One Punch Man e o vazio do homem contemporâneo

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Criada pelo autor de pseudônimo One, One Punch man é um mangá que iniciou sua publicação em 2009. Em 2012 foi recriado, ainda escrito por One e com ilustrações de Yusuke Murata. O estrondoso sucesso da obra fez com que ela fosse adaptada para anime em 2015.

A história acompanha Saitama, um cara que é herói por hobby. Como assim herói? Bem, no mundo do anime nosso planeta é constantemente atacado por criaturas, monstros, mutações genéticas, demônios, aliens, enfim, todo tipo de vilão. Para defender a humanidade passaram a surgir heróis dos mais diversos tipos. O protagonista é um desses heróis.

Saitama, no entanto, não é como os outros heróis. Ele é muito poderoso. Na verdade é o mais poderoso. Como o nome do anime indica, ele consegue derrotar qualquer um com apenas um soco. No início de sua jornada como herói, Saitama é apaixonado pela emoção da batalha. Com o passar do tempo, porém, essa habilidade de derrotar qualquer um com um soco o aborrece. Nada parece emocionar Saitama, nada o desafia, tudo é fácil demais.

Mais do que um anime sobre monstros e heróis, One Punch Man é uma parábola sobre o homem contemporâneo. É possível traçar uma linha direta entre o anime e o que o filósofo japonês Masahiro Morioka chama de “civilização sem dor”. Segundo ele, o homem de hoje, como nenhum outro, busca suavizar a dor e o sofrimento da vida.

Em condições normais, nossas sociedades vivem uma paz inédita na história humana. A vida apresenta facilidades antes inimagináveis. Netflix, Ifood, Uber, Amazon Books e a estabilidade de um emprego por exemplo, facilitam nossas vidas. Garantem nosso acesso à cultura, entretenimento, lazer, conhecimento, etc. O filósofo e o anime, porém, enxergam isso por uma ótica pessimista. Para Morioka, toda essa facilidade lentamente retira nossa capacidade de aproveitar a vida. Sem os desafios que poderíamos ter nos resta lidar com um vazio que domina nossas mentes.

Segundo o filósofo, desafios ocupam nossas cabeças e nos impedem de encarar o vazio da vida. A lógica seria mais ou menos esta: Qual a graça de uma vida sem objetivos? Sem desafios? Como não ser dominado pelo tédio quando nada nos emociona e empolga?

Essa é exatamente a experiência de Saitama. Ele é o herói mais poderoso de todos, qualquer inimigo cai com apenas um golpe. Para ele, nada o faz se sentir mais vivo do que uma boa batalha. Mas como se empolgar se todas já estão ganhas?

Assim, o anime discute se as facilidades lentamente desenvolvidas pela sociedade nos privariam de nos sentirmos realmente vivos. E se chegarmos a um ponto em que as sociedades se desenvolveram de tal maneira que a estabilidade entedia? Parece pessimismo ver o avanço desta maneira, mas, os altos índices de depressão no mundo podem ser uma evidência para a veracidade deste pensamento.

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Glean Oliveira

Glean Oliveira

Apaixonado por cinema, séries, livros, quadrinhos, música e recentemente por relações públicas...Coincidentemente tudo sobre o que posso escrever no PETCOM. Sou meio flamenguista e total futebol. Sobrevivente de uma greve de 4 meses e...Eu já falei que amo cinema?
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