#PETRepórter: A realidade da Saúde pública no interior do Amazonas

Posted on Posted in Jornalismo, notícias, saúde

Falta de médicos especialistas, carência de medicamentos básicos, equipamentos quebrados e descaso das autoridades. 

Por Gabriel Henrique, Karem Canto, Leonardo Carvalho, Raryane Ramos e Tainá Amoêdo, especial para o Lab F5. Trabalho desenvolvido nas disciplinas de Webjornalismo e Oficina Básica de Jornal Impresso e Webjornal, dos professores Luis Mansueto e Mirna Feitosa, respectivamente.

Nova Olinda do Norte. Uma filha se dirige à Unidade básica de Saúde (UBS) Raimundo Melo para tentar, mais uma vez, conseguir os medicamentos para os pais doentes. Dona Roseane, 39 anos, me comove ao relatar que os seus pais, ambos idosos, sofrem de diabetes e hipertensão não controlados. “Eles estão há mais de uma semana sem tomar os remédios. Minha preocupação maior é com o meu pai, que tá com uma ferida infeccionada na perna. Ele tem diabetes. A minha mãe sofre de pressão alta, e ultimamente, vendo a situação do papai, ela anda muito nervosa. O médico disse que ela não pode se exaltar assim, que só piora o quadro dela. Eu tô tentando, moça, por isso vim aqui de novo para ver se os medicamentos já chegaram, mas nada até agora. O meu pai tenta se fazer de forte, diz que tá tudo bem, fala pra gente tentar conseguir o remédio da pressão da mamãe. Eu queria ter condições pra cuidar dos dois, dar um pouco mais de conforto e qualidade de vida pra eles, mas eu não consigo, moça, não tenho dinheiro” — Em um dos momentos ela chega a se questionar qual dos dois tratar, no momento ela mal consegue arcar com o tratamento de um. O momento mais triste, sem dúvida alguma, é quando eu percebo que paira sobre ela a difícil decisão ao ter que escolher qual dos dois ela “prefere” deixar vivo. A pessoa “escolhida” foi a mãe, enquanto o pai morre, aos poucos, deitado na cama.


Nova Olinda do Norte, Hospital Dr. Galo Ibanez — O único hospital da cidade possui 30 leitos, e, em sua maioria, vazios, não porque a população não busca atendimento, mas porque faltam medicações para manter o paciente internado e médicos especialistas para o atendimento específico. “Não há médicos especialistas na cidade, e no hospital há apenas um médico plantonista para atender urgência e emergência, realizar partos e atender os pacientes que estão na enfermaria. É humanamente impossível atender toda a demanda. E as pessoas não entendem isso, acham que a culpa pela demora ou a falta de atendimento é sempre do profissional de saúde, e não é bem assim. Não há médico suficiente.” — enfermeira que não quis se identificar ao relatar como funciona o hospital da cidade.


Comunidade de Jauari, zona rural de Nova Olinda. Mutirão da saúde realizado pela equipe da UBS Rad Mohamad Raad. A comunidade de Jauari é pequena, casas simples de madeira, crianças gentis e educadas que, apesar de não terem muito, oferecem o que têm como sinal de boa hospitalidade. Lá, assim como em Nova Olinda, não há água tratada. O rio que abastece a comunidade é contaminado por dejetos humanos. O índice de parasitose e verminose são altos. “Mas moça, se eu não beber a água daqui, vou beber de onde? Vou morrer de sede?” — senhora questionando a recomendação da acadêmica de medicina para não beber aquela água.

“No interior é assim, fazemos saúde com o que é possível, você só não pode se acomodar e aceitar esta situação e não tentar melhorar a condição para a comunidade, mas também há um limite, senão você terá uma enorme frustração e enlouquecerá, pois tudo aqui é mais difícil, até a adesão do tratamento”

Andrielly Oliveira, 32, cirurgiã dentista da Unidade Básica de Saúde, UBS.

Nova Olinda do Norte

Nova Olinda do Norte é um dos 62 municípios do estado do Amazonas, à 5h de Manaus, e, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem mais de 35 mil habitantes. A cidade foi uma das selecionadas para receber o projeto Vivência e Estágio na Realidade do Sistema Único de Saúde, VER-SUS 2016.2, estratégia do poder público para atrair estudantes da área da saúde para trabalharem no interior.

A cidade, ao todo, possui apenas um hospital e 12 Unidade Básicas de Saúde, sendo 5 localizadas na sede e as outras 7 nas áreas ribeirinhas. As equipes das UBS são formadas por médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde (ACS), odontólogos e técnicos de enfermagem. No entanto não há médicos especialistas na cidade. No hospital, por exemplo, há apenas 1 médico plantonista para atender urgência e emergência, realizar partos e atender os pacientes que estão na enfermaria; e nas UBS não há um único pediatra. A maioria dos médicos das UBS são do “Mais Médicos”, entre cubanos e peruanos, e isso gera alguns desconfortos entre a população, que afirma não entender o que os médicos dizem. Tentamos entrar em contato com os profissionais do programa “Mais Médicos”, mas eles se recusaram a falar com a imprensa.

