Cerimônias das Olímpiadas Rio 2016

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Em Agosto e Setembro de 2016, o Rio de Janeiro foi o palco da maior competição esportiva do mundo, os jogos olímpicos. Muito se duvidava da capacidade de organização do Brasil na realização dos jogos, mesmo com uma série de controvérsias e polêmicas, os jogos acontecerem de forma bem sucedida. Uma das fundamentais partes dos jogos olímpicos são suas cerimônias de abertura e encerramento que mostram para o mundo inteiro a cultura e criatividade artística de cada país que realiza os jogos. Nesse post eu irei fazer uma análise geral de cada momento artístico realizado em todas as cerimônias das olímpiadas do Rio.

Cerimônia de Abertura das Olimpíadas

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Introdução/Contagem

A cerimônia inicia com um vídeo de introdução mostrando de cima pra baixo, se utilizando de drones, os cariocas praticando esportes em vários lugares da cidade tocando “Aquele Abraço” do Gilberto Gil, mas interpretada por Luiz Melodia. Normalmente, toda abertura tem um vídeo de introdução mostrando as belezas da cidade-sede dos jogos, mas nunca um vídeo foi tão criativo assim na maneira de mostrar isso sem parecer uma espécie de documentário ou vídeo de publicidade para turismo. O conceito do vídeo ficou bem mais sofisticado do que em outras aberturas apresentadas. A contagem regressiva para o início da abertura é feita com um grupo de voluntários coreografados com grandes travesseiros com dois lados, um prateado e outro azulado com uma versão moderna de “Samba de Verão” de Marcos Valle. O tecido desses travesseiros infla sobre pressão, então elas fazem vários tipos de formas quando os artistas batem nele. As formas desse segmento são realizadas homenageando o artista brasileiro e carioca Athos Bulcão que realizou grandes obras como artista visual em várias edificações famosas no Brasil. O palco da abertura teve seu formato elaborado em homenagem nas formas dos traços do artista que se tornou um dos arquitetos-paisagistas mais conhecidos do país, Burle Marx. Essa contagem foi impactante, mas não chega a ser poderosa como a de Pequim feita com militares realizando uma coreografia sincronizada em uníssono com bastões de LED.

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Pindorama/Nascer da Vida

 A cerimônia depois da apresentação do hino nacional feita pelo Paulinho da Viola se inicia com projeções no palco da abertura mostrando o mar e logo após a formação de seres microscópicos com inicio da vida em Pindorama, a terra das Palmeiras com uma música instrumental tradicional do Nordeste chamada “Toada e Desafio” de Capiba numa versão orquestrada. A tecnologia realizada para as projeções se chama vídeo-mapping que cria formações em 3D em superfícies 2D e interagem com a iluminação do palco. Essa tecnologia existe tem dez anos, mas a abertura do Rio foi a primeira a fazer uso dessa tecnologia e fazer uso de forma maciça de projeções. Várias marionetes de animais primitivos surgem no palco, eles são movimentados por pessoas no seu interior. O vídeo se transforma em uma floresta com cordas de elastano que se levantam como se fossem cipós da floresta. Creca de 66 dançarinos de Parintins coreografados por Erick Beltrão e Deborah Colker que realizam uma performance com as cordas criando formas do artesanato indígena e ocas gigantes no meio do palco. A sequência é simplesmente impecável e genial, mostra o poder criativo do povo do Norte do país e ao mesmo tempo impressiona pela grandeza das formações gigantes no palco. Logo em seguida, surge os portugueses nas caravelas que entram em contato com os indígenas. A performance se encerra com os indígenas soltando as cordas de elástico e as caravelas saindo do palco. A partir disso, entram os negros africanos que foram escravizados no Brasil colonial e no piso começa a se criar formas geométricas. Logo em seguida aparecem os árabes e os asiáticos. No palco, se forma uma enorme geometrização que simboliza a complexidade da miscigenação brasileira culturalmente e biologicamente. Apesar de bastante maçante a performance em si, o que sustenta mesmo ela é a trilha sonora que consegue dar ritmo e emoção, a música é um tema composto oficialmente pra cerimônia de abertura feita pelos músicos Beto Villares e Antônio Alves Pinto, e as etnomusicólogas Renata Rosa e Marlui Miranda.

