MOSQUITOLÂNDIA

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[ALERTA DE SPOILER]

Mosquitolândia* é o primeiro livro do americano David Arnold e foi lançado em 2015. Ele conta a trajetória de Mim (Mary Iris Malone), que ao descobrir que sua mãe está com uma grave doença, foge da casa onde mora com o pai e a madrasta para ir atrás dela em outra cidade. A jovem de 16 anos embarca em um ônibus que marca sua vida de três maneiras: 1) o Homem do Poncho 2) Arlene 3) o acidente.

O Homem do Poncho é um daqueles caras esquisitos que sentam perto de você (se você for menina/mulher no caso) e começam a puxar assunto mesmo depois de você já ter dado todos os sinais de que não está interessada na conversa ou em qualquer forma de interação com ele. Capítulos depois, acontece o que já era de se esperar: o Homem do Poncho tenta violentar Mim, mas graças ao deslocamento da epiglote da menina, ele não consegue.

Arlene é uma senhora que acaba se tornando amiga de Mim. Durante a viagem, ela carrega uma caixa de madeira que precisa entregar a seu sobrinho Ahab. Em certa parte da estrada, o ônibus capota. Arlene morre. Mim fica desolada e agora tem duas missões: encontrar a mãe e entregar a caixa a Ahab. “Arlene tinha cheiro de biscoito caseiro.” – Mim

Enquanto procura Ahab, Mim conhece um garoto com síndrome de down, Walt, que vive sozinho em um barraco. E é esse garoto que faz com que a adolescente cumpra a missão Número 2. Ela entrega a caixa? Sim. O conteúdo da caixa é revelado? Não. É, frustrante.
Logo em seguida, outro cara entra na história: Beck Van Buren, mais um companheiro de estrada, que dirige a caminhonete que Mary comprou e por quem a protagonista se apaixona.

Ao decorrer da narração, a personagem leva o leitor ao seu drama de ter um pai que acredita fielmente que ela é louca (louca mesmo). Há vários momentos de flashback em que Mim revela esse ponto de sua vida – o que nos faz odiar seu pai. E não podemos deixar de mencionar também dois objetos importantíssimos para a narrativa: o diário e o batom, os quais ela não abandona por nada.

Mim poderia ser perfeitamente confundida com uma personagem de John Green (principalmente Alasca Young). Aliás, se as pessoas lessem o livro sem saber o nome do autor, muitas confundiriam com as obras do outro escritor americano.

O fim da história é cheio de reviravoltas e momentos muito emocionantes. Mas não vou contar (aaaah).

 

Pontos positivos 

  • Os assuntos abordados, com certeza, como a loucura, o assédio sexual, o abandono, a homossexualidade, a síndrome de down, a depressão, a separação de uma família e seus efeitos.
  • A narração é muito boa. É bem feita e revela os fios soltos do enredo de forma inesperada. Quando você acha que um determinado ponto vai acabar de uma forma, ele acaba levando o leitor a outra direção.
  • Você pode sim julgá-lo pela capa. A arte é muito bem feita e faz uma síntese do que a leitura irá apresentar.
  • Os mosquitos como forma de transição entre a narração e as cartas.
  • O título original é Mosquitoland, ou seja, “Mosquitolândia” não foi uma ideia mirabolante e sem noção dos tradutores brasileiros, mas sim do próprio autor.

Pontos negativos

  • Beck Van Buren. Esse é o tipo de história que não precisa de um galã estilo lenhador-sexy-fotógrafo. Mas tem… E apesar de David Arnold ter tentado fazer com que Mim e Beck fossem aquele casal que todos torcem para que fiquem juntos no fim, não deu – pelo menos não para mim. Mim é complexa demais e Beck é complexo de menos. Seria muito mais legal se ela dirigisse a caminhonete.
  • Sim, referências são muito legais, mas não excessivamente, e eu perdi as contas de quantas vezes o autor citou O Senhor dos Anéis – e outras coisas geeks. Isso acaba tirando certa originalidade que ele poderia desenvolver melhor.

  “Meu nome é Mary Iris Malone, e eu não estou nada bem.” – Mim

*”Mosquitolândia” é como a personagem chama a cidade em que mora, Jackson, Mississippi, por haver muitos mosquitos no local.

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Letícia Misna

Letícia Misna

Não consegue piscar o olho direito sozinho, não usa roupa laranja e não sabe nadar.
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