O Jornalismo televisivo na atual situação política do Brasil

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A não ser que tenha estado em Marte ou qualquer outro planeta nos últimos meses, você deve ter notado que a atual situação política no país encontrava-se a todo vapor. Lula sendo convocado a uma “condução coercitiva” para prestar depoimento à Polícia Federal, as manifestações contra o governo Dilma, a promoção de Lula a ministro e toda a repercussão gerada em torno do caso, juntamente com o embate entre aqueles “a favor” e “contra” seja nas ruas ou através das redes sociais. A noticiabilidade em torno dessas situações se faz inegável, além da compulsão coletiva em desvendar todos os segredos por trás de tais escândalos do governo.

Sabemos que nos dias atuais, todos são capazes de ter opinião sobre tudo e, mais que isso, todos se sentem impulsionados a desconfiar de tudo aquilo que é dito. Se antes todos nos sentíamos entendidos em um assunto acessível, como o futebol, hoje todos nos vemos como especialistas no complexo cenário político atual, ainda que as interpretações sejam, quase sempre, tendenciosas. Em meio a isso surge o desafio do jornalista: como comunicar a um grande número de pessoas que aparentemente apresentam uma opinião formada sobre tudo?

Historicamente, o fetiche pelo ao vivo está ligado à transmissão televisiva, através da relação direta que mantém com a realidade. Esperamos da televisão o momento de tensão do fato acontecendo, queremos acompanhar o desdobramento do acontecimento à medida em que ocorre. É dentro desta expectativa que está a ideia de que a imagem transmitida pela televisão seria a forma mais transparente de contato com o mundo, e não uma versão modificada por interesses ou dependente do ponto de vista de alguém ou de determinada classe social.

Assim, nos episódios do último mês, podemos observar o papel da televisão de acompanhar o que de fato está acontecendo a um espectador propenso a duvidar dela em meio a um conjunto de leituras apressadas, edições contestadas, falhas nas falas dos repórteres ao vivo . Não posso também deixar de citar o papel da internet, principalmente das redes sociais, onde os cidadãos, aproveitando da instantaneidade do ao vivo, encontraram uma oportunidade neste ambiente virtual, para se expressar, para declarar seu ponto de vista sobre o que é transmitido. Enfim, a televisão providenciou todo o material para abrir a mente do povo brasileiro sobre o que suspeitamos já faz algum tempo: que as empresas de comunicação, distorcem, enganam, modificam a realidade dos fatos.

Muito do que hoje sabemos se deve à nosso processo de amadurecimento como receptores dos meios de comunicação. Afinal, um dos grandes resultados positivos da atualidade, sem dúvida, foi a popularização de diversas interpretações sobre um mesmo assunto, nos possibilitando pensar mais criticamente sobre aquilo que consumimos. O problema, pelo menos na minha visão, acontece quando o ceticismo vira padrão e tudo que é veiculado pelos meios sofre pela opinião tendenciosa, até mesmo preconceituosa, onde uma pessoa associa tudo que sai de determinada emissora X como algo nocivo, ligado a interesses escusos, como se os profissionais desta emissora X fossem nada mais que marionetes.

Nesta relação, concentra-se certa ingenuidade ao não reconhecer que a relação entre jornalista e veículo de comunicação é conflituosa, tal como em qualquer empresa. A hostilidade quanto aos profissionais de jornalismo, a meu ver, não é a forma mais inteligente de expressar sua desconfiança, afinal, não é necessariamente por trabalhar numa grande mídia que um profissional se transforma em um boneco ao poder de uma empresa dominante.

Episódios como os que vêm ocorrendo no ambiente político no Brasil esses últimos meses servem para nos mostrar que é preciso repensar o papel da televisão em momentos como o que estamos vivenciando, visto que a ideia da transparência absoluta da transmissão ao vivo já se tornou uma espécie de brincadeira de 1 de abril há um bom tempo. Em uma nação repleta de “intelectuais” politicamente, os grandes veículos de comunicação estão sendo cada vez mais provocados a mudar o seu discurso se quiserem permanecer no debate público.

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Emanuelle Lopes

Emanuelle Lopes

21 anos, estou sempre com fome, apaixonada por música, livros e séries, mesmo não tendo todo o tempo que gostaria para se dedicar a esses dois últimos. Amo escrever. Alguns gostam do que escrevo, apesar de achar tudo que produzo irrelevante para a sociedade. Estudante do 7º período de jornalismo.
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