A falta de infraestrutura, medicamentos e a sobrecarga depositada neles são as principais reclamações. Carla Priscila Valim, 26, cirurgiã dentista, afirma que trabalhou por 6 meses em Nova Olinda do Norte, e que fazia parte da equipe de saúde ribeirinha, contratada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) em parceria com a prefeitura.

“Trabalhava no posto da Vila Flor, uma das comunidades mais distante de nova Olinda, no Rio Curupira, passava 15 dias lá, junto com a enfermeira e com minha auxiliar. Era bem difícil, pois lá não tem energia elétrica, somente um gerador a gasolina que era ligado à noite das 19h ás 00h. Depois não tínhamos mais luz”.

Priscila garante que quando aconteciam os mutirões de saúde, a equipe ia de barco para as comunidades mais afastadas. “Eram 10 dias, cada dia em uma comunidade, o atendimento acontecia das 7h às 18h, com extração, aplicação de flúor, palestras e orientações em escolas e na comunidade. Atendíamos muitas pessoas, até porque vinham pessoas de outras comunidades próximas. A quantidade de pessoas variava muito de comunidade pra comunidade, mas atendíamos entre 50–150 pessoas por dia. E no meu caso, a falta de estrutura era minha maior dificuldade. Eu atendia em pé e os pacientes ficavam sentados em uma cadeira de escola, era bem cansativo.”

Mutirão realizado em 2016 na comunidade de Jauari, zona rural da cidade. (Foto: Karem Canto)

Os mutirões de saúde são realizados duas vezes ao ano nas comunidades rurais da cidade, sempre com alternância das cinco UBS. A equipe é formada por 01 médico clínico geral (que acaba exercendo também a função do pediatra, uma vez que na cidade não há), 01 cirurgião dentista, 02 ou mais enfermeiras, 01 vacinadora e alguns agentes comunitários. As pessoas têm acesso ao atendimento odontológico, vacinação, triagem, consultas com o clínico geral e a realização do exame preventivo, para as mulheres.

A estrutura dos mutirões é feita de maneira improvisada, em sua maioria em escolas ou igrejas de madeiras disponíveis pelos chefes comunitários. A divisão do atendimento é feita por áreas, uma sala é destinada para o atendimento odontológico, outra para o clínico geral e uma última para a realização do preventivo. Tudo muito precário, improvisado. Sendo mulher, particularmente para mim, foi complicado presenciar o local destinado para o atendimento delas. As profissionais da saúde se esforçam para levar saúde básica às mulheres, porém as condições do ambiente não são apropriadas.

Presidente Figueiredo

Se contrapondo com a realidade de Nova Olinda do Norte, Presidente Figueiredo apresenta uma realidade positivamente diferente nos serviços prestados através do SUS.

Presidente Figueiredo é um município que está localizado no interior do Estado do Amazonas, à 2h da capital, Manaus. Foi também uma das cidades que recebeu os viventes do projeto VER-SUS.

A cidade tem pouco mais de 28 mil habitantes, contando com 22 estabelecimentos de saúde, entre hospitais, pronto-socorros, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serviços odontológicos. Destes, 20 são públicos e apenas 2 fazem parte do sistema privado. Entre os estabelecimentos de saúde, todos estes são pertencentes à rede municipal.

A cidade possui um Núcleo de Apoio à saúde da Família ( NASF). O NASF é uma equipe composta por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, que devem atuar de maneira integrada e apoiando os profissionais das Equipes de Saúde da Família (ESF) e das Equipes de Atenção Básica (EAB) para populações específicas, compartilhando as práticas e saberes em saúde nos territórios sob responsabilidade destas equipes.

No NASF de Presidente Figueiredo pode-se encontrar: 17 médicos generalistas, 1(um) psicólogo, 1(um) cardiologista, 1(um) cirurgião geral, 1(um) anestesista, 3(três) cirurgiões obstetras, 1(um) fisioterapeuta, 1(um) nutricionista, 11 dentistas, 1(um) pediatra e 21 enfermeiros.

A Coordenadora de Atenção Primária à Saúde, Samantha Moreira, comentou com a nossa equipe que o contingente de profissionais está sendo capaz de suprir as necessidades da população até o momento. “Há metas a serem conquistadas, mas esse é um processo moroso”, diz ela.

