#PETRebobinar: Os Outros

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Como se faz um filme de suspense? Criando estratégias de expectativa, medo, tensão. Mais do que dar um susto no espectador, é necessário despertar sua ansiedade. Posso dizer que este é o caso de “The Others”, “Os Outros” no Brasil, um filme de suspense hispano-franco-norte-americano-italiano de 2001, de Alejandro Amenábar.

O filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial e conta a história de Grace (Nicole Kidman), uma mulher que aguarda o retorno de seu marido do campo de batalha. Vivendo em uma espaçosa mansão com seus dois filhos, Grace acredita estar mantendo-os em segurança. Mas tudo isso não passa de uma ilusão. Quando novos criados chegam para substituir os antigos que desapareceram misteriosamente, eventos assustadores e sobrenaturais começam a se desenrolar. A filha de Grace diz estar mantendo contato com aparições inexplicáveis. Inicialmente, Grace se mostra relutante em acreditar em tais aparições, mas logo começa também a sentir uma assustadora presença de outras pessoas em sua casa. Quem serão eles? O que querem? Para descobrir as respostas, Grace deve deixar de lado todos seus medos e crenças.

A grande sacada do filme “Os Outros” é sem dúvida, o ponto de vista. O filme coloca o espectador sob a ótica de três personagens e o que eles acreditam é o que nós consequentemente vamos passar a acreditar. O que nos faz torcer e sofrer com os mortos? E o que nos faz temer os vivos como almas do outro mundo? Com certeza, o ponto de vista. Além de recursos conhecidos dos espectadores, símbolos clássicos do suspense que levam quem assiste a pensar estar vendo um filme que aborda o sobrenatural. Isso, pelo menos até metade do filme. Na metade final, Amenábar prepara o espectador com pequenas estranhezas que progressivamente desvendam todo o mistério, através de cenas criadas com muito cuidado para dar sentido à história.

Destaco aqui uma cena que me chamou muita atenção: quando a personagem Grace ouve o piano tocando. É o ponto alto do suspense na trama e o clima de tensão é mantido apesar da música ser clássica e alegre. Nosso intruso está tocando piano e esse som é ouvido. O fato é que o ponto de vista continua em Grace. Ela ouve o piano tocando sozinho, abre a porta da sala e vê o piano aberto e ninguém dentro da sala. No momento em que Grace abre a porta o som para e apenas sua respiração e seus passos são ouvidos. Isso torna a cena ainda mais angustiante, como se o espectador estivesse lá, procurando o intruso.

Grace fecha e tranca o piano, dirige-se à porta e começa a observar se ela fecha sozinha. A música de suspense começa baixa e vai subindo até o momento em que Grace é jogada da sala pela força da porta que se fecha. Assustada, com a música nas alturas, ela consegue destrancar a porta e ao olhar para o piano ele está novamente aberto. Aí ela se dá conta que não é imaginação de sua filha, há algo de sobrenatural naquela casa. E a música ajuda a compor o perfil que vai acompanhar o espectador ao longo do filme.

Um filme muito bem feito e que merece destaque, pois coloca o – outro lado – , a outra versão, induzindo o espectador através do olhar da câmera a conhecer uma história diferente do que ele pensava ser, mas gerando os mesmos efeitos de medo e expectativa que qualquer filme de suspense bem sucedido.

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Emanuelle Lopes

Emanuelle Lopes

21 anos, estou sempre com fome, apaixonada por música, livros e séries, mesmo não tendo todo o tempo que gostaria para se dedicar a esses dois últimos. Amo escrever. Alguns gostam do que escrevo, apesar de achar tudo que produzo irrelevante para a sociedade. Estudante do 7º período de jornalismo.
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