho no meu cliente.

Quando você decidiu ser empreendedora e trabalhar como dona do seu próprio negócio com a Celebrare? Foi difícil, no começo?

Não. Por incrível que pareça, não foi. A Celebrare surgiu com um convite de aniversário de 15 anos. O pai da aniversariante estava presente num evento que apresentei na Prodam, de uma premiação, conseguiu meu número e deu pra mulher dele. No outro dia, sua esposa ligou e pediu pra eu fazer o aniversário de 15 anos da filha dele. Depois de muita insistência, eu aceitei, porque eu nunca tinha feito um evento, só tinha sido mestre de cerimônia da Maria Castro por dez anos. Depois dessa festa de quinze anos, uma moça me ligou pra fazer uma formatura. A Celebrare, que começou como um bico, começou a ocupar todo o meu tempo. Com seis meses eu larguei o Conselho de Administração, e fiquei fazendo só os eventos.

Como você trabalha a comunicação na Celebrare? Envolve a comunicação interna e externa?

Nossa comunicação interna é somente pela ferramenta do WhatsApp. Eu não faço nenhum tipo de divulgação da Celebrare, meu trabalho é um trabalho de confiança. Você vai me contratar pro casamento, então, no mínimo, tem que confiar em mim. Eu faço teu casamento e eu raramente te encontro depois, o que acontece é que você me indica pras tuas amigas e assim vai. É mais pelo reconhecimento do trabalho.

Vocês possuem veículos de comunicação interna e externa?

Tenho só um perfil no Facebook da Celebrare. Eu até estou pensando em fazer uma pesquisa com os clientes. Trabalhamos com cerca de 40 eventos no ano, e esse ano vamos fechar com 43. Seriam 43 clientes que eu poderia fazer uma pesquisa. É difícil, mas não é impossível, eu já venho pensando em como trabalhar isso.

Como é ser chefe?

Eu acho muito fácil ser chefe, porque sempre soube ser líder. Acho que é uma característica. Você pode aprimorar suas habilidades, sua forma de comunicação, mas eu acho que você nasce um pouco com essa liderança. Pra mim, foi natural ser chefe, pois eu sempre tive oportunidade de trabalhar exercendo essa liderança, seja porque eu estava sozinha numa assessoria de comunicação de uma grande empresa, ou era responsável por outros projetos. Eu me acho uma chefe muito legal, mas também me acho um pouco chata.

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Larissa, em seu escritório da Celebrare Cerimonial.

Frequentemente vemos listas em revistas ou na internet em geral sobre as carreiras mais promissoras e geralmente Relações Públicas está presente. Você sentiu alguma diferença de mercado nesses anos? 

Eu não posso te mensurar porque eu não trabalho diretamente como profissional de Relações Públicas. Na minha área de cerimonialista, o crescimento foi exponencial.

Organização de eventos é uma das atividades mais destacáveis do profissional de RP. No entanto, algumas vezes, pessoas sem o curso ou de outra área são responsáveis por essa atividade. O que você acha disso?

É um absurdo isso, e estou brigando com o Conselho de Relações Públicas por conta disso. Eu estou pedindo baixa do conselho, não vou e não tem por que pagar. Nós não temos uma delegacia aqui, a quem nos reportar, e o curso não regulamenta a minha área, porque nela qualquer profissional de turismo pode trabalhar. Na verdade, eu tenho as duas profissões, que me habilitam trabalhar com eventos, turismo e Relações Públicas. Nenhuma outra profissão poderia trabalhar com isso, nenhuma outra. Mas nós não temos nenhuma regulamentação a esse respeito. Se você me perguntar dos dez cerimonialistas que trabalham em Manaus, dois são Relações Públicas, eu e a Gisele Martines. E pra mim é um absurdo, porque se a gente tivesse essa regulamentação, te diria que 90% dessas pessoas que se autodenominam cerimonialistas estariam fora do mercado.

Na sua opinião, qual a diferença de um RP para outro profissional, em relação à produção de eventos?

Eu acho que o entendimento do teu cliente, do teu público em si. A minha formação de RP faz com que entenda o que meu cliente procura e quer. Casamentos são feitos com 50 mil reais e 1 milhão de reais. Então eu tenho que adequar todo o perfil da noiva, seu orçamento, pra eu realmente fazer o casamento dos sonhos. Eu acho que a minha formação me dá esse entendimento de como se relacionar com os públicos e entendê-los. Do que a noiva quer apresentar pros amigos, pra família. Se você parar pra pensar, num evento eu trabalho com vários tipos de públicos; vários fornecedores (de 15 a 20 num único evento), os convidados (família, amigos, não-tão amigos), enfim. E você tem que agradar a todos de uma forma só, e também ao seu cliente. Na formatura, por exemplo, você tem aí 40 clientes, são 40 famílias diferentes, no mesmo ambiente. Eu acho que a minha formação de RP me ajuda nisso.

A sua área de trabalho é muito concorrida, em Manaus?

A gente não passa uma semana em que não chegue um pedido de orçamento. Eu não tenho o que me queixar de falta de clientes. Impressionante isso, com o grande crescimento absurdo na quantidade de cerimonialistas aqui em Manaus. 80% dos meus clientes são noivas.

Você tem uma equipe, alguma parceria, estagiário, chefe? Outros profissionais (designer, publicitário, jornalista) relacionados a área de comunicação trabalham com você?

No meu escritório só trabalha eu e a Andréia, que é estagiária de RP. Nos eventos, eu trabalho com seis meninas na equipe. Tem uma escala no mês para elas; em cada evento trabalho com três, como recepcionistas. Eu tento que a minha equipe seja só de RP, mas por enquanto de RP eu tenho a Caren Baraúna e a Andréia. Elas têm todo o trabalho de coordenação e recepção do evento. Temos duas categorias: a recepcionista, que fica na porta recebendo as senhas, orientando onde sentar e dando informações; e a coordenadora, que me auxilia na administração.

Você gosta do que faz?

Adoro o que eu faço. Eu realmente me encontrei na área de eventos.

Qual o seu recado pra quem acaba de entrar no mercado de trabalho?

Eu tenho orgulho de falar que me formei na Ufam. Eu quase não falo da minha formação no Ciesa, em Turismo. Na minha vida, eu sempre tive um princípio muito grande de que eu nunca ia depender de ninguém, seja lá de quem fosse, eu ia procurar o meu sustento. Apesar de não precisar, eu venho de uma família estruturada. Você, recém-formado, tem que dar sua cara a tapa. Correr atrás, infelizmente no começo você engole sapo. Eu sempre tive humildade no começo. É pra ser recepcionista? Então vamos lá. Não recusava trabalho porque queria aprender. Eu não aprendi sobre eventos na faculdade, eu não tive a disciplina de organização de eventos. Você tem que sugar o que o mercado tem a oferecer pra você. Quando você chega numa grande empresa, se contrata somente um profissional pra cuidar da comunicação. Concorremos com psicólogo, jornalista, publicitário, então se você não tiver um domínio grande da comunicação, você não fica.

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
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