RP-AM e o mercado de trabalho, com Rejanne Barros

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Essa série faz parte da edição comemorativa da Revista Comunicadores, cujo tema é sobre os 100 anos da Relações Públicas, no Brasil.

A série sobre mercado de trabalho contará com entrevistas aos profissionais de Relações Públicas que estão inseridos no campo de trabalho de Manaus. Falamos com quatro mulheres que atuam verdadeiramente como RPs. A terceira delas foi a Rejanne Barros, RP da Fundação Nokia.

Você queria ser Relações Públicas desde menina?

É até engraçada a minha história. Na verdade, eu sempre quis, desde pequena, fazer Direito, esse era meu sonho. Eu tentei passar na Ufam, mas não consegui. Então minha mãe, vendo meu interesse, decidiu com muito esforço me matricular na Uninorte. Mas disse que não ia desistir da Ufam. Na época, ela pegou aquele livrinho onde fala um pouco de cada uma das áreas, e quando ela viu Relações Públicas disse: “minha filha, você se encaixa muito no perfil dessa profissão”. Nunca tinha escutado falar sobre Relações Públicas. Quando li, comecei a pesquisar e me encantei, então pensei: “isso é o que eu vou fazer”. Me inscrevi e consegui passar numa boa colocação no vestibular. Não penso em outra graduação que não seja a área de RP.

Qual foi o seu primeiro emprego depois de concluir o curso de RP na Ufam?

Participei de um projeto na faculdade onde íamos nas comunidades do Dom Pedro com a orientação da professora Maria Emilia. Depois entrei no escritório de Relações Públicas da Ufam, retomado quando eu estava terminando o curso de RP. Soube que ele fechou de novo, mas, garanto, se ainda existisse, seria ótimo. Ele foi minha porta de entrada no mercado de trabalho. No escritório-escola, as professoras Aline Lira e Célia Carvalho eram as responsáveis. Elas recrutaram estagiários, como a Andréia, hoje RP no TJ-AM. Fizeram contatos com empresas e o primeiro foi com a Prodam, a empresa de processamento de dados do Governo, que conta com Isabela Catarinocomo RP. Estavam precisando de um plano de comunicação. Após a apresentação do plano elaborado, eles disseram: “bom, agora precisamos de alguém pra colocar isso em prática”. Foi quando eu fui pra lá como estagiária. Comecei colocando o plano de comunicação em prática. Lá não existia a área de comunicação. Eu comecei o trabalho cuidando da comunicação interna. Me orgulho bastante de ter saído de lá e de ter deixado uma marquinha, sabe? Depois me contrataram e fiquei três anos trabalhando. Lá se entra por concurso público, então abriram vaga para Relações Públicas. Daí que eu me encanto mais ainda, conseguiram enxergar a necessidade desse profissional. Depois disso, fui para a fábrica da Nokia do Brasil, onde trabalhei três anos. Na época da faculdade, fizemos uma visita à fábrica e o jornalista Paulo Ariel era o coordenador e gerente da área de comunicação da fábrica. Me encantei com a estrutura da Nokia e seus canais de comunicação variados e a forma com que trabalhavam forte a comunicação interna, já que a externa era toda feita por São Paulo, pelo escritório. Paulo precisava de alguém que o ajudasse na comunicação interna. Participei de uma entrevista com outros candidatos e fui escolhida. O Paulo Ariel saiu da Nokia e veio para a Fundação como gerente da Comunicação e me convidou para trabalhar aqui também. Com sua saída, fiquei responsável pela área.

Qual a diferença entre a fábrica da Nokia e a fundação?

A Nokia é a fábrica que hoje é a Microsoft, onde se produz os celulares. E a Fundação Nokia é a escola antes mantida pela Nokia, hoje pela Microsoft.

Em que setor você trabalha na Fundação Nokia? Eles possuem setor de comunicação ou você está lotada no RH?

Já tinha um setor de comunicação ligado à Diretoria Executiva. Inclusive era uma RP que trabalhava antes aqui, a Regina Arruda.

Como você trabalha a comunicação na Fundação? Envolve a comunicação interna, externa, ou é limitado a um só público? Quais os seus públicos de interesse?

Trabalharmos a comunicação interna e externa normalmente, e eu não dependo da assessoria da Fábrica (que envolve o escritório de São Paulo). Temos o apoio de uma assessoria de imprensa terceirizada, que lida também com as redes sociais e com os contatos. Oriento-a com pautas e eles fazem o contato com a imprensa e nossas redes sociais.

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Rejanne, na Fundação Nokia.

Você pratica algo que foi aprendido na universidade?

Tudo, inclusive porque a nossa área de RP, no meu ponto de vista, é muito ampla. Temos a possibilidade de atuar em diferentes campos, desde a publicidade, o marketing, as redes sociais, enfim. Tenho atuado em todas essas áreas.

Como é o relacionamento com a imprensa?

Ótimo, superpositivo. Eles ligam pra mim ou pra assessora, como normalmente ela que faz o contato, ela responde pela Fundação. Mas passa tudo por mim, se precisar entrevistar alguém eu converso com os diretores ou quem pode ser o melhor porta-voz para essa entrevista. Ela faz os contatos, elabora os releases, mas a parte estratégica é comigo.

Existe diálogo entre a comunicação e a alta administração da Fundação ou você possui um chefe imediato que intermedia essa relação?

