O Bibliotecário – História da Arte, de Xavier Barral i Altet

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Dentro da bibliografia de livros de arte normalmente são encontrados títulos que tratam de escolas artísticas ou segmentos estilísticos específicos. Em uma proposta ousada Xavier Barral i Altet apresenta em A História da Arte uma abordagem mais geral do amplo universo da Arte, oferecendo ao leitor um panorama dos principais assuntos nesta disciplina. A obra faz parte de uma coleção de livros chamada Arte e Comunicação. Essa relação da Arte com a Comunicação, colocando-os como conceitos inseparáveis, torna A História da Arte um título pertinente para diferentes áreas do saber.

O livro fica localizado na seção de Artes na biblioteca. O código da seção é 1377, seu número de chamada na prateleira é 7(091) B268h 2011. Esse livro é o número 79 da Coleção Arte e Comunicação. A primeira publicação é de 1990 e a sua mais recente é de 2017. A edição usada para análise nessa matéria é a de 2010.

Xavier Bassel I Altet, autor do livro

Xavier Barral i Altet nasceu em 15 de janeiro de 1947 em Barcelona. O historiador espanhol é doutor em história da arte e arqueologia pela Universidade de Sorbona (Paris). Foi diretor do Museu Nacional de Arte da Catalunha entre 1991 e 1994. Suas obras que mais se destacam são as que falam sobre as obras artísticas da Catalunha e sobre a arte românica e a arte medieval no geral.

Xavier Altet apresenta em História da Arte um compilado de todo o trabalho artístico produzido pela humanidade.  O autor introduz a obra fazendo questionamentos objetivos e básicos sobre o estudo da arte, oferecendo uma rica bibliografia ao leitor. Além disso, pontua os contrapontos dessa disciplina extremamente subjetiva e ramificada em várias linhas de pensamento. O objetivo é auxiliar os estudantes de artes a compreender a evolução do estudo da história da arte, podendo atender a outros públicos também. O livro é dividido em três partes: a história da arte como disciplina histórica, a periodização e os domínios da história da arte e a história da arte hoje.

A História da Arte como Disciplina Histórica

A Anunciação de Leonardo da Vinci

O estudo da arte como disciplina histórica é posterior à época moderna. O autor ressalta que foi necessário esperar pelo século XVI para que o humanismo da Renascença tomasse em consideração várias noções estéticas e bibliográficas para criar a História da Arte. Altet lista os primeiros historiadores da arte de 1500 até metade do século XX, apresentando as didáticas e metodologias que buscaram para a pesquisa. O autor faz ainda uma reflexão sobre a relação entre o estudo da arte na Antiguidade e a Arqueologia. É questionada a ausência de separação das duas artes em publicações de universidades e a imposição dos objetivos e métodos arqueológicos sobre a história da arte antiga.

A história da arte obteve em toda a sua trajetória passada cinco orientações metodológicas principais: a formalista, a marxista, a sociológica, a iconológica e a semiológica ou estruturalista. “A disciplina permanece dividida entre uma aplicação com qualidade de métodos já provados e a sua renovação”, ressalta Bassel. No estudo atual da história da arte quem assumiu a responsabilidade pelo estudo da área foram os museus e centros artísticos. O autor apresenta vários exemplos do que existem hoje dessas instituições, além de apontar que o conhecimento dos tipos de técnicas artísticas é algo bastante conveniente para o historiador.

A periodização e os domínios da história da arte

A Fuga para o Egito de Giotto di Bondone

Nesse momento da obra, há uma cadeia didática de informações explicando sucintamente cada movimento e período artístico. Cita artistas, autores, obras e elementos estruturais. O livro descreve a evolução dos estudos de história da arte começando pela Pré-História e a Antiguidade e depois apresenta uma série de artes ligadas ao contexto cultural desses períodos históricos. O fim do Renascimento é marcado por um movimento artístico refinado e atormentado: o maneirismo.

Em meados do século XVI, temos a primeira geração do barroco. Barroco e classicismo são duas noções que se opõem e completam e ambos considerados os dois principais fundamentos da história da arte. A passagem para o romantismo pode ser igualmente percebida através da obra de Goya. O fim do século XVIII e o início do seguinte são marcados pela obra de Constable e de Turner, que terão um papel determinante no nascimento do realismo e do impressionismo.

Três Crânios de Paul Cézanne

O período compreendido entre a Revolução Francesa e a I Guerra Mundial é rico em experiências e corresponde a uma forte expansão da atividade econômica e artística. O primeiro período revolucionário, até ao fim do século XVIII neoclássico caracteriza-se pelas ideias utópicas do Iluminismo. Três pintores tiveram um papel muito determinante nas tendências artísticas do século XX: Cézanne, Van Gogh e Gauguin.

