Viagem à Palestina- Prisão a Céu Aberto

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Especialista em temáticas do Oriente Médio, a jornalista internacional Adriana Mabilia coleta uma série de depoimentos e materiais da sua viagem à Cisjordânia e os reúne no livro: “Viagem à Palestina: Prisão a Céu Aberto”, classificado no gênero Jornalismo Literário. Seu foco na viagem é saber mais sobre a realidade das mulheres palestinas e o seu objetivo no livro é esclarecer sobre esse tema pouco trabalhado.

Além das mulheres palestinas, a escritora elucida outros pontos, que não são totalmente revelados sobre o conflito entre Israel e Palestina.

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Adriana Mabilia, jornalista internacional e Especialista em temáticas do Oriente Médio.

As primeiras impressões que Adriana Mabilia tem ao se encaminhar à Cisjordânia, e que o leitor também percebe, é que não será fácil chegar ao destino. Antes de decidir ir para o Oriente Médio, Mabilia se informou bastante. Porém, ainda havia muito para ser descoberto, não só sobre as mulheres palestinas que eram o seu foco, mas sobre os palestinos como um todo e a vivência em um território ocupado e controlado por forças militares. Até alcançar o seu destino de fato, a jornalista precisa provar que não é uma ameaça, assim como todos os outros estrangeiros. Por isso, passa por entrevistas nos aeroportos, com uma série de perguntas, repetidas vezes; seus documentos são verificados; os ônibus são revistados e a cada etapa precisa parar em checkpoints, espalhados por todo território ocupado. Há guardas armados espalhados por toda a parte.

Sua presença não deixa de ser notada. Desde o aumento dos conflitos bélicos, turistas se tornaram raros e é então que se verifica uma cidade antes tão visitada parada. Não só há a ausência de turistas, mas dos próprios moradores. Muitos se retiraram por não conseguirem viver sob o regime de ocupação israelense. O assentamento judaico ilegal toma conta do espaço e as restrições aos palestinos (toque de recolher, aumento de preços, etc.) são cada vez maiores.

Além do que Mabilia aprende durante a vivência naquele local há também as entrevistas. Com o objetivo de saber mais sobre as mulheres palestinas a jornalista entra em contato com algumas e seus depoimentos são reveladores. A condição da mulher palestina vai além da invasão de suas terras. São subjugadas também pelo patriarcado e a guerra, que tira seus maridos e as obrigam a lidar com todas as responsabilidades em meio a uma sociedade patriarcal preconceituosa. Em função disso, ONG’s voltadas para mulheres surgem, pretendem lhes dar apoio e ensino profissional. Adriana Mabilia conhece e entrevista Suheir, Nadia e Khaula. São palestinas que representam a realidade de muitas outras e como militantes ou diretoras de ONG’s lutam pacificamente pelo fim da ocupação israelense. As mulheres sofrem preconceito mesmo quando querem lutar por algo, sendo mal vistas até pelos seus.

Ao realizar as entrevistas Adriana Mabilia conhece a cidade e tem contato com os moradores. Todos têm um drama para contar e todos são afetados pela invasão. Mabilia ainda consegue chegar ao muro que divide os territórios de Israel e Palestina. Sua grandeza impressiona e mostra como pode ser capaz de oprimir os palestinos pelo seu tamanho e significado. Por causa do muro, muitos perderam suas propriedades, terras, liberdade e até a vida. Mas mesmo com todos esses impedimentos a uma vida adequada, os palestinos conseguem formar grupos de resistência pacífica e em manifestações pela liberdade mantêm-se convictos em seus objetivos. Em uma dessas manifestações Mabilia participa através de Nadia. Nessa manifestação há soldados israelenses que estão ali não só para controlar o movimento, mas para pressionar psicologicamente. Mesmo sem compreender a língua árabe, a jornalista sente a contagiação deles. Nas manifestações unem-se com um só propósito e naquele momento de alguma forma conseguem permanecer unidos na causa.

A ida de Adriana Mabilia à Jerusalém marca a viagem da jornalista. Ela sente como é o medo do terrorismo, quando sabe que no ônibus em que está ou nos locais que passa qualquer um pode ser um homem ou mulher-bomba. Mas através dos relatos dos habitantes de lá compreende o porquê de cometerem esse suicídio. São pessoas que perderam o que era mais importante na vida e por estarem frustradas e não terem um exército elas usam o próprio corpo. Vê também que há israelenses que suspeitam do governo e sabem que se vissem as zonas de ocupação seriam contra isso.

Todo o período que passou no Oriente Médio mostrou à Adriana Mabilia como Israel tem avançado sobre o território da Palestina e como erroneamente o Ocidente tem sido informado sobre o que se passa entre Israel e Palestina. O conteúdo do livro propriamente dito é um esclarecimento para todos aqueles que não conhecem de perto a realidade dos palestinos. A maneira como a notícia é contada influencia significativamente no entendimento que um indivíduo terá sobre algo. As notícias sobre o conflito entre Israel e Palestina adquirem um caráter totalmente diferente no livro de Adriana Mabilia. A jornalista mostra uma série de visões nesse conflito, mais lados do que qualquer outra agência foi capaz de mostrar quando noticiou sobre esse tema.

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Iolanda Ventura

Iolanda Ventura

Sempre ouviu lhe dizerem: "Nossa, você escreve muito! Como consegue fazer tanto texto? Não cansa não? Escolher jornalismo foi a prova que não cansa de escrever. Ela já tinha sido escolhida pelo curso e não sabia. Gostava de muitas coisas diferentes e a indecisão era grande. Quando a ficha finalmente caiu viu para que realmente tinha vocação e que de tudo que gostava Jornalismo tinha um pouco. Até chegar em jornalismo demorou, mas ainda bem que chegou.
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