Estou respondendo para um gerente de Projetos. Dentro da área de Projetos temos Comunicação, Marketing, Projetos e Responsabilidade Social. Ele responde à Diretora de Ensino e Pesquisa. Consequentemente, respondo para essa diretoria e em linhas pontilhadas para a diretoria executiva. Ou seja, os assuntos institucionais trato com a diretora executiva, e a campanha dos produtos e dos cursos trato com a diretora pedagógica. Me reporto também para a área de comunicação da Microsoft quanto as questões institucionais da Fundação.

Frequentemente apresentam-se listas em revistas ou na internet em geral, sobre as carreiras mais promissoras e geralmente Relações Públicas está presente. Você sentiu alguma diferença de mercado nesses anos? 

Senti. Tenho percebido maior intensidade de oportunidades. Pra mim, o mercado vê melhor nossa área agora. Eu amo meu trabalho: a Fundação tem um clima agradável para trabalhar. Tenho a oportunidade de numa tarde ser convidada para assistir o coral da Fundação. Faz parte do meu trabalho ir lá e cobrir a apresentação. Tem uma feira dos alunos, eles desenvolvem projetos muito bacanas, enfim, a gente sai dessa rotina de escritório.

Nós aprendemos, na universidade, que a comunicação é muito importante numa organização, seja pública ou privada. De acordo com sua experiência profissional de mercado, isso faz parte da nossa realidade?

Sim, mas as empresas, quando pensam em demitir, acabam logo com a área de comunicação. Isso eu tenho visto muito acontecer agora, tá virando quase que rotina. Ou seja, eu vejo que embora eles percebam a importância desses profissionais, na hora de pensar em extinguir alguma coisa para reduzir custos, eles pensam logo na área de comunicação.

Antes de você entrar na Fundação Nokia, qual era o cenário da comunicação na organização? 

Havia um setor de Comunicação que atuava mais na Comunicação Interna. Hoje ampliamos esse cenário e passamos a atuar na Comunicação Interna e externa. Incluímos também as redes sociais.

Vocês possuem veículos de comunicação interna e externa?

A meta da fundação é ser sustentável. Pra ela ser sustentável, é preciso vender, e pra vender é preciso se comunicar com o público externo, ou seja, todo mundo de fora precisa saber quem a gente é, o que fazemos e o que podemos oferecer à sociedade. Não que tenhamos deixado a comunicação interna de lado, mas, o foco foi dado para trabalhar totalmente a comunicação externa. De veículos internos temos a intranet, comunicado interno que é o e-mail enviado somente pela área de comunicação, as reuniões da diretoria com os colaboradores, as pautas elaboradas pela área de comunicação, e, a partir do ano que vem, vamos implantar mais um canal interno de comunicação que é o Ação e Reação, a fim de ver se os colaboradores, recebendo a mensagem, estão tendo um entendimento daquilo que queremos passar. Já para a comunicação externa temos a assessoria de imprensa, as redes sociais (temos 28 mil seguidores na nossa página), e o site também, que foi reformulado no meio do ano, justamente para focar nessa parte institucional e de vendas.

Quem são os públicos atingidos por esse trabalho de comunicação na Fundação Nokia?

Trabalho com alunos, colaboradores, clientes à procura dos cursos técnicos, Ensino Médio e cursos profissionalizantes, clientes do RH das empresas. Eu tenho contato com muitos públicos, desde empresas, à própria imprensa e a sociedade em geral, atuando em vários segmentos e públicos muito diferentes. Temos um foco bem diferente para cada um dos públicos, até porque a linguagem é bem diferenciada. Agora mesmo trabalhamos uma campanha do curso de férias na área de games e robótica para o Ensino Médio, que é o que interessa a essa meninada. Eu tenho que atrair os públicos das empresas também. Então, trabalhamos uma linguagem totalmente diferente.

Você tem uma equipe, alguma parceria, estagiários, chefe? Outros profissionais relacionados à área de comunicação trabalham com você?

Tenho o apoio de duas agências para trabalhar as campanhas e fornecedores específicos para cada coisa, como, por exemplo, o layout do site. Se tenho que fazer uma campanha para o Ensino Médio, uma agência elabora essa campanha. Se eu preciso enviar um cartão de natal aos colaboradores, uma agência vai elaborar o layout do cartão. Nada é feito aqui dentro, tudo é terceirizado, mas gerencio a comunicação e atuo de forma estratégica, mesmo que não faça atividades técnicas.

Você gosta do que faz?

Sou apaixonada pela minha profissão. Recentemente ganhei o prêmio de RP Destaque Terceiro Setor. Estava de férias no período. Quando voltei as pessoas me parabenizavam pelo resultado, não imagina o quanto fiquei feliz. Se a minha atuação não tivesse importância, ninguém ligaria pra isso. Me sinto totalmente reconhecida e é quando eu me encanto ainda mais com a área, quando vejo as pessoas me elogiando e elogiando meu trabalho. Sou uma eterna encantada e apaixonada por Relações Públicas.

Qual o seu recado pra quem acaba de entrar no mercado de trabalho?

Ame demais a profissão, e conheça profundamente o que faz um Relações Públicas, devemos mostrar ao mercado de trabalho a importância que temos.

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Swênnya Azevedo

Swênnya Azevedo

Há cinco aninhos nessa tal de Ufam, e mesmo assim, já tô sentindo falta. Canceriana chatinha e mandona, mas compreensiva e carinhosa. Amo a ideia de me tornar relações públicas, só que algo ainda me persegue e me deixa agoniada: a monografia! Estudante do 9º período de Relações Públicas e petiana desde abril de 2012.
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