Por que é tão difícil aceitar artistas LGBT+?

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Este questionamento surgiu para mim ano passado, durante o festival de música Rock in Rio, onde uma das minhas bandas favoritas, Queen, se apresentou no Brasil. Freddie Mercury foi vocalista da banda e faleceu em 1991. Vinte anos mais tarde, dois membros da formação original, Brian May e Roger Taylor decidiram tocar juntos novamente, escolhendo como vocalista o cantor Adam Lambert para acompanhá-los, com a denominação “Queen + Adam Lambert”.
Com a vinda da banda para o Brasil em 2016, vários fãs se pronunciaram, em sua maioria comemorando a oportunidade de ir ao show. Porém, logo surgiram comentários acerca do vocalista escolhido, falando sobre Freddie ser insubstituível e sobre as diferenças no tom de voz. Pois bem, os comentários foram além disto, e muitos, muitos mesmo, tinham como justificativa para que Freddie fosse “melhor” que Adam, a afirmação: “Freddie Mercury era homossexual de respeito e o Adam é viado”.

Afinal, o que significa isso? Freddie era gay, um fato conhecido por todos, inclusive fãs da banda. Assim que assumiu sua homossexualidade para amigos mais próximos, Freddie mudou seu visual, adotando bigode e cabelo curto, uma postura diferente da que possuía anteriormente com medo de represálias. E ele estava certo sobre as represálias.

Diferenças visuais adotadas por Freddie Mercury

Em janeiro de 1985, a banda vem para o Brasil com sua formação original para se apresentar no Rock in Rio. Em meio ao show, devido a animação do público, Freddie decide voltar ao palco e cantar novamente o single “i want to break free”, usando peruca e seios falsos como forma de lembrar as roupas utilizadas no videoclipe da música. Resultado: o vocalista foi recebido pelo público com pedras e outros materiais jogados no palco.

Freddie no Rock in Rio de 1985

Em setembro de 2016, Adam Lambert vem para o Brasil e as críticas do público não são somente sobre diferença vocal entre ele e Freddie. São também sobre as roupas brilhosas, as botas de salto, os chapéus irreverentes e a orientação sexual publicamente assumida. Não são críticas quanto seu trabalho como cantor, e sim críticas sobre a sua postura.

Preconceito constante

E isso não é novidade no meio artístico, muito menos no meio musical. Esse tipo de intolerância é potencializado nas diversas redes sociais, as quais abrigam os mais variados tipos de comentários e opiniões. Estas registram diariamente situações semelhantes a de Adam Lambert com artistas e toda comunidade LGBT+.

Os casos estão presentes também no cenário nacional. No Brasil, a cantora Ana Carolina e a atriz Letícia Lima namoram há três anos, porém assumiram namoro publicamente apenas em fevereiro deste ano. O relacionamento da atriz com Ana Carolina foi seu primeiro envolvimento com uma pessoa do mesmo sexo, já a cantora sempre se assumiu lésbica. Em junho, a dupla publicou um vídeo na internet em homenagem ao dia dos namorados ressaltando o combate a intolerância. “O preconceito está aí, a gente sabe, eu já sofri muito, sofro ainda, seja no meio, seja fora dele, e isso não é legal”, afirma Letícia no vídeo.

Um dos casos mais recentes de intolerância contra LGBT+  nas redes sociais ocorreu a partir da notícia envolvendo Pabllo Vittar. A cantora drag queen brasileira irá participar do programa Criança Esperança. Uma quantidade massiva de internautas questionou a presença de um artista drag queen em um programa que envolve o público infantil.

Grande parte dos comentários envolvem não apenas preconceito e intolerância, como também estão carregados com discurso de ódio. As justificativas comuns para defender este tipo de pensamento podem variar entre doutrinas religiosas e posicionamentos políticos interligados em um mesmo argumento.

?Resposta?

Alguns artistas brasileiros LGBT+ (Ney Matogrosso, Mart’nália, Ana Carolina, Daniela Mercury, Rico Dalasam e Johnny Hooker)

Bom, ainda é impossível cientificamente e socialmente falando saber ao certo o porquê de tantas pessoas se incomodarem com a presença desses artistas e seu destaque. Estes são apenas exemplos, um reflexo da luta diária de todos aqueles que se declaram parte da comunidade LGBT+. Porém, uma coisa é certa: o apoio a luta LGBT+ é preciso sim estar em todos os lugares.

Como alguém que está fora deste grupo, sei que esta não é minha luta, mas é por meio de pequenas ações como este texto que procuro colaborar com a causa. Se existem muitas pessoas praticando esses atos de intolerância é preciso também existir um grande movimento contra este tipo de atitude.

Não precisamos de muito esforço para fazê-lo, é simples como colocar a reação de orgulho no facebook. Pode parecer pouco mas acreditem, muita gente se incomodou com isso e se existem incomodados é porque sabem que a comunidade LGBT+ está e estará cada vez mais presente em todos os lugares e que representatividade é sim muito importante.

Referências:

SUTCLIFFE, Phil. Queen: história ilustrada da maior banda de rock de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2011

 

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Rebeca Almeida

Rebeca Almeida

Filha da greve. A não graduada. Mãe dos releases. Rainhas de entrevistas. Rainha dos deadlines e dos primeiros roteiros. Quebradora de caracteres. Senhora das sete redes sociais. Khaleesi dos bloquinhos. Primeira do seu nome.
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