Entomologia Forense: projetos são elaborados por alunos de Bacharelado em Química da UFAM

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A Entomologia Forense é a ciência que dedica o estudo de insetos como ferramenta auxiliar da investigação criminal. Esses insetos podem auxiliar na investigação de um crime proporcionando a estimativa do tempo decorrido após a morte, apoiando-se no tempo em que o inseto leva para se desenvolver de ovo ou larva até ao estágio no qual ele foi encontrado no cadáver.

E o projeto que nós iremos falar hoje está englobado nessa temática relativamente nova. O estudo de insetos, especificamente as moscas, na determinação do IPM (intervalo pós morte) está sendo desenvolvido pelos alunos de graduação de Bacharelado em Química da UFAM Cayo Alves, Gabriel de Albuquerque e Andreza Uhôa de Paula, orientados pela Profª. Dra.  em Química Karime Bentes.

Ao mesmo tempo que a entomologia forense pode ser utilizada para determinar o IPM, pode também ser utilizada para determinar a causa da morte. Há casos em que o cadáver não possui mais tecido disponível para fazer uma análise toxicológica, então pode-se utilizar esses insetos que se alimentaram dele, e assim detectar se usaram algum tóxico ou não, por exemplo.

“No caso é a determinação do IMP através de insetos que estão associados com cadáveres, já que existe um banco de dados pra saber, de acordo com o ciclo de vida do inseto, quanto tempo o cadáver está ali, só que se essa vítima fez o uso de alguma droga ilícita ou remédio, essas substâncias irão ser passadas para os insetos e isso poderá afetar o ciclo de vida deles. E isso faz com que a determinação do IPM esteja errada. No caso do nosso projeto, estão sendo usados quatro medicamentos analgésicos (dipirona, ibuprofeno, paracetamol e aspirina – que são exatamente os analgésicos vendidos em maior escala e sem prescrição médica). E depois analisaremos a interferência deles no ciclo de vida de moscas necrófagas da região, que são aquelas moscas que polonizam cadáveres”, explica o aluno Caio Alves.

 O projeto tem como intuito estudar e identificar a influência desses medicamentos no desenvolvimento das moscas necrófagas mais comuns da região, são elas: Chrysomya Albiceps, Chrysomya Megacephala e Cochliomya Macellaria. E mais adiante fazer uma análise química (cromatografia em camada delgada) para determinar se essas substâncias são passadas realmente para as moscas.

“A gente já fez um piloto um mês atrás e constatamos que essas três espécies polonizam a carne em decomposição, então nós sabemos que elas tanto vão chegar ao cadáver quanto vai ser possível de nós coletarmos e realizar essa análise. E certamente, quando houver um cadáver de fato, essas mesmas espécies irão até ele”, garante Gabriel de Albuquerque Barros, aluno do 3º período e responsável pela parte de Determinação de Fármacos em imaturos de Chysomya Albiceps.

A execução do projeto em si será depois de um decisivo segundo piloto, porque os graduandos em química irão primeiro testar se conseguem ou não criar essas larvas. O processo se dará da seguinte maneira:

1) irão expor um pedaço significativo de carne, sem que ela esteja contaminada com os analgésicos, de um dia para o outro lá na casa de vegetação, localizada no mini campus da faculdade, e com isso atrair e coletar as três espécies já comprovadas no primeiro piloto (primeiro eles tentam selecionar as moscas com base na identificação visual, depois comprovam sua real identificação com os equipamentos propícios do laboratório);

2) irão colocar as espécies separadamente em cada caixa junto com uma dieta específica para elas;

3) irão esperar que elas cruzem e coloquem seus ovos, e é a partir dos ovos dessa segunda geração, ou seja, já encaminhando para a terceira geração de moscas, que serão colocados na carne agora contaminada pelos medicamentos já citados anteriormente. E com isso ter a certeza que elas tiveram a mesma alimentação, e assim não interferir na análise deles.

O foco principal, apesar de toda essa parte de criação, é a detecção final do analgésico na larva.  Para os pesquisadores, o mais importante é desenvolver um método certo de cromatografia em camada delgada que possa ser utilizada essa extração, essa separação do analgésico dentro de um tecido de uma larva.

“Apesar de existirem vários métodos de cromatografia, esse método que nós estamos tentando desenvolver em camada delgada é um método de rotina, mais fácil de ser refeito e mais econômico, ou seja, é um método viável e de fácil aplicação”, garante Gabriel.

O projeto foi submetido recentemente como PIBIC e a equipe de pesquisa está no aguardo para realizar o segundo piloto agora no fim de maio, que é quando o período de chuva irá cessar na capital, e esse fator é importante para o sucesso do trabalho.

Cromatografia: é um método físico/químico de separação de misturas complexas.

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Karem Canto

Karem Canto

Ela se irrita fácil, sempre tão orgulhosa e exigente. Ela gosta de se sentir livre. Meio esquisita, sabe? Do tipo que vai além de falar sozinha, e para ela isso é tão normal. Mas sabe aqueles momentos de puro bom humor, sorrisos bobos, palavras sinceras e eterna ouvinte? Acredite, todos eles compensam...
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