Um solitário à espreita

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“A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido…”

Milton Hatoum, Um solitário à espreita

As mãos de Milton Hatoum sem dúvida enveredaram por esses lugares desconhecidos. Passaram por caminhos trazendo riquezas ao mundo literário que agora estão perpetuadas em seus escritos.

O Petisco dessa semana apresenta uma coletânea de crônicas reunidas no livro Um solitário à espreita, de Milton Hatoum. Com temas diversos, suas crônicas trazem experiências e lembranças através de uma linguagem que narra e ao mesmo tempo declama. Os relatos do autor são repletos de histórias interessantes com detalhes que tornam a leitura um momento de imersão e em sucintas páginas consegue prender o leitor. Em meio às passagens cômicas, amorosas, trágicas e outras vividas por Milton e seus personagens está um cenário bem apresentado, que aproxima e desperta o imaginário quando se relata uma Manaus da época da província, conservadora e que reflete o estilo de vida europeu.

Hoje, as lembranças dessa Manaus são mantidas por poucos traços que se conservam no museu aberto que é o Centro da cidade, onde estão abrigados prédios históricos deteriorados que sucumbem e com eles parte da identidade da capital. Mas se fisicamente estão desaparecendo em Um solitário à espreita podem permanecer na memória de outras gerações.

A crônica é um gênero que transforma elementos cotidianos que passam despercebidos, dando-lhes um olhar diferenciado. A essência da crônica está nessa capacidade de mostrar nas coisas simples seus aspectos mais profundos. Isso dependerá da percepção de quem escreve. O olhar atento de Milton Hatoum transcreve em Um solitário à espreita sua perspectiva mais detalhada e sensível da realidade. Leitura recomendada!

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Iolanda Ventura

Iolanda Ventura

Sempre ouviu lhe dizerem: "Nossa, você escreve muito! Como consegue fazer tanto texto? Não cansa não? Escolher jornalismo foi a prova que não cansa de escrever. Ela já tinha sido escolhida pelo curso e não sabia. Gostava de muitas coisas diferentes e a indecisão era grande. Quando a ficha finalmente caiu viu para que realmente tinha vocação e que de tudo que gostava Jornalismo tinha um pouco. Até chegar em jornalismo demorou, mas ainda bem que chegou.
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