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Metrópolis

 Após a geometrização formada no palco, uma parte cinza dela se destaca visualmente e começa a erguer prédios em projeções 3D enquanto praticantes de parkour pulam em cima delas fazendo parecer que são prédios de verdade no palco. Eles vão andando ao mesmo tempo em que rola uma versão moderna de “Construção” do Chico Buarque de fundo. Ao fim da passagem dos praticantes de parkour, aparece uma cidade de caixas no palco cheia de praticantes de parkour em cima delas pulando entre elas, uma breve performance é realizada em pequenas peças de escalada. Em seguida, várias caixas de tecido branco são jogadas pelos praticantes de parkour numa espécie de cascata sobre a cidade de caixas, elas são postas no chão do palco e formam uma parede que depois é desmontada, virando uma espécie de sinalizador com lanternas dentro delas para o voo do 14 Bis do aviador e inventor Santos Dumont. Ele simplesmente é erguido no palco dando a sensação de estar decolando com uma projeção de uma pista de decolagem no palco se afastando a cada momento que ele está mais alto. Um dos grandes momentos da abertura e apesar de algumas falhas de coreografia não tirou o brilho da performance. O avião sobrevoa vários cartões postais do Rio de Janeiro por meio de computação gráfica num vídeo criado pra abertura. Essa sequência começa com “Samba do Avião” do Tom Jobin tocando e depois se transforma em “Garota de Ipanema” que foi composta pelo Tom, mas aqui é interpretada por Daniel Jobim, seu neto na cidade de caixas com seu piano. No palco surge Gisele Bündchen desfilando enquanto surgem linhas dos desenhos de Niemeyer que de acordo com ele são inspiradas nas curvas da mulher brasileira e a própria Gisele é o sinônimo mundial da beleza feminina brasileira. Uma das partes que mais emocionaram o mundo pelo fato de que Garota de Ipanema é apenas a segunda música mais conhecida no mundo e Gisele, a modelo mais conhecida do mundo.

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Vozes da Favela

Esse segmento começa com a cantora Ludmila cantando “Rap da Felicidade”, uma música de funk tradicional das comunidades pobres do Rio com dançarinos negros em cima da cidade de caixas, a música muda para o instrumental de hip-hop e dubstep onde os dançarinos fazem uma performance solo. Logo em seguida entra Elza Soares cantando uma versão remixada de “Canto de Ossanha”  composta por Vinicius de Moraes e Baden Powell, ao mesmo tempo os dançarinos na casa das caixas se revezam entre performances de hip-hop e de vogueing mostrando a diversidade do povo da favela. Um instrumental de funk entra e os dançarinos começam a fazer outro solo quando várias pessoas sentadas em carrinhos de mão começam a descer rampas que estão na cidade de caixas. Zeca Pagodinho e Marcelo D2 entram pra performar uma batalha musical do tradicional com o novo da música na favela (pagode e o hip-hop) com a música “Deixa a Vida Me Levar” composta pelo próprio Zeca. Essa primeira parte do segmento tem várias projeções geométricas coloridas no palco que seguem o ritmo da música e cria uma extensão a cidade das caixas. Essa primeira sequência ficou uma bagunça de situações, mas ao mesmo tempo entretém por que é divertida. Karol Conká e MC Sophia entram pra interpretar uma música composta exclusivamente pra abertura chamada “Toquem os Tambores” ao mesmo tempo em que um homem negro dança capoeira no palco com projeções de outros dançarinos dançando capoeira. A ideia aqui é valorizar a cultura negra do Brasil e ao mesmo tempo empoderar as mulheres. Um dos momentos mais icônicos da abertura e de grande valor cultural, além de impactar pela letra da música puramente política e extremamente ousada. Encerrando esse segmento o palco se transforma numa briga de maracatu contra bumba-meu-boi. Iniciando com a guerra de espadas que na verdade são cordas de fogos de artifícios que são tradicionais das festas de São João no nordeste do Brasil. Depois, a competição real entre o maracatu e o bumba-meu-boi que define a estética das projeções com um instrumental de maracatu tocando de fundo. Depois entra todos os voluntários no palco que se transforma numa gigante festa de aparelhagem iguais as que existem em Belém do Pará no norte do Brasil com uma performance de “Velocidade do Eletro” da banda de tecnobrega Gang do Electro. Regina Casé interrompe a apresentação para dar uma mensagem que ficou implícita em toda a abertura, só que nas palavras da atriz e apresentadora ganham força e objetividade, “buscar as nossas semelhanças e principalmente, celebrar as nossas diferenças”. O Brasil é um país muito diversificado e multicultural que abraça sempre qualquer pessoa que vem pro nosso país, foi um grito contra a hipocrisia que ronda todos os brasileiros que não aceitam que tem sangue negro, indígena e/ou nordestino na sua veia, mas é uma verdade, uma verdade muito feliz, pois mostra quão privilegiado a nossa sociedade é pela nossa diversidade. Ela anuncia a entrada de Jorge Ben-Jor cantando “País Tropical” composta pelo mesmo artista. A música tem uma letra que exalta as qualidades do Brasil e ao mesmo tempo cita uma série de referencias sobre a cidade do Rio. Os voluntários no palco começam a dançar de forma bem descontraída e interagindo entre si, criando um clima de pura diversão. Para encerrar com chave de ouro, o público do Maracanã se rende a esse clássico nacional e canta a capela gerando uma comoção geral e um sentimento bastante nacionalista.

