A Maldição da Flor Dourada

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Extremamente detalhista, A Maldição da Flor Dourada é um daqueles filmes que merecem ser assistidos em uma tela de cinema. Dirigido por Zhang Yimou, o filme chinês coloca uma trama marcada por disputas pelo poder, mas que acima de tudo cativa antes de qualquer coisa o olhar do espectador. A explosão de cores, aliado aos inúmeros planos, mais os bem colocados efeitos de câmera lenta são um convite para que se acompanhe o desenrolar da história até o fim. Não é, contudo, uma produção de qualidade apenas pelos aspectos visuais, apresenta também um bom enredo.

Transportado ao século X, o público se encontra em uma China dominada pela dinastia Tang, cujo imperador no momento é Ping (Chow Yun-Fat). Claramente interessado no poder o imperador tem como principal característica a frieza (raramente aparece fora de si, mas compensa no momento em que se descontrola). O seu relacionamento com a imperatriz Phoenix (Gong Li) não foi mais que uma das estratégias do imperador para obter mais força política e militar, o que pode ser facilmente percebido ao se observar o modo como tratam um ao outro. Uma família envolta por segredos, cujos membros convivem sob o mesmo teto como aliados ou inimigos e não como pais e filhos. E além dessa rivalidade entre o casal, que afeta aos filhos, há outros fatores significativos para que a convivência entre eles se torne ainda mais conflituosa (que é melhor conferir diretamente no filme).

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O crisântemo amarelo é uma das marcas do filme, especialmente da imperatriz (muito comum no seu figurino). Aparece em muitos momentos e confere beleza a várias cenas, frutos de um belo trabalho de fotografia. Não só as flores amarelas, mas os cenários e os próprios figurinos dos personagens são explorados pelo diretor: cores quentes, focos nos detalhes, luz, vestimentas ricas em adereços. Estes e outros elementos ganham uma atenção a mais com os planos mais próximos. As tomadas nos corredores do palácio são sem dúvida algumas das melhores cenas: a luz atravessa a gama de cores das divisões criando um ótimo resultado de imagem. Sem mencionar os planos com destaque no rosto de Phoenix. Não ficam para trás as tomadas de planos mais abertos, são fascinantes.

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Para valorizar ainda mais os detalhes, Yimou usa o recurso da câmera lenta de modo bastante estratégico, não ao acaso, mas para realçar e enfatizar aquela determinada passagem. Como muitos filmes orientais, em A Maldição da Flor Dourada as cenas de luta se fazem presente, dão ação ao roteiro e tem um estilo coreografado.

O dia do Festival Chong Yang é o ponto alto da narrativa, tudo parece convergir para essa única noite, onde amarelo e vermelho cobrem todo o chão do vasto pátio do palácio imperial. A busca pela perfeição resultou neste belíssimo filme, com um roteiro, elenco e efeitos bem construídos.

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Iolanda Ventura

Iolanda Ventura

Sempre ouviu lhe dizerem: "Nossa, você escreve muito! Como consegue fazer tanto texto? Não cansa não? Escolher jornalismo foi a prova que não cansa de escrever. Ela já tinha sido escolhida pelo curso e não sabia. Gostava de muitas coisas diferentes e a indecisão era grande. Quando a ficha finalmente caiu viu para que realmente tinha vocação e que de tudo que gostava Jornalismo tinha um pouco. Até chegar em jornalismo demorou, mas ainda bem que chegou.
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