A ELEGÂNCIA DO OURIÇO

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“A Elegância do Ouriço” (no original, L’élégance du hérisson) é um drama filosófico francês de 2006, escrito pela marroquina Muriel Barbery. A história se passa em um prédio de elite em Paris, no qual moram diversos personagens representantes de arquétipos da sociedade parisiense. É a partir desse ambiente que o leitor é conduzido a questões como a efemeridade, a eternidade, a arte e o amor.

Renée, cinquenta e quatro anos, é zeladora do edifício. Gordinha, baixinha e viúva, é tida pelos moradores como ranzinza e ignorante. Sempre solitária, segue a mesma rotina todos os dias, acompanhada apenas por seu gato, León, e sua amiga Carmem, uma faxineira portuguesa. Paloma, doze anos, é a caçula de uma família moradora do prédio. É considerada estranha e problemática por todos a sua volta, principalmente por seus parentes. Assim como Renée, passa boa parte do tempo trancada em seu quarto, sozinha.

A solidão de ambas é uma armadura. Renée finge ser ranzinza para que os moradores não se aproximem de seus aposentos, onde guarda seus livros e sua verdadeira, enquanto mantém-se no arquétipo de zeladora de meia-idade no trato com os moradores. Paloma, no entanto, tem planos mais radicais. Caso não encontre um sentido para a vida, determina que cometerá suicídio em seu aniversário de treze anos por não aceitar viver em um mundo feito de aparências e problemas banais.

Um dia, no entanto, se cruzam e desenvolvem afeto uma pela outra, ainda que resistam no início. A aproximação faz com que cada uma procure o porquê de viver. O prazo para encontrar suas respectivas respostas se encerra no dia do aniversário de Paloma, 16 de junho e, caso não consigam encontrá-las, a promessa do suicídio se concretiza. A partir de então, as duas tornam-se amigas e cúmplices em uma série de acontecimentos que mudam a rotina dos moradores. As vozes de ambas se intercalam em seus próprios diários, tanto em prosa como em haikais. É por esses textos que se observa os pensamentos de ambas e, consequentemente, o amadurecimento de suas ideias.

A densidade de “A Elegância do Ouriço” está nos pensamentos e na disposição a mergulhar em si mesmo. Não há, no processo que leva as duas personagens, tão opostas à primeira vista, a se complementarem, uma hierarquia de idade. E, muito menos, uma figura estática de sabedoria, sacra ou etérea.  A realidade dita uma narrativa melancolicamente bela sobre a descoberta de si mesmo e a imprevisibilidade da trajetória.

A essência do livro não é dar sentido à vida, mas mostrar a importância de procurá-lo.

Sempre.

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Cecília Costa

Cecília Costa

Quando criança, dizia que sua profissão seria “Leonardo da Vinci” porque ele fazia de tudo um pouco. Já quis ser astronauta, cientista, bailarina e antropóloga e, hoje, é estudante do curso de Jornalismo da UFAM. Ama contar histórias e, assim, nunca conseguiu ficar com caneta e papel nas mãos sem escrever, rabiscar e transbordar.
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