Relações Públicas no modo de produção capitalista

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Relações Públicas no Modo de Produção Capitalista. Cicilia Maria Krohling Peruzzo. 2º edição.

“As Relações Públicas se dizem promover o bem-estar social e a igualdade nas relações sociais numa sociedade marcada por profundas diferenças de classe. Tratam os interesses privados como sendo interesses comuns de toda a sociedade, escondendo que esses interesses são comuns à sociedade que detém o controle econômico, social, cultural e político da sociedade. (PERUZZO, 1986, p. 55).”

Publicado pela primeira vez em 1986, Relações Públicas no Modo de Produção Capitalista é considerado um marco, em certo sentido um divisor de águas no estudo das relações públicas no Brasil. Escrito por Cicilia Krohling Peruzzo, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo – USP. A obra procura identificar a essência da prática das relações públicas no século XX e a relação antagônica entre capital e trabalho.

Cicilia Maria Krohling Peruzzo

O livro é dividido em cinco capítulos. No primeiro capítulo, a autora tem como ponto de partida a reflexão acerca da origem da prática de RP tanto nos EUA quanto no Brasil. O segundo capítulo faz uma análise da bibliografia corrente em relações públicas e seus pressupostos teóricos. Também critica o caráter ambíguo da prática de RP a serviço do capital. O terceiro capítulo analisa o funcionamento do modo de produção industrial e a prática das relações públicas aplicadas às diferentes empresas. No quarto capítulo Cicilia Peruzzo destaca as funções das relações públicas em organismos da sociedade civil e do estado. O quinto e último capítulo é dedicado à reflexão da prática das relações públicas e a possibilidade dela ser aplicada aos interesses da classe dominada.

Cicilia Peruzzo classifica as relações públicas como uma atividade que tem por base atuar sobre a mente das pessoas. O objetivo é harmonizar interesses entre instituições e seus públicos. Porém, é importante ressaltar as ambiguidades encontradas pela autora nesse discurso. Ainda segundo Cicilia, as relações públicas se tornaram uma necessidade do modo de produção capitalista, visto que a mesma tem a função de camuflar os conflitos de classe e educar a sociedade na direção ideológica burguesa.

Um dos pontos altos do livro se dá quando a autora analisa a complexa e contraditória relação da prática das relações públicas dentro do contexto organizacional brasileiro. Segundo o livro, o próprio profissional de RP se torna um agente intelectual orgânico à burguesia: mesmo sendo explorado ele se transforma em um agente da exploração. É nesse sentido o trabalho do profissional de RP, que começa a fazer parte do processo de ações da organização e também do Estado. Dessa forma, tenta estabelecer um clima de harmonia social.

O profissional de relações públicas utiliza os veículos de comunicação dirigida a públicos específicos para divulgar notícias utilizando um discurso persuasivo, sempre buscando as virtudes dos atos de quem ela está a favor. A relação com a imprensa também recebe um tratamento especial por parte das relações públicas. É a partir desse bom relacionamento que as empresas podem evitar críticas infundadas ou falsas informações.

O caso do concurso “operário padrão” descrito nessa obra é um bom exemplo da manipulação das organizações para com seus funcionários. De acordo com Cicilia, esse concurso carrega o espírito das relações públicas por exaltar um determinado tipo de operário o que faz com que os outros operários também busquem aquele título por satisfação própria. Esse tipo de ação dá ao mesmo tempo prestígio à instituição por exaltar os seus funcionários.

O livro Relações Públicas no Modo de Produção Capitalista é muito mais do que uma análise da relação entre a prática da atividade de RP e o modo de produção capitalista. A obra se caracteriza por explicitar o caráter alienador da profissão e é leitura obrigatória para todos os estudantes de relações públicas.

 

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Thiago Rodrigues

Thiago Rodrigues

Um agente da S.H.I.E.LD infiltrado em Forks para recrutar vampiros que brilham no sol. Estudante do 2º período de Relações Públicas, ama séries e filmes de terror ( principalmente os slashers dos anos 80), e realmente acredita que a vida é dividida em temporadas.
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