Brinquedo, bolero e baião: Adriana Partimpim

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A cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto, famosa por composições melancólicas, lançava, em 2004, o álbum “Adriana Partimpim”. Voltado, principalmente ao público infantil com canções nem sempre originalmente infantis, o disco foi um sucesso de vendas e crítica, resultando em um DVD emblemático e os subsequentes “Partimpim Dois” e “Partimpim Tlês”. Essa matéria trará as origens de algumas músicas do álbum.

“Sempre esteve bem claro pra mim que o disco não abrigava qualquer desejo de “resgatar” minha infância de uma maneira “proustiana”. Mas, quem sabe, eu conseguisse, em um refrão, em meio compasso, por uma semifusa, por um femtossegundo… Como uma madeleine que soasse ao invés de cheirar, proporcionar a algum ouvinte de qualquer idade, o tipo de prazer que experimentei ao ouvir música com os adultos, e não só com as outras criancinhas.”

– Adriana Partimpim, em entrevista a Adriana Calcanhotto

 

Baseado em um apelido de infância, Adriana Partimpim é o alter ego de Adriana Calcanhotto, voz de canções como a melancólica “Devolva-me”. Com o lançamento de “Adriana Partimpim”, a artista passa a mostrar diversas camadas ainda inexploradas de seu repertório, que é tomado por delicadeza e alegria que tornam essa uma obra leve, despretensiosa e pouco óbvia.

A seguir, alguns destaques do disco e de seu show, que já é uma obra-prima por agrupar diversas influências da música popular brasileira, apresentando-as às crianças e reaproximando-as dos adultos. 

A entrada e “Saiba”

“Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também

Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem”

– “Saiba”, de Arnaldo Antunes

A entrada de Adriana, suspensa no ar, é linda e responsável por criar uma atmosfera quase etérea a primeira música do show, “Saiba”, uma forte música de Arnaldo Antunes.

 Brinquedos nas melodias e cenografia, “O Mocho e a Gatinha”

Além de contar com canções de Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Paula Toller, Abdullah e poemas de Ferreira Gullar, há ainda o uso de brinquedos e elementos cotidianos nas melodias em conjunto com os instrumentos tradicionais, semelhante ao que a banda mineira Pato Fu faria em 2010, com o álbum “Música de Brinquedo”. Um bônus: entre os músicos está Guilherme Kastrup, produtor do disco “A Mulher do Fim do Mundo” (2015), de Elza Soares, vencedor do Prêmio de Música Brasileira de 2016.

A cenografia do show também é um ponto interessante: com elementos de origami gigantes e brinquedos espalhados pelo tablado, dividindo o espaço com os instrumentos e os musicistas, que tocam, em vários momentos sentados no chão. O figurino de Adriana também é trocado diversas vezes, destacando-se o chapéu de origami em “O Mocho e a Gatinha”, tradução do poema “The Owl and the Pussy-Cat” de Edward Lear (que conta com um solo de… bacia d’água!), e o blazer multicolorido usado em “Saiba”.

A música popular brasileira: de Baden Powell a Claudinho & Buchecha

“Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem”

– “Ciranda da Bailarina”, de Edu Lobo e Chico Buarque

A canção “O Poeta Aprendiz”, de Vinícius de Moraes, com inspiração autobiográfica, é acompanhada por uma série de ilustrações ao fundo do palco.

“Ciranda da Bailarina”, composta por Edu Lobo e Chico Buarque. A música fala como todo mundo tem defeitos, alguns mais aparentes que outros, e que a única que permanece perfeita é a bailarina do porta-joias. Originalmente, a música era parte do musical “O Grande Circo Místico”, de Chico.

Há três músicas sobre gatos, todas retiradas do livro “Um gato chamado gatinho”, do poeta brasileiro Ferreira Gullar: “Ron-ron do gatinho”, “Dono do Pedaço” e “Gato Pensa?”, todas feitas para o gato do autor.

Para finalizar, a música “Oito Anos”, de Paula Toller, que também encerra o show, composta para o filho de Paula, Gabriel, fala sobre as incessantes perguntas que aparecem com o crescimento da criança. “Fico Assim sem Você”, originalmente interpretada por Claudinho e Buchecha, é uma baladinha romântica que ganha um tom moderno em sua versão Partimpim.

 

Fonte: site Adriana Partimpim Um (https://goo.gl/cif8Tm)

 

 

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Cecília Costa

Cecília Costa

Quando criança, dizia que sua profissão seria “Leonardo da Vinci” porque ele fazia de tudo um pouco. Já quis ser astronauta, cientista, bailarina e antropóloga e, hoje, é estudante do curso de Jornalismo da UFAM. Ama contar histórias e, assim, nunca conseguiu ficar com caneta e papel nas mãos sem escrever, rabiscar e transbordar.
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