#PETRebobinar: Cidade de Deus

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O período entre 1995 e 2003 é conhecido como “retomada do cinema brasileiro”, no qual leis de incentivo à cultura e uma nova visão de mercado começam a estimular maiores e melhores produções nacionais. “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, é considerado o marco final do período, com quatro indicações ao Oscar.

Baseada no livro homônimo de Paulo Lins, a história do filme é narrada por Buscapé, jovem habitante da Cidade de Deus que sonha em ser fotógrafo, começando com a emblemática cena da galinha fugindo de uma roda de samba. É a partir dessa cena que se desenrola a narrativa que, fragmentada, conta o desenvolvimento do tráfico na favela.

Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno, porra!

É pouco provável que você nunca tenha ouvido essa frase, o que ilustra o grande impacto que “Cidade de Deus” teve, e continua tendo, na cultura popular. Considerado um dos novos clássicos do cinema – e aqui deve-se considerar o cinema mundial – o filme foi responsável por uma sensibilização mundial a respeito da criminalidade nas favelas cariocas.

A famosa fala de Zé Pequeno ganha ainda mais peso pelo seu significado na trama. Envolvido com o Trio Ternura (tema da primeira parte do filme), desde pequeno Dadinho mostrava gosto incontrolável por violência, mas era sempre considerado novo demais para realizar as atividades do grupo. Com a dissolução do Trio e uma demonstração voraz da maldade que guardava, Dadinho, com o passar dos anos, tornou-se dono de todas as bocas de fumo da favela. Considerando que ‘Dadinho’ lhe remetia a fragilidade, assume a alcunha de Zé Pequeno e exige que assim seja chamado. A frase é dita quando vai tentar pegar a última boca de fumo, gerida por Neguinho, que lhe conhece desde pequeno. Os significados da fala vão além de seu impacto, demonstrando a mudança interna do personagem.

“Cidade de Deus” revelou vários nomes, incluindo o de seu diretor, Fernando Meirelles, indicado ao Oscar de Melhor Diretor por “Cidade de Deus” e, hoje, um dos grandes nomes do cinema mundial, vide O Jardineiro Fiel (2005) e Ensaio sobre a Cegueira (2008). Bráulio Mantovani, indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por seu trabalho no filme, e também roteirista de Tropa de Elite (2007).

Entre seus atores, ainda mais nomes foram alçados ao sucesso. Com um processo de seleção complexo e longo, o diretor preferiu usar atores não-profissionais e moradores de comunidades cariocas, montando oficinas de interpretação, além da parceria com o grupo de teatro Nós do Morro, do morro do Vidigal. Leandro Firmino, Thiago Martins, Douglas Silva, Seu Jorge, Jonathan e Phellipe Haagensen são alguns dos nomes revelados pelo processo de seleção. Alice Braga e Matheus Nachtergaele, que havia acabado de ganhar fama nacional por O Auto da Compadecida, também compõem o elenco com papéis menos recorrentes na trama.

Com cenas extremamente fortes, “Cidade de Deus” é um marco no cinema mundial, tanto por sua abordagem quanto pela temática em si: retratar o cotidiano periférico de uma cidade conhecida por sua beleza e seu charme tropical. Um dos motivos que fazem as cenas mais fortes é o fato de serem protagonizadas, na maioria esmagadora do filme, por crianças e adolescentes já fatalmente envolvidos no tráfico ou intimidados por ele.

 

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Cecília Costa

Cecília Costa

Quando criança, dizia que sua profissão seria “Leonardo da Vinci” porque ele fazia de tudo um pouco. Já quis ser astronauta, cientista, bailarina e antropóloga e, hoje, é estudante do curso de Jornalismo da UFAM. Ama contar histórias e, assim, nunca conseguiu ficar com caneta e papel nas mãos sem escrever, rabiscar e transbordar.
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