Entre os grandes movimentos que iniciam no século XX, o expressionismo assume a herança do simbolismo e das secessões da Europa Central (Gustav Klimt). Com menos carga social, o fauvismo, que exalta a cor pura. Com a tendência de simplificar as linhas e as formas e para tornar mais geométricas as figurações nasce o cubismo. Igualmente próximo da estética cubista, o futurismo, movimento literário e artístico italiano. Com a I Guerra Mundial, qualquer coisa se quebra na evolução artística da Europa. O movimento Dada representa uma vontade subversiva de ruptura com toda a tradição.

Guernica de Pablo Picasso

Entre as duas guerras, um dos pontos mais altos atingidos pelas novas tendências manifesta-se na escola de artes Bauhaus, fundada em 1919 por Walter Gropius, em Weimar. Entre os objetivos mais importantes da Bauhaus figura a renovação da arquitetura, do design e do mobiliário urbano. Tem de ser reservado um lugar à parte ao grande artista do século XX, Picasso, que participou da maioria dos movimentos artísticos. O manifesto surrealista de André Breton abre o caminho a um movimento pluridisciplinar e confere à obra de arte novas dimensões intelectuais.

No início dos anos cinquenta, novas formas de práticas artísticas fazem apelo aos rituais e à magia: environment e happening. Abandonando os objetivos e as formas, a relação direta com o público é criada através de ideias e atos. Estes movimentos dão origem à interpretação, aos eventos e à body art. A função dinamizadora e a sedução cultural de Le Corbusier continuam a marcar o século XX. Os anos setenta identificam-se com a arte minimal, a arte conceptual, a land art e arte pobre. A luta contra a noção de vanguarda artística caracteriza as atitudes pós-modernistas dos anos oitenta. A liberdade criativa produz linhas artísticas muito variadas no mundo contemporâneo. Ao fim de todo esse conteúdo literário para o estudo da arte, você compreende como a arte foi baseada em contextos históricos. Observa como cada movimento artístico foi se contrapondo e se complementando a outro categoricamente gerando várias visões.

A História da Arte hoje

Museu de Arte Moderna de Nova York

Os meios são insuficientes, os investigadores institucionais pouco numerosos, as bibliotecas e as possibilidades de acolhimento dos alunos, que, no entanto são cada vez em maior número, completamente subestimadas. O interesse é cada vez maior pela história das coleções que deram origem a museus públicos. Estes últimos pertencem a diversos domínios: museus de belas-artes, museus de história ou de identidade, museus de ciências e técnicas, até mesmo museus do ar e do espaço. A noção de patrimônio artístico alarga-se.  As grandes exposições tornaram-se um fenômeno de sociedade e um campo de interesses econômicos. Centenas de milhares de visitantes desfilam perante as obras-primas e os recordes de afluências são periodicamente batidos.

Os historiadores de arte publicam habitualmente as suas investigações especializadas em revistas. O costume é antigo e remonta ao século XIX. Podem ser consideradas como ciências auxiliares da história da arte todas as ciências auxiliares da história, incluindo, em primeiro lugar, as diferentes formas de história. Tal como a história, a arqueologia, enquanto argumentação e enquanto prática é a ciência mais próxima da história da arte, especialmente para certos períodos históricos. O mercado para a carreira de historiadores de arte é amplo, mas Altet ressalta que o estudante deve ser determinado em uma procura sistemática.

O autor conclui o livro apontando a divisão que há na disciplina em tendências e escolas. Apesar das duas principais tendências de estudo, a formal e a social ainda continuarem com seus adeptos, outras investigações tendem a renovar a disciplina da história da arte. Há necessidade de especialistas afirmarem o domínio cultural. Apesar de a Arte ter surgido como uma ciência aristocrática a Arquivologia deu visibilidade aos grupos mais pobres e humildes da sociedade e à sua cultura material.

Os debates não estão encerrados na disciplina, mas parecem desatualizados em relação à nova realidade cultural. Com a importância crescente das mídias, a arte atinge um público cada vez maior e o campo técnico se alarga com a indústria, o cinema e o espaço. Durante os últimos setenta anos, a história da arte realizou formidáveis progressos, ela atravessou todos os períodos, todas as artes e acompanha a história.

 

 

 

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Matheus Mota

Matheus Mota

22 anos, trabalho como realizador audiovisual louco e voraz por música, cinema e séries de TV. Escrever é a minha vida, desenhar é um hobby, cantar é uma alegria e dançar é a uma diversão. Arte me inspira e me edifica todos os dias. Estudante de 4º período de jornalismo.

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