Afinal o que é jornalismo hoje?

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Quem nunca ouviu aquela famosa frase, seja estudante do curso de jornalismo ou atuante na profissão, que nos dias atuais o jornalismo é praticado por qualquer pessoa? Dentro do contexto proporcionado por essa afirmação cabe aqui citar uma diferença importante: uma coisa é transmitir a informação, outra é produzir a informação. O jornalista profissional, qualificado em curso superior de jornalismo produz informação. É o profissional que pesquisa dados, compara estatísticas, checa informações, analisa repercussões, avalia fatos, capta acontecimentos e edita tudo isso para que o leitor – o consumidor de notícias –  tenha informações mais claras e objetivas ao seu dispor. Isso é fazer jornalismo e não simplesmente pegar uma informação e retransmiti-la. Este processo, de transmissão, é o que a grande maioria de nós pratica diariamente nas redes sociais.

Dessa forma, qual o perfil do jornalismo atualmente? A atividade jornalística hoje está permeada por dezenas, talvez centenas de características, propriedades que confundem o entendimento de muitos profissionais consagrados, e muito mais daqueles que apenas estão começando a exercer a profissão. O desenvolvimento tecnológico atual permeia, querendo ou não, a produção jornalística. É impossível deixar de lado todos os recursos que enriquecem o texto jornalístico atual. O processo de produção industrial do jornalismo obriga os profissionais a dominarem esse contexto tecnológico, sob pena de serem excluídos deste universo permeado por tantas propriedades, com inúmeras possibilidades, incorporando recursos como áudio, vídeo, hipertexto, memória, instantaneidade, atualidade, interatividade e personalização fazendo do jornalismo algo novo, diferente.

Sendo assim, estará o profissional do jornalismo habilitado a desenvolver a sua atividade? No processo de formação profissional do jornalismo após a graduação nas universidades, muitas vezes editores, diretores de empresas de mídia reclamam, que muitos jornalistas recém formados não dominam a língua portuguesa. No caso do Brasil, isso vem de um problema que começa na precária educação básica, continua no ensino médio e o ensino superior, muitas vezes, se sente impotente para resolver o problema. Entretanto a formação superior em jornalismo não é qualquer curso, se trata de uma formação em que o uso correto das normas da língua portuguesa são condição fundamental de trabalho.

Outro ponto de tensão no jornalismo é a fronteira entre a produção da notícia como bem social e a difusão de informações de caráter privado. É tarefa do jornalismo colher a informação no meio social, tratar esta informação, ou seja, produzir e devolver à sociedade para que esta conheça os fatos que decorrem dos elementos políticos, econômicos e históricos. De outro lado, há uma produção de informação de caráter privado, embora seja de interesse social, mas o interesse primeiro tem origem privada. A difusão privada de informação também é jornalismo? Das milhares de estruturas de difusão privada de informação, quantas relatam fatos, difundem informações contrárias ou não exatamente de acordo com os interesses de suas corporações e, principalmente, da sociedade? Fica este questionamento para o quadro em que se encontra o fazer jornalístico nos tempos de tecnologia e de retransmissão da informação.

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Emanuelle Lopes

Emanuelle Lopes

21 anos, estou sempre com fome, apaixonada por música, livros e séries, mesmo não tendo todo o tempo que gostaria para se dedicar a esses dois últimos. Amo escrever. Alguns gostam do que escrevo, apesar de achar tudo que produzo irrelevante para a sociedade. Estudante do 7º período de jornalismo.
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