O município de Presidente Figueiredo também tem um Núcleo de Controle de Endemias (NCE) e de acordo com o agente Tarcísio da Silva, campanhas de prevenção e promoção à saúde são feitas com frequência no local e com isso a cidade tem obtido bons resultados perante a crises de doenças, tais como: Zika Vírus, Dengue e a Chikungunya. Ele também informou que diariamente os 75 agentes de endemias fazem visitas domiciliares com o objetivo de combater e também educar a população sobre os cuidados necessários para a prevenção doenças.

Entre as visitas feitas nas UBS da cidade, em um dos locais conversamos com Alisson de Souza, que é um médico também formado em Psicologia nascido e criado em Manaus e atualmente atende na unidade básica Galo da Serra, que é um dos maiores bairros da cidade, portando, possui uma maior demanda de usuários. Ele nos conta que a escolha de ir trabalhar no interior foi espontânea e hoje permanece no local principalmente pela qualidade de vida que o ambiente de trabalho e a cidade em si proporciona. Por ter um número de mais de 4 mil atendimentos na UBS Galo da Serra, ele diz que o desgaste é grande mas não pensa em mudar de cidade ou de profissão, como alguns colegas do próprio Alisson que atendem na cidade metropolitana de Manaus já pensaram em fazer.

“Médicos que trabalham e permanecem no interior é unicamente por amor à medicina”

Durante a vivência na cidade de Presidente Figueiredo, a equipe tentou ao máximo visitar a maior parte dos locais de saúde. E com todas as visitas nos hospitais, núcleos de apoio e unidades básicas, um dos fatos que pudemos perceber, é que existem sim profissionais comprometidos com a saúde básica. O médico Alisson confirma essa percepção: “com os recursos que nós temos e apesar de algumas limitações que encontramos no dia-a-dia, tentamos fazer com que o SUS funcione”. Ele também enfatiza sobre o comprometimento que existe nas equipes de profissionais: “a gente faz o que pode com o que tem. Temos uma equipe que se dedica e de forma alguma deixamos um paciente ir para casa sem atendimento — e ainda completa — Sabemos que nem tudo são flores, ainda assim existem uma minoria que trata as pessoas com certo descaso, mas isso acontece independente do local, posso citar o exemplo da própria capital Manaus, onde as pessoas em sua maioria das vezes é tratada como “ficha” ou “prontuário”, não como o paciente que tem direito à atenção básica”, finaliza ele.

Central de Medicamentos

Normalmente, os medicamentos da rede pública são distribuídos em farmácias alocadas nas UBS, já em Presidente Figueiredo esse processo ocorre de uma forma diferente.

Com o intuito de controlar a distribuição de remédios e diminuir custos, foi implantado uma Central de Medicamentos, localizada no centro da cidade, que seria supostamente para ser acessível à maioria das pessoas. Uma farmacêutica atende das 8h da manhã até 13h, daí em diante quem permanece no atendimento até as 22h é o senhor Wanderlan Motta, 33, que nos informou que são feitos aproximadamente 200 atendimentos diariamente. Lá é o único local que faz essa distribuição de medicamentos da cidade, que por um lado trouxe melhorias, como o controle, pois nas farmácias nas UBS acontecia muitos extravios. E o lado ruim é que fica difícil a locomoção até o local, pois alguns bairros ficam distantes do centro e como a cidade não possui um sistema de transporte público. A moradora Marília Almeida nos conta exatamente isso “fica complicado a locomoção para quem não tem veículo próprio ou dinheiro para pagar um mototáxi”, diz ela.

Ao ser questionada sobre a situação, a Coordenadora Samantha Moreira informa que está sendo estudada a implantação de filiais dessa central em outros pontos da cidade, para que facilite o acesso.

Forma de atuação da Unidade Móvel Rural

Estivemos presente em uma das ações na comunidade Cristo Rei que fica no Km28 de Presidente Figueiredo. Lá as pessoas tiveram atendimentos para pediatria, dentista, clínico geral e enfermaria, também tiveram acesso à informações e cadastramento do Bolsa Família, cortes de cabelo, exibição de filmes para as crianças e uma ampla programação para a família envolvendo saúde bucal, cuidados com a água e distribuição de remédios básicos. Fomos informados que esse tipo de ação acontece com certa frequência nessas comunidades.

Cecília Santos, 27, é uma das moradoras e informou que sempre tenta se deslocar para os locais de atendimento, e que, apesar de às vezes ser um pouco desorganizado, ela consegue o atendimento desejado.