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Mudança Climática

Depois da lição de moral que os diretores da abertura quiseram dar no povo brasileiro com a parte cultural da abertura, eles partem pra dar outro aviso forte, só que dessa vez para o mundo todo. Os locutores do estádio começam a falar sobre a mudança climática com um vídeo informativo criado por Ed Hawkins sendo exibido simultaneamente falando do aumento da temperatura do planeta, das calotas polares e do aumento do nível do mar. Apesar de ser muito didática, a parte da sequência em questão aqui é ser bem objetivo na mensagem. Logo após vem a parte artística de falar sobre a proteção do meio ambiente no planeta. Um menino negro se dirige ao centro do palco onde tem uma pequena muda que começa a criar uma projeção de caules verdes  se formando no palco. As atrizes aclamadas Fernanda Montenegro e Judi Dench fazem uma leitura de um poema do Carlos Drummond de Andrade chamado “A Flor e a Náusea” com a composição de Antônio Pinto do tema do filme “Central do Brasil” indicado a dois Oscars (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz para Fernanda Montenegro) e ao mesmo tempo várias imagens mostram pessoas plantando árvores no mundo inteiro. Uma dos momentos mais emocionantes da abertura inteira, eu sempre caio em lágrimas nessa parte, não sei se são as palavras do Drummond ou a interpretação da Fernanda, mas você sente tão forte que parece que o planeta grita por socorro, é impossível não se emocionar, é aqui que a abertura literalmente se distancia de todas as outras aberturas que existiram antes da dela, a capacidade de saber criar emoção no público.

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Aros Olímpicos

Em todas as aberturas das olímpiadas é obrigatório que se formem os aros olímpicos no palco, mas curiosamente, a do Rio demorou bem mais para aparecer do que as de outras cerimônias e surgiu de forma bem artesanal e surpreendente. Diferente de outras que foram feitas com efeitos de alto nível, na do Rio elas se formaram dentro dos tubos utilizados pelos voluntários para os atletas depositarem sementes para a Floresta dos Atletas (um legado do Rio 2016) que soltam grandes árvores que depois soltam confetis dos seus interiores e fogos de artifício replicam os aros fora do estádio. Condiz com a proposta da abertura e combina com o Brasil a forma usada de apresentar os aros assim.

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 Carnaval

Depois da parada dos atletas e da parte formal da cerimônia, se inicia o segmento artístico final da abertura que é a do carnaval. Anitta, Gilberto Gil e Caetano Veloso cantam “Sandália de Prata” do Ary Barroso enquanto 12 escolas de sambas do Carnaval do Rio que estão no grupo especial desfilam no meio do Maracanã. Nesse meio, tempo, as baterias das escolas realizam vários solos geniais de percussão. O segmento é outro momento em que exaltamos o nosso povo e como resistimos a todo tipo de coisa. Eu achei um pouco bagunçada, mas mostra aquilo que é algo típico do Rio, o Carnaval e toda a sua irreverência.

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A pira olímpica é o momento mais esperado de uma abertura de uma olímpiada, por que sempre marca na memória das pessoas que assistem uma abertura. Quem não se lembra da pira super futurista de Sydney em 2000 ou a pira gigante de Pequim 2008? Todo mundo esperava ver Pelé acendendo a pira, mas ele estava bastante doente na época e não pode comparecer a cerimônia. Ficou a tarefa para um dos atletas mais injustiçados das Olimpíadas, o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima  que perdeu o primeiro em Atenas 2004 por que foi atacado por um padre irlandês radical no meio da sua prova de maratona e acabou ficando com a medalha de bronze, logo após recebeu o prêmio Pierre de Coubertin pelo seu espírito olímpico por ter retornado a prova mesmo depois do ataque e ter lutado pra encerrar a prova. A escolha dele foi bem justificada com todo o seu histórico para acender a pira olímpica. Inicialmente ele acende uma pequena pira com um formato circular que sobe até uma escultura futurística e cinética do artista americano Anthony Howe que amplia sua luz e emite menos poluentes na atmosfera. A ideia da pira é ser menos poluente e menor, sem deixar de ser majestosa e impactante. Muitas questionaram a pira por não ser absurdamente grandiosa como as antigas, mas isso seria trair a essência e a mensagem divulgada pelos organizadores na abertura, pareceu bem mais honesta essa atitude.

