Os Fantasmas Se Divertem

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Imagine que você está dirigindo e de repente, sofre um acidente. Quando acorda, em seu quarto, vê sua casa repleta de gente estranha, e por mais que você questione o que está havendo ou implore para que eles vão embora… Eles não podem ver ou ouvir você. Afinal, você está morto.

É assim que começa (mais precisamente, os 8 minutos de filme) Os Fantasmas Se Divertem*, de 1988, do diretor Tim Burton. O elenco traz atores como Winona Ryder, Geena Daves, Michael Keaton, Alec Baldwin, Jeffrey Jones e Catherine O’Hara. Sim, é um daqueles filmes do diretor sem o Johnny Depp.

Após morrerem em um acidente de carro, o casal Adam e Barbara Maitland não vai para o céu ou para o inferno, mas fica aprisionado em sua própria casa, que logo é vendida pela irmã de Barbara a uma família excêntrica, os Deetz. Depois de aceitarem a condição de mortos, o casal tenta expulsar a família da casa, assombrando-os, como manda o manual fantasma. Em vão, afinal, a única pessoa que pode vê-los é a filha dos Deetz, Lydia, a gótica depressiva, que acaba se tornando amiga deles. Os dois então procuram a pior ajuda que poderiam encontrar: a do Besouro Suco. Assim como Blood Mary, é só dizer “Besouro Suco” três vezes que ele aparece.

Beetlejuice (que também é o título original do filme) é um bio-exorcista** egocêntrico, vulgar, tarado, nem um pouco higiênico, interpretado por Michael Keaton, que em vez de ser a solução para os problemas dos Maitland, acaba se tornando o anti-herói da história – porém, o maior ponto cômico. O casal o contrata para expulsar os Deetz do lar, e ele usa seus mais diversos truques de assombração, mas em vez de conseguir causar medo (a princípio) em alguém, ele faz com que a família se interesse ainda mais pela vida após a morte. Foi esse gancho que levou a uma das cenas épicas: quando o Besouro Suco possui seus corpos e todos dançam ao som de Banana Boat Song. Ao desenrolar do roteiro, Beetlejuice se revela um verdadeiro (ou quase) vilão e temos então a união dos vivos com os mortos para exorcizar o bio-exorcista.

O longa é uma comédia de humor negro e visual excêntrico, que rendeu um Oscar de Melhor Maquiagem. Custou US$ 14 milhões de dólares e arrecadou mais de US$ 70 milhões. Conta ainda com efeitos visuais baratos e “toscos”, sendo alguns deles feitos com stop-motion. É um dos maiores trabalhos de Tim Burton, fez tanto sucesso em sua época de estreia que acabou virando uma série animada para a televisão americana. Tim revelou há poucos anos que o filme terá uma continuação, só não se sabe quando.

“O filme inteiro é uma visão estilizada, um delírio de surrealismo e expressionismo transformados em emoções populares. Mas, ao contrário da grande consciência de efeitos visuais da maioria dos diretores, Burton é um artista nato. (…) Ele permanece em contato com os sentimentos de seus personagens, embora esses sentimentos sejam aqueles que ele está ridicularizando.” – David Denby

*A Warner queria que Tim Burton mudasse o nome do filme para algo com “fantasmas”. Não conseguiram nos Estados Unidos, mas no Brasil sim. A única coisa que eu não entendo é POR QUE “Os Fantasmas Se Divertem”, se é nítido que eles não estão se divertindo nem um pouco!

**Um exorcista expulsa os mortos, um bio-exorcista expulsa os vivos.

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Letícia Misna

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Não consegue piscar o olho direito sozinho, não usa roupa laranja e não sabe nadar.
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