Mix Cultural: PBR&B

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Existem vários estilos musicais que surgiram acidentalmente na história da música e talvez o PBR&B tenha sido um dos mais curiosos que apareceram nas três últimas décadas. Inicialmente o estilo tinha outro nome, bem sofisticado e mais autoexplicativo: neosoul, uma perfeita combinação de hip-hop, soul, jazz e R&B (rhythm & blues). Artistas como Erykah Badu, D’Angelo, Maxwell e Lauryn Hill faziam um sucesso marcante e definiam o estilo como o suprassumo da música negra contemporânea americana. Porém, logo ficou claro que com a popularização exacerbada da música eletrônica, esse estilo iria sofrer profundas modificações.

A transformação do neosul em PBR&B foi um processo de construção musical por artistas que surgiram no decorrer dos anos. O termo é uma vinculação de PBR (Pabst Blue Ribbon, uma cerveja que é comumente associada a cultura hipster americana) com a palavra R&B. A designação do estilo veio como um deboche e de forma irônica, mas logo foi ganhando mais força para tentar definir essa modificação.

Nos últimos anos, muitos tentam compreender o porquê de o The Velvet Rope, da Janet Jackson, lançado em 1997, ser um dos precursores do estilo PBR&B. Mas o tempo mostra que a mistura bem sucedida do neosoul com a música eletrônica (trip-hop, house e industrial music), letras fortes e temas sociais poderosos, fizeram dele um produto inovador no mercado fonográfico americano. Esse conjunto de fatores fez com que o PBR&B ficasse isolado pela sua estética e conteúdo único na história da música por um bom tempo.

Na primeira década do século XXI, a música pop era profundamente influenciada pelo Timbaland, produtor musical que tornou o hip-hop parte da música pop americana. Fugia completamente do estilo sofisticado do The Velvet Rope. Timbaland buscava uma música mais urbana, feita para as boates e menos para o consumo contemplativo e reflexivo. Devido ao sucesso do hip-hop, as batidas foram aderidas a esse profundo minimalismo estético (batidas espasmas e elementos sonoros metálicos) do hip-hop industrial e as melodias ganharam mais texturas sonoras. Porém, ainda  manteve certa sobriedade em relação ao neosoul da década de 90, dando início a uma reformulação do PBR&B.

O trip-hop e R&B da década de 90 se tornaram defasados para o público. Foi necessário esperar por mais uma década para ver o estilo se renovar e tomar forma com várias mixtapes de artistas como Frank Ocean e The Weeknd, tendo assim o retorno do R&B alternativo em evidência. Até 2012, o estilo era profundamente associado à cultura alternativa negra, depois ganhou status de estilo hipster e se disseminou em toda subcultura americana. Passou a ser vista como música que nunca seria popular, mas esse pensamento logo caiu por terra.

No final de 2013, a cantora Beyoncé lançou seu álbum homônimo, álbum esse que virou um evento musical. Isso ocorre não só pelo seu formato de álbum visual, mas pela mudança sonora brusca que Beyoncé adotou quando o seu produtor BOOTS começou a trabalhar no mesmo. Vemos aqui o primeiro grande álbum de PBR&B a chegar ao topo das paradas americanas. Antes disso houve o lançamento de Take Care, de Drake, em 2011, que foi classificado após seu lançamento como álbum de R&B alternativo. Mas por ser considerado um rapper e sem relevância estética forte na época, o álbum de Drake não teve o mesmo impacto que um lançamento de uma artista pop como Beyoncé.

Hoje, é possível notar como o estilo já saiu quase completamente da cultura alternativa. Não é mais feito somente por negros, mas por brancos também. Está em uma linha tênue com a música mainstream, mas existem artistas que experimentam excessivamente o estilo como FKA twigs, James Blake e Kelela, criando ousadas e criativas formas de fazer R&B de vanguarda.

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Matheus Mota

Matheus Mota

22 anos, trabalho como realizador audiovisual louco e voraz por música, cinema e séries de TV. Escrever é a minha vida, desenhar é um hobby, cantar é uma alegria e dançar é a uma diversão. Arte me inspira e me edifica todos os dias. Estudante de 4º período de jornalismo.

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