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Conclusão

Os diretores da abertura foram os cineastas Fernando Meirelles (Cidade de Deus), Daniela Thomas (Linha de Passe) e Andrucha Waddington (Eu Tu Eles) e isso é notável na abordagem que eles utilizaram em como conduzir a abertura, muitos vídeos, muito conteúdo visual e poucas obras artísticas de forma artesanal ou adereços no palco. Foi uma abertura ritmada pela trilha sonora que esteve presente em toda a cerimônia. As mensagens divulgadas também eram impactantes, se mostrou uma abertura consciente e menos indulgente com o resto do mundo. O orçamento pequeno e inferior de outras cerimônias de outras olimpíadas não diminuiu o charme da nossa, nós sabemos fazer uma festa, com muita criatividade, talento e improvisação podemos tirar tudo da caixinha e ainda ganhar admiração de boa parte do mundo, muita gente ficou bastante orgulhosa do seu próprio país depois de ver essa cerimônia. Uma coisa é clara, nós sabemos vender o nosso peixe.

Cerimônia de Encerramento das Olímpiadas

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Introdução/Contagem

A cerimônia de encerramento inicia com imagens de arquivo de Santos Dumont fazendo outra alusão a mais uma invenção desse gênio do nosso país, o relógio de pulso. No palco aparece um ator interpretando Santos Dumont completamente perdido por não saber as horas e em que momento ia realmente começar a cerimônia. A contagem ocorre como projeção no palco de forma bem colorida. Ficou bem bagunçada e confusa a ideia desse segmento, você de primeiro pensa que a equipe tá tendo algum problema, mas quando você descobre que é intencional começa a achar ridículo aquilo.

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Araras

O grupo Barbatuques começa a cantar um medley que inclui uma faixa do grupo chamada “Baianá” e a famosa canção “Dancing Days” do grupo As Frenéticas. Ao mesmo tempo vários dançarinos vestidos de araras tomam conta do palco recriando vários pontos turísticos do Rio de Janeiro com os Arcos da Lapa, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Além de também formar ao logo dos jogos olímpicos Rio 2016 e os aros olímpicos.

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MPB

Esse breve segmento homenageia a MPB tradicional que Martinho da Vila entra para interpretar a música “Carinhosa”, composta originalmente por Pixinguinha. Logo em seguida, ele canta “As Pastorinhas”, composta originalmente por Braguinha e Noel Rosa. Na plateia, o público acende uma série de luzes. O público aqui está em total sintonia, pois conseguiu cantar todas as músicas junto o Martinho, mostrando como nossa MPB ainda continua viva na boca dos brasileiros.

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Hino Nacional

O hino nacional brasileiro apresentado por 27 crianças que foram a bandeira do Brasil no palco da abertura. A formação é com a projeção da bandeira do Brasil sem as estrelas gráficas e sim as crianças com luzes no topo de seus membros superiores e da cabeça. O hino tem um instrumental feito apenas com percussão. Uma das performances mais emocionantes e lindos da noite, o público traduziu bem a comoção da beleza da formação da bandeira brasileira no palco.

