#PETiscos: BIRDY

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Você certamente já ouviu este cover incrível de “Skinny Love”, da banda folk norte-americana Bon Iver. Se ainda não teve a oportunidade, pare tudo o que estiver fazendo agora mesmo:

O vídeo que você acaba de assistir trata-se do primeiro single, uma versão da música “Skinny Love”, lançada em janeiro de 2011 de Jasmine Van de Bogaerde, mais conhecida como Birdy, uma cantora, pianista e compositora britânica. Filha de uma pianista de concerto, a jovem, atualmente com apenas 20 anos, aprendeu a tocar piano e escrever suas próprias letras desde muito cedo. Tornou-se conhecida por ter vencido, em 2008, a competição de música Open Mic no Reino Unido, com apenas 12 anos. Quem é cinéfilo, já percebe algo em seu sobrenome: a garota é sobrinha-neta do já falecido ator Dirk Bogarde , conhecido por famosos clássicos como “Morte em Veneza” e “O Porteiro da Noite”. Conhecida pela melancolia de suas canções e a imensa capacidade emotiva de seu vocal, Birdy investe em uma cuidadosa seleção de faixas pinçadas no indie pop e alternativo em uma abordagem sensível que alterna delicadeza e exuberância.

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Birdy (2011)

Seu álbum de estréia autointitulado composto fundamentalmente por covers apresenta os singles que a trouxeram ao conhecimento do público na web, como “Skinny Love”, onde apresentou seu piano triste enquanto exibia toda a extensão do seu vocal doce e macio, “Shelter”, da The xx, que além do piano dramático e amargurado quanto o esplêndido vocal da cantora, também traz sutis sintetizações etéreas, e “People Help The People”, de Cherry Ghost, fabulosa versão que com bateria, guitarra, baixo e violoncelo acompanhando o piano mostrou que a menina se sai tão bem dividindo seu brilho com uma banda quanto na solidão do estúdio com seu piano. Em “Comforting Sounds”, fabulosa já na sua primeira versão dos dinamarqueses do Mew, vemos Birdy derramando toda a alma nos vocais da canção tornando a música um dos covers mais belos do disco, emocionante e capaz até mesmo de trazer lágrimas aos olhos. O álbum traz também um aperitivo do que viriam a ser as composições originais da jovem prodígio britânica, com a angustiada balada ao piano “Without a Word”.

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Fire Within (2013)

Depois de um primeiro álbum muito bem criticado, Birdy carregou para o seu segundo álbum de estúdio, o Fire Within, muita expectativa pela curiosidade de saber: será que a menina de Skinny Love era realmente tudo isso mesmo? E a resposta é: sim. “Wings” escolhida como faixa de abertura da sua nova fase, pois, sendo uma das melhores faixas do novo álbum, de cara, também mostra todo o amadurecimento da cantora. “Light Me Up” já começa com uma pegada diferente, prometendo uma produção incomum a cantora. Com um refrão arrebatador, Birdy, mostra sua versatilidade e talento além dos pianos. A depressiva “All You Never Say”  nos conquista por, numa cadência calma, falar numa letra abrangente sobre algo que todos passam, já passaram ou vão passar: não ouvirmos o que queremos que nos digam. “No Angel” é o tipo de faixa que não podia faltar – pelo menos não em um álbum da Birdy – e, inteligente, a cantora tornou-a single. Se você já conhecia a jovem e curtia, por exemplo, “I’ll Never Forget You” (cover do Francis and the Lights) e “Without World” (única faixa autoral do disco  Birdy), vai amar “No Angel”, que se já não bastasse por remeter a fascinante primeira era/fase da cantora vem enriquecida da maturidade que a moça adquiriu e aplicou à sua música.

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Beautiful Lies (2016)

Seu álbum mais recente prometia ser um divisor de carreira e cumpre exatamente isso, ainda que mantenha traços bem característicos de toda a sua discografia. É uma progressão natural aos seus trabalhos anteriores, sendo um disco perfeito aos que já gostavam de sua sonoridade e com um amadurecimento necessário para os que ainda não se viam interessados pela cantora. “Growing Pains”, que abre o disco, faz jus às declarações em que Birdy afirma ter se inspirado em “Memórias de uma Gueixa”. A música é repleta de referências orientais, principalmente em seus vocais:

“Você pode perder a si mesmo e ficar procurando para sempre.”

Logo em seus primeiros segundos, “Deep End” nos faz arrepiar:

“Eu não sei se você significa tudo para mim e não sei se posso te dar tudo o que precisa”, canta Birdie.

Seus vocais estão mais crus, de forma que conseguimos perceber a vulnerabilidade com que interpreta cada um dos seus versos, combinando outra vez piano, cordas e um instrumental contido ao fundo. A combinação tem tudo para fazer dessa a próxima “Skinny Love”.  O piano é quem continua a acompanhando em “Silhouette”, que também aposta numa dualidade trabalhada em seus vocais, ora contrastando com o instrumental para representar algo mais forte, ora partindo do mesmo princípio para se mostrar mais frágil. Sua letra, reforça uma ideia que passeia entre o sofrimento e a superação:

“No agridoce de cada derrota, percebo que estou mais forte do que antes”

É difícil acreditar que a cantora não vivenciou a maioria das questões narradas em suas composições. Birdy oferece uma cor diferente em suas canções, ela canta não como alguém que imprime suas marcas mais profundas, mas como se visse a vida dos outros pela janela, compreendesse tudo, desejasse viver esses amores intensos e se sentir conectada a tudo que acontece. E ela demonstra isso com perfeição.

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Emanuelle Lopes

Emanuelle Lopes

21 anos, estou sempre com fome, apaixonada por música, livros e séries, mesmo não tendo todo o tempo que gostaria para se dedicar a esses dois últimos. Amo escrever. Alguns gostam do que escrevo, apesar de achar tudo que produzo irrelevante para a sociedade. Estudante do 7º período de jornalismo.
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