Movimento #EuQueroaCulturaViva protesta o sucateamento da TV Cultura

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       Quem não sente saudades do menino aprendiz de feiticeiro de 300 anos que tinha Hogwartz dentro do seu próprio castelo, do professor com roupa de formando que fazia com que seus alunos percebessem as coisas em ângulos diferentes, do programa com animações malucas que misturava o todas as matérias da escola ou do rock rural de uma fazenda mais que divertida?

        Não é novidade pra ninguém que a TV Cultura e suas rádios têm uma programação de qualidade e é referencia na produção de conteúdo para o público infantil. Programas como Castelo Rá-Tim-Bum ( série que  ganhou as telonas em 1999 e que só perdeu em bilheteria para “O Auto da Compadecida”), Cocoricó, Confissões de adolescente, X-Tudo, Cata-lendas, Mundo da lua e Glub Glub marcaram época com o seu jeito lúdico de entreter. São esses e outros programas da TV Cultura que fizeram parte da vida de milhares brasileiros entre a década de 1990 e inicio dos anos 2000 e que continua nas programações infantis e adultas até os dias de hoje com suas reprises e programas inéditos.

       Mesmo tendo o título de segundo canal de TV com melhor qualidade de programação do mundo em pesquisa feita por encomenda pela BBC, o canal, mantido pela Fundação Padre Anchieta, está com a sua grade de programações ameaçada. Nesta segunda-feira, 10/08, ex-funcionários e funcionários, ativistas, artistas e telespectadores participaram de um ato na porta da TV Cultura, na Zona Oeste de São Paulo, contra o desmonte das emissoras de rádio e TV. Além disso,  impulsionaram o movimento com o vídeo #EuQueroaCulturaViva, onde artistas falam sobre a situação atual de alguns de seus programas tradicionais.

 

Senta, que lá vem a história…

       Com o objetivo de economizar cerca de 300 mil reais com o sinal da TV parabólica, a Fundação Padre Anchieta privou mais de 30 milhões de telespectadores do sinal da emissora, que nos últimos anos demitiu mais de 2 mil funcionários responsáveis pelas rádios e TV Cultura, segundo a Carta Capital. Além disso, as produções originais foram cortadas e terceirizadas, a programação foi cedida a outros veículos, equipes de jornalismo e radialismo estão sendo reduzidas, a infra estrutura está sucateada e a produção própria de conteúdo está enfraquecida. A campanha protesta contra o desmonte gradual efetuado pelo governo Alckmin, que reduziu 20% no orçamento da fundação, que por sua vez é mantida pelo Governo o Estado. Porcentagem que ainda pode aumentar.

         O texto de manifesto, disponível aqui, relembra a excelência das produções da TV Cultura, fruto de um trabalho de décadas de dezenas de jornalistas, artistas e técnicos, internacionalmente reconhecidos  por isso. Acompanhamos esse processo estarrecidos, mas não passivamente. Vamos lutar para impedir o desmanche da Cultura. Queremos a Cultura Viva, refletindo a diversidade e a pluralidade do povo paulista e brasileiro. Queremos a Cultura Viva, mas queremos que ela seja ainda mais pública, que ouça a sociedade, que espelhe de forma criativa a complexidade e a efervescência cultural do nosso estado e do Brasil.”

       O fim dos programas Viola minha viola, apresentado por Inezita Barroso, e Provocações apresentado pelo Antonio Abujamra, ambos falecidos no início deste ano, também é colocado como uma das causas do manifesto, uma vez que os funcionários que trabalhavam nas produções foram dispensados no mês de julho. O que parece ser um problema sem solução, pois as duas atrações, assim como Senhor Brasil, por exemplo,  tem suas identidades muito embasadas no apresentador. Esse seria um obstáculo válido a ser superado, em vista da importância dos programas para o público tradicional.

       É importante ressaltar que o apelo dos grupos em protesto não tem o objetivo de manter uma programação saudosista, reexibindo programas antigos. Com um potencial enorme, desde 2009 a emissora tem criado novos programas como Matinê cultural, Programa novo, Cartãozinho. Tem também repaginado outros, como os programas de público infantil Glub Glub, Cocoricó, que ganhou mais destaque deixando de ser um programa de exibição de desenhos dando lugar ao também recente Quintal da Cultura. Outra produção que tem feito grande sucesso com crianças é a série Que monstro te Mordeu?,  mais nova criação de Cao Hamburguer,  também foi o criador do Castelo Rá-Tim-Bum.

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Eu conheço uma pessoa que se interessaria muito por isso…

       Uma não, o país inteiro! Mesmo com a resposta do presidente da TV Cultura Mauro Mendonça, publicado na Folha se S. Paulo, afirmando que mesmo com orçamento reduzido achará caminhos para continuar com a programação gastando menos, a petição segue firme na tentativa de reverter esse quadro. Em menos de dois dias as assinaturas chegaram a 80% do alvo inicial, de 100.000. Não se sabe ao certo o futuro da TV pública de qualidade no país em meio a crise. O que é preocupante pois só temos uma, e a melhor.

(Fontes: Folha de S. Paulo, Carta Capital, Observatório da Imprensa, Veja SP)

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Daniella Coriolano

Daniella Coriolano

Estudante do 7º período de Jornalismo e petiana desde abril de 2012.

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