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Parada dos Atletas

Roberta Sá interpretando Carmen Miranda, a maior embaixadora cultural que o Brasil exportou para os Estados Unidos.  Ela dá a abertura da parada dos atletas logicamente, por ter sido uma personagem forte para os estrangeiros da cultura brasileira. Roberta interpreta “Tico-Tico No Fubá” da própria Carmen Miranda. Logo em seguida entra DJ Dolores e a Orquestra Santa Massa, eles interpretam duas séries de músicas que incluem remixes de músicas clássicas da MPB e músicas autorais da DJ Dolores. As primeiras músicas apresentadas enquanto apenas os atletas entram no palco são: “A Ordem é Samba” do Jackson do Pandeiro, “Chiclete com Banana” do Jackson do Pandeiro composta originalmente por Gordurinha e Almira Castilho, “ O Canto da Ema” do Jackson do Pandeiro composta orginalmente por Almira Castilho, “Invocação #2” do DJ Dolores, Spok e Yuri Queiroga. Logo em seguida, um grupo de dançarinos de frevo realizam uma performance no palco com os atletas ainda entrando no palco ao som da clássicas “Vassourinhas” de Matias da Rocha e Joana Batista Ramos. Começa a tocar mais uma sequência de músicas remixadas enquanto o resto de atletas ainda entra no palco que são:  “Caranguejos” do compositor Mikael Mutti, “Coco Sincopado” do compositor Jacinto Souza, “Sebastiana” da compositora Rosi Cavalcanti, “A Vida Tava Tão Boa” do compositor Cícero Gomes, “Coco do M” dos compositores Jacinto Silva e Zé do Brejo, “Abertura” dos compositores DJ Dolores vs Instituto e “Papagaio do Futuro” do compositor Alceu Valença.

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A Arte do Povo

Uma arqueóloga entra no palco onde ela descobre pinturas rupestres dentro de cavernas que existem no Ceará. Vários dançarinos entram no palco realizando uma coreografia que mostram formas e traços geométricos da arte artesanal indígena e eles também formam “RIO 2016”. Essa primeira parte do segmento mostra os primeiros sinais de manifestações artísticas no Brasil feito pelo povo. Depois, Arnaldo Antunes recita seu poema “Saudades” enquanto as palavras no palco aparecem em várias línguas do mundo. A música “Mulher Rendeira” composta pelas Ganhadeiras de Itapuã enquanto muitas mulheres vestidas de mulheres rendeiras dançam no palco em torno de projeções de renda  com uma mulher rendeira de verdade fica no meio fazendo renda. Várias baianas ficam no palco de cima para cantar a música em coro. Logo em seguida, entra o Grupo Corpo para dançar uma de suas performances mais conhecidas chamada de “Parabelo” realizada inicialmente em 1997 que tem como música arranjada por Tom Zé e José Miguel Wisnik. A apresentação é simplesmente impecável e contagia todo o público com a beleza da performance no palco. Vários dançarinos vestidos de Lampião e Maria Bonita ao som de “Asa Branca” de Luiz Gonzaga com projeção de solo completamente seco como nas secas do Nordeste do Brasil, além de também ser uma homenagem ao forró pé de serra. Um vídeo mostrando grandes momentos das Olímpiadas do Rio 2016 é apresentado ao som da clássica peça de Heitor Villa-Lobos “Bachianas Brasileiras N°5” numa versão surpreendente e emocionante.

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Atenção! Japão 2020

Começa agora a apresentação cultural pra futura cidade-sede das Olímpiadas, Tóquio no Japão em 2020. Ela começa com a interpretação do hino nacional do Japão por um coral de crianças com a bandeira do Japão se formando no palco em forma de projeção com várias mulheres em andando em pequenos drones, terminando com o Japão agradecendo ao Rio de Janeiro. Depois, vem um vídeo de introdução chamado Warming Up! Tokyo 2020 que mostra uma série de atletas praticando esportes enquanto personagens de anime como o Doraemon e a Hello Kitty e de vídeo game como o Pac-Man e Mario do jogo Super Mario da Nintendo mais paisagens da cidade de Tokyo ficam a mostra. O primeiro ministro Shinzo Abe segurando uma bola vermelha que representa a nação japonesa. Ele se transforma no Mario e entra num túnel colocado pelo Doraemon. Surgindo no palco levando a bola vermelha. Vem agora a segunda parte do segmento que tem um vídeo com representação em 3D no meio do palco dos esportes que serão praticados na edição de 2020 da olímpiadas. Uma apresentação com adereços luminosos no meio palco sobre se utilizando do vídeo mapping 3D e piso tátil para criar interações 3D com o palco. Cria-se um jogo luminoso no palco com vários ginastas da Aomori University e dançarinos realizam uma performance com iluminação do palco coreografados por Mikiko e com a música produzida por Yasutaka Nakata. A vista do céu de Tóquio fica projetada no palco com uma reprise do hino nacional. A última parte do segmento mostra o símbolo de Tóquio 2020 se formando no palco e depois se espalhando para mostrar a linha do céu da cidade-sede fazendo referência a apresentação de passagem de Lillehammer para Nagano nas Olímpiadas de Inverno em 1994, eles exibem a frase “See You in Tokyo”, dizendo “Vejo Você em Tóquio”. Nessa parte, a trilha sonora é composta por Hideki Noda e arranjada por Ringo Sheena e interpretada para uma peça do Teatro Metropolitano de Tóquio chamada “Egg”.

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Ciclo da Vida

Esse penúltimo segmento mostra o ciclo da vida homenageia a obra do arquiteto-paisagista carioca Burle Marx começando com o florescer na primavera com representações da flora brasileira e com alusão do jardim do paisagista com figurinos feitos pela Associação de Mulheres Empreendedoras ao mesmo tempo em que toca de fundo o instrumental de “Chovendo na Roseira” composta por Tom Jobim e Elis Regina, e depois chega o outono com a chuva que vem acompanhada de Mariene de Castro cantando “Pelo Tempo Que Durar” composta pela Marisa Monte. É nesse momento que a chama olímpica é apagada, logo em seguida, surge o verão que nasce uma árvore no meio do palco após chuva criando uma apoteose colorida celebrando o nascer da vida. Esse segmento emociona pela forma teatral que a chama se apaga, existe todo um propósito em torno do fim da chama ao invés de simplesmente apagar a chama como em outras cerimônias de encerramento.

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Carnaval Finale!

A cerimônia chega ao final com comemorando a maior expressão cultural carioca, o Carnaval. Os  cantores principais de seis escolas de samba do carnaval carioca entram no palco são eles: Ciganerey (Mangueira), Emerson Dias (Grande Rio), Ito Melodia (União da Ilha), Leozinho Nunes (São Clemente), Tinga (Unidos da Tijuca) e Wantuir (Paraíso do Tuiuti). Além de outras celebridades como a modelo Isabel Goulart e o gari Renato Sorriso. A primeira parte do segmento homenageia as típicas marchinhas de carnaval como: “Cidade Maravilhosa” composta por André Filho, “Quem Não Chora Não Mama” composta por Bola Preta, “Me Dá Um Dinheiro Aí” composta por Homero Ferreira, “Mamãe Eu Quero” composta por Vicente Paiva e Jararaca, “Sassaricando” composta por Luís Antônio, Jota Júnior e Oldemar Magalhães. A segunda parte homenageia os temas clássicos das escolas de samba na competição do carnaval carioca que são: “É Hoje” (tema da União da Ilha em 1982 ficando em quarto lugar), “O Amanhã” (tema da União da Ilha em 1978 em quinto lugar), “Macunaíma, Herói da Nossa Gente” (tema da Portela em 1975 em quinto lugar), “Festa Para Um Rei Negro” (tema do Salgueiro em 1971 em primeiro lugar), “Lenda das Sereias” (tema da Império Serrano em 1976 em sétimo lugar), “A Criação do Mundo na Tradição Nagô” (tema da Beija-Flor em 1978 em primeiro lugar), “Aquarela Brasileira” (tema da Império Serrano em 1964 em quarto lugar), “Maria Bethânia, A Menina dos Olhos de Oyá” (tema da Mangueira em 2016 em primeiro lugar) e “Tambor” (tema da Mangueira em 2009 em primeiro lugar). Todos os passistas que entram no palco são os que irão se apresentar no carnaval de 2017 do Rio.

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Conclusão

A diretora da cerimônia de encerramento das Olímpiadas do Rio 2016 foi a carnavalesca Rosa Magalhães que também foi responsável pela abertura dos jogos pan-americanos do Rio de Janeiro em 2007, ela venceu o Emmy de Melhor Figurino para Programa de Variedades em 2008. A ideia da Rosa Magalhães foi o oposto da abertura que tinha mensagens mais universais, ela optou por exaltar a cultura popular do Brasil como uma boa carnavalesca além de conseguir traduzir a vivacidade e inovação que uma apresentação para uma cerimônia olímpica tem que ter, principalmente por que envolve muita tecnologia e um orçamento alto para isso, ao mesmo tempo mostrou tudo de forma artesanal com o talento da arte brasileira para criar uma bela festa. As cerimônias do Rio foram literalmente uma tradução da “gambiarra” brasileira, criamos cerimônias para o mundo que traduziram a falta de homogeneidade do Brasil, mas mostramos como isso é algo positivo para o nosso povo, a diversidade aqui é simplesmente maravilhosa.

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Matheus Mota

Matheus Mota

22 anos, trabalho como realizador audiovisual louco e voraz por música, cinema e séries de TV. Escrever é a minha vida, desenhar é um hobby, cantar é uma alegria e dançar é a uma diversão. Arte me inspira e me edifica todos os dias. Estudante de 4º período de jornalismo.

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