A propaganda como reflexo da sociedade

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No início do mês passado, no dia primeiro de maio, a empresa automobilística Nissan anunciou o lançamento de um novo tipo de descanso de braço para veículos. O compartimento é semelhante aos tradicionais, onde o motorista guarda seu aparelho enquanto dirige. O diferencial é que o local é uma “zona de silêncio” (nome dado pela empresa), pois isola o aparelho de quaisquer sinais, seja de internet ou serviço.

Segundo a Nissan, esta zona de silêncio é uma iniciativa da empresa para combater o uso de celulares enquanto se dirige. No release em que a novidade foi anunciada a pesquisa  RAC’s Report on Motoring 2016 é utilizada como embasamento. Conforme os dados apresentados, o uso de celulares aumentou de 8% em 2014 para 31% em 2016. A Nissan viu então a necessidade de intervir nesta situação para proteger seus clientes.

Fonte: Foto de divulgação

A propaganda ontem e hoje

Há alguns anos as propagandas trabalhavam em cima de ideias mais simples e seu conceito principal era “bom produto mais preço atrativo”. Era o Assolam com mil e uma utilidades ou as facas Ginsu que cortavam qualquer coisa. Hoje é cada vez mais comum encontrar propagandas, na televisão e internet, em que o foco não é um produto específico ou seu baixo preço. A Ninho, por exemplo, veicula uma propaganda que fala sobre deixar os filhos trilharem seus próprios caminhos; a O Boticário tem abordado a diversidade de gênero, etnia e orientação sexual em suas propagandas e a Coca Cola fala sobre bons momentos e a importância de amigos e família.

O mundo se transformou, as propagandas mudaram. O mercado acompanha as mudanças sociais para manter-se vivo e relevante. Como consequência, não basta oferecer o produto ideal ou mostrar que tem a melhor relação custo-benefício. É preciso cativar o emocional. Para isso, as empresas tem dado mais importância para os chamados “valores”. Seriam as crenças que as motivam, como diversidade, sustentabilidade, entre outros.

Estes valores nada mais são do que um reflexo da sociedade. Se as organizações prezam por eles é porque a sociedade os valorizou primeiro. Assim, quando uma empresa prioriza a diversidade um público se identifica e defende essa questão social. Quando a Nissan demostra que se preocupa com seus clientes, mesmo depois que o produto foi adquirido, isso ajuda a ganhar a simpatia do consumidor.

E onde as RPs entram nisso?

Existem quatro modelos básicos de Relações Públicas, listados por James E. Grunig: informação pública, propaganda, comunicação assertiva unidirecional e comunicação assertiva bidirecional. O modelo de informação pública fornece dados e fatos acerca da organização, sejam eles bons ou ruins. O modelo de propaganda consiste em anunciar para os públicos apenas o que vai ser bom para a imagem da organização. O modelo de comunicação assertiva unidirecional informa e ouve os públicos. E o último modelo, a comunicação assertiva bidirecional, é o que se aplica aos exemplos de propaganda mencionados.

A comunicação assertiva bidirecional é semelhante à comunicação assertiva unidirecional, também envolve falar e ouvir. A diferença é que na primeira a organização ouve seus públicos para entendê-los e se adaptar a eles. O comportamento dela muda conforme a demanda de seus públicos. E isso tem sido cada vez mais comum.

É possível argumentar, no entanto, que estas mudanças na postura de marketing das empresas são apenas com o intuito de ganhar mais dinheiro, conquistar mais clientes. Este argumento não está completamente errado. Porém, cabe à sociedade perceber como seus valores são importantes para as empresas. Como em nenhum momento da história, o consumidor pode conquistar mais e mais espaço dentro do mercado, no sentido de transformar o comportamento das organizações. Assim, a influência que as empresas produzem na sociedade é recíproca.

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Glean Oliveira

Glean Oliveira

Apaixonado por cinema, séries, livros, quadrinhos, música e recentemente por relações públicas...Coincidentemente tudo sobre o que posso escrever no PETCOM. Sou meio flamenguista e total futebol. Sobrevivente de uma greve de 4 meses e...Eu já falei que amo cinema?
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