As equipes móveis atuam de forma itinerante, realizando semanalmente ações comunitárias nas comunidades rurais. Ambas as equipes fazem parte da estrutura da Equipe Saúde da Família, atendendo aproximadamente quase que 90% da população da área rural. Composta por: 01 (um ) médico, 01 (um) odontólogo, 01 (um) enfermeiro, 01 (um) Aux. de Enfermagem, 01 (um) agente comunitário domiciliar (ACD), 01 (um) Aux. de Serviços gerais, 01 (uma) cozinheira, 01 (um) Motorista, para atender as comunidades de difícil acesso, tendo como base fixa as UBS Cristo Rei e Nova Jerusalém.


As várias faces da saúde pública amazonense

Há tempos, o sistema de saúde amazonense enfrenta uma crise que se agrava a cada dia. Sem o financiamento necessário, correta distribuição de funcionários e com um modelo gerencial travado, o setor encontra-se mergulhado em problemas que impactam diretamente a qualidade do serviço oferecido. Casos como o de Dona Roseane em Nova Olinda do Norte, infelizmente, não são casos isolados, são frutos de uma administração que busca solucionar problemas de ordem complexa com atitudes genéricas.

Segundo o governo, que no último dia 31 de agosto decretou estado de emergência no setor, o atual quadro político e econômico pelo qual o Brasil está passando é preponderante para a situação da saúde pública no Amazonas, porém, medidas pontuais ocorrerão.

O decreto considera que o agravamento da crise na saúde exige novas formas de financiamento e gestão, visto que os planejamentos feitos pelo governo “resultaram infrutíferas” e que pela complexidade espacial e administrativa do estado amazonense, não é viável que o mesmo seja o penúltimo no Brasil a ser remunerado no teto do Sistema Único de Saúde(SUS).


Você conhece o SUS?

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o conjunto de todas as ações e serviços de saúde prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público, ou seja, não se limita apenas a Hospitais e Unidades Básicas é todo um conjunto que compõe o sistema.

Além da democratização da saúde (antes acessível apenas para alguns grupos da sociedade), a implementação do SUS também representou uma mudança do conceito sobre o qual a saúde era interpretada no país. Até então, a saúde representava apenas um quadro de “não-doença”, fazendo com que os esforços e políticas implementadas se reduzissem ao tratamento de ocorrências de enfermidades. Com o SUS, a saúde passou a ser promovida e a prevenção dos agravos a fazer parte do planejamento das políticas públicas.

Juntamente com o conceito ampliado de saúde, o SUS traz consigo dois outros conceitos importantes: o de sistema e a idéia de unicidade. A idéia de sistema significa um conjunto de várias instituições, dos três níveis de governo e do setor privado contratado e conveniado, que interagem para um fim comum. Já na lógica de sistema público, os serviços contratados e conveniados seguem os mesmos princípios e as mesmas normas do serviço público. Todos os elementos que integram o sistema referem-se ao mesmo tempo às atividades de promoção, proteção e recuperação da saúde.

O que é o VER-SUS?

O projeto VER-SUS/Brasil pretende estimular a formação de trabalhadores para o SUS, comprometidos eticamente com os princípios e diretrizes do sistema e que se entendam como atores sociais, agentes políticos, capazes de promover transformações.

A Vivência em Estágio na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS) é um estágio proporcionado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Rede Unida, e é de grande importância a participação de todos os estudantes, independente da área de conhecimento. Os estágios e vivências constituem importantes dispositivos que permitem aos estudantes experimentarem um novo espaço de aprendizagem, que é o cotidiano de trabalho das organizações e serviços de saúde, entendido enquanto princípio educativo e espaço para desenvolver processos de luta dos setores no campo da saúde, possibilitando a formação de profissionais comprometidos ético e politicamente com as necessidades de saúde da população.

Neste ano de 2016, as alunas Karem Canto e Tainá Amoêdo do curso de Jornalismo da UFAM, foram selecionadas para a edicão inverno do VERSUS. E cada uma delas foram destinadas a diferentes cidades, foram estas: Nova Olinda do Norte e Presidente Figueredo, ambas localizadas no interior do Estado do Amazonas.

No estágio é obrigatória a convivência por até 7 dias com outros estudantes de diferentes áreas de formação, e isso proporciona uma ampla gama de conhecimento sobre o SUS e sobre a atuação dos profissionais que compõem o sistema, ampliando a visão para a posterior atuação como uma equipe multiprofissional.

(Visited 32 times, 1 visits today)
The following two tabs change content below.
Karem Canto

Karem Canto

Ela se irrita fácil, sempre tão orgulhosa e exigente. Ela gosta de se sentir livre. Meio esquisita, sabe? Do tipo que vai além de falar sozinha, e para ela isso é tão normal. Mas sabe aqueles momentos de puro bom humor, sorrisos bobos, palavras sinceras e eterna ouvinte? Acredite, todos eles compensam...
Karem Canto

Posts Mais Recentes por Karem Canto (Ver Todos)

Comentários

pessoas comentaram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *