IV Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura e II Seminário Internacional de Sociedade e Cultura na Panamazônia

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Cultura. Inerente ao homem e produzida unicamente por ele. Um tema com muitas vertentes, objeto de estudo em ciências humanas, foco de inúmeras pesquisas acadêmicas. Embora ainda existam lacunas em branco, no decorrer das décadas os estudos realizados acumularam um conhecimento que constitui hoje um acervo rico e diversificado sobre as produções culturais humanas. O que vem a ser cultura e suas especificidades ainda não foram explorados em sua totalidade, mas o homem caminha incessantemente rumo a teorias e análises cada vez mais densas. Como ser cultural em sua essência e dotado da capacidade de transformar o ambiente ao seu redor, o próprio ser humano faz com que as pesquisas nesse ramo somente prossigam.

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Instituto de Educação do Amazonas (IEA), cerimônia de abertura

Nesta última semana, nos dias 09, 10 e 11 de novembro, Manaus recebeu pesquisadores nacionais e internacionais para o IV Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura (EBPC), realizado juntamente com o II Seminário de Sociedade e Cultura na Panamazônia ( II SIS Cultura na Panamazônia). O evento foi promovido através de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Tecnologia (PROTEC) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas, além de contar com o apoio de outros colaboradores. A programação reuniu vários trabalhos de diversas áreas de estudo dentro da cultura.

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                                  Maria do Perpétuo Socorro R. Chaves, pró-reitora de Inovação Tecnológica da UFAM.

A abertura ocorreu no auditório do Instituto de Educação do Amazonas (IEA). Na solenidade, a mesa de abertura foi constituída por Paulo Roberto Simonnetti Barbosa (diretor do Centro de Artes da UFAM- CAUA), Marilene Freitas (coordenadora do programa de Pós-Graduação em Cultura na Amazônia e do SIS Cultura), Luiz Augusto Rodrigues (coordenador do EBPC), Maria do Perpétuo Socorro R. Chaves (pró-reitora de inovação tecnológica da UFAM) e Cléia Viana (diretora de museus). O prosseguimento da conferência de abertura se deu com a fala do professor Edgard Assis de Carvalho, da PUC-SP. O pesquisador discutiu sobre a renovação biocultural da natureza da cultura. Na ocasião, levantou-se um questionamento sobre a relação entre natureza e cultura, inserindo o tema no contexto da globalização. Em sua fala, o pesquisador Edgard Assis salientou a tríade “sustentabilidade – responsabilidade – esperança”, apontada como a responsável pela renovação biocultural da natureza da cultura, mas isso seria possível somente através da alfabetização ambiental e da educação cultural.

foto-3Pesquisador Edgard Assis de Carvalho, da PUC- SP.

Ainda dentro das pesquisas, a programação do evento realizou ainda na sexta o Encontro de Pesquisadores. Quatro temas diferentes foram objetos de discussão nas palestras ocorridas simultaneamente no CAUA e na Academia Amazonense de Letras. Com grande procura, O Imaginário das metrópoles: cultura, pensamento político e literatura, com o pesquisador Stefan Wilhelm Bolle. Willi Bolle, como também é conhecido, é professor de Literatura na Universidade de São Paulo (USP) e fez doutorado em Literatura Brasileira, na Universidade de Bochum, Alemanha. Na palestra, Willi Bolle debateu sobre a ascensão da modernidade e como esta delineou o imaginário das cidades. No século XIX, com o avanço industrial, as relações sociais, o conhecimento humano e a forma de se organizar no espaço foi afetada com o crescimento das cidades. Costumes e modos de viver foram modificados. Este momento é marcado pelo surgimento da metrópole moderna, que diretamente moldou e afetou padrões culturais. Bolle reúne uma série de trabalhos relacionados a Walter Benjamin e nessa reflexão sobre a metrópole e seu imaginário o professor tomou como base o trabalho de Benjamin sobre as Passagens. Willi Bolle, em sua tese, trabalhou com algumas metrópoles brasileiras (como São Paulo, Belém e Manaus), analisando importantes obras arquitetônicas do ambiente urbano e como se estabelecem no imaginário da cidade.

Nas manhãs de quinta e sexta-feira foram promovidas apresentações de trabalhos científicos, mesas coordenadas, minicursos e apresentações artísticas, sediados em diferentes pontos do Centro de Manaus. Nesse eixo estão o Diálogo Sobre as Tradições Culturais e a Representação Cultural dos Surdos do Amazonas. Em Diálogo Sobre as Tradições Culturais os participantes puderam ouvir os depoimentos de Carla Canorí (delegada de culturas populares do Conselho Nacional de Cultura), João Pontes Neto (representante do Boi-Bumbá Caprichoso), Bonate (representante da capoeira local KK. Juntos, geraram um diálogo aberto problematizando a questão de como é vista a cultura de cada um desses grupos e seu processo de reconhecimento na sociedade.

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Diálogo Sobre as Tradições Culturais, no auditório do Centro de Artes da UFAM (CAUA)

Na abordagem feita sobre a cultura surda do Amazonas, os palestrantes reuniram uma gama de elementos constituintes dessa cultura, trabalhando desde as manifestações artísticas (artes plásticas, poesias, entre outros) até as variações linguísticas de região para região. A cultura surda é um tema polêmico por ser questionada quanto a sua existência. Os expositores do tema, Iran Cavalcante, Débora Arruda, Tatyana Costa e Joana Monteiro, professores do curso de Letras/Libras da UFAM, elucidaram o assunto, mostrando a diversidade dentro dos grupos surdos do Amazonas. Na oportunidade, foi apresentado o livro Negrinho e Solimões, que utiliza a linguagem de sinais, escrito por Tatyana Costa. A obra de caráter didático reúne elementos culturais típicos da região norte do Brasil.

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Da esquerda para a direita: Iran Cavalcante, Tatyana Costa, Débora Arruda e Joana Monteiro.

Durante os três dias o EBPC e o SIS Cultura ofereceram diversas atrações culturais. As exposição artística Balões em Transi, da artista Naia Arruda (na Galeria do CAUA) e a Feira de Economia Criativa (na Rua do Congresso) são algumas das atrações que ficaram abertas ao público durante todo o evento. Além destas pode-se mencionar o Madrigal (da Universidade Federal de Roraima- UFRR), O Quarteto de Cordas (da Universidade do Estado do Amazonas- UEA), a Orquestra Amazonas Filarmônica (com o concerto Pfitzner – Villa – Lobos – Sibelius, da série  Guaraná) e a peça Óbvio Voraz (escrita por Verônica Gomes, dirigida por James Araújo e no elenco o artista Otoni Mesquita).

foto-6Orquestra Amazonas Filarmônica, regida pelo maestro Otávio Simões

O evento foi antes de tudo uma forma de ressaltar a importância da cultura para a sociedade. A instabilidade que afeta o país em vários setores atinge também o setor cultural. A junção dos dois eventos, com inúmeras pesquisas e debates realizados, gerou um intercâmbio de saberes em alto nível  e mesmo que contemplar integralmente esta produção humana seja um feito ainda não alcançado, de modo abrangente o IV EBPC e II SIS Cultura na Panamazônia conseguiram apresentar a cultura em suas inúmeras vertentes.

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Iolanda Ventura

Iolanda Ventura

Sempre ouviu lhe dizerem: "Nossa, você escreve muito! Como consegue fazer tanto texto? Não cansa não? Escolher jornalismo foi a prova que não cansa de escrever. Ela já tinha sido escolhida pelo curso e não sabia. Gostava de muitas coisas diferentes e a indecisão era grande. Quando a ficha finalmente caiu viu para que realmente tinha vocação e que de tudo que gostava Jornalismo tinha um pouco. Até chegar em jornalismo demorou, mas ainda bem que chegou.
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