Estudantes de jornalismo da Ufam criam seus próprios curtas experimentais

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Durante o terceiro período o audiovisual é o foco principal dos estudos realizados pelos estudantes de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Assuntos como a história do cinema, correntes estilísticas de filmes e a linguagem audiovisual são alguns dos temas aprendidos em sala de aula. Como avaliação final os estudantes trabalham com a produção de ficções, documentários ou produtos experimentais. No primeiro semestre de 2017, sob a supervisão dos professores Antônio José, Ítala Clay e Carlos Dias, os trabalhos realizados foram apresentados no dia 11 de julho.

A turma se dividiu em equipes e os processos de idealização dos temas e planejamento das gravações começaram a ser discutidos. Durantes o mês de junho, foram realizados dois encontros com o professor Tomzé para que ele pudesse analisar os temas escolhidos pelos alunos e verificar o andamento das gravações. Junto com o produto final foi entregue um material impresso contendo informações com a sinopse, o roteiro e um texto descritivo do processo de produção.

Foram apresentados três documentários, três ficções e um produto experimental. Dentre os trabalhos de ficção, o grupo formado pelos alunos Maria Luiza Dacio, Priscila Desideri, Leonardo Sena, Lucas Henrique e Nathalie Torres, apresentou uma adaptação do conto “O dia em que Urano entrou em Escorpião”, do escritor Caio Fernando de Abreu.

Quatro jovens amigos da década de 90 aproveitam um dia (não tão) normal em seus apartamentos. Até que um deles descobre um fato que mudará todas as suas vidas

A estudante Maria Luiza Dacio, responsável pela direção geral do filme, compartilhou um pouco das suas experiências na elaboração da ficção. Para ela, além das dificuldades técnicas, como a captação do áudio e do vídeo, a maior dificuldade que percebeu foi a falta de experiência. Mesmo com o roteiro pronto, a equipe não tinha ido ao local das gravações antes de começar as filmagens. O plano, as cenas, as reações dos atores foram imaginados, mas mudaram completamente as suas ideias para se adequar ao espaço da gravação.

“Eu vou me organizar mais da próxima vez. Ir ao local da gravação antes, conhecer, conversar, pensar, levar a câmera, pensar nos frames, fazer testes e back up dos arquivos”, declara Maria Luiza.

O filme ainda contou com a participação especial do ator André Mattos. Além de oferecer várias dicas de direção, André foi elogiado por ser sempre muito humilde e solícito.

“Foi uma honra para mim, foi um prazer e um presente de Deus trabalhar com ele”, afirma Maria Luiza.

Entre os documentários está o curta “Filhos da Rua: Os Craques de Amanhã”. A equipe formada por Kézia Ferreira, Victor Cavalier, Suelem Freitas, Jefferson Morais, Jamilly Nascimento e Ruan Lucas Macedo mostra como o futebol de rua tem um papel essencial em um sonho que é muito comum entre os meninos brasileiros, o de se tornar jogador de futebol. Para a maioria, o futebol de rua é o começo das suas jornadas.

Kézia Ferreira conta que a ideia do documentário surgiu a partir de alguns trabalhos acadêmicos sobre futebol de rua que foram lidos por outro integrante do grupo, Victor Cavalier. E em comparação com as outras ideias da equipe, essa foi a opção menos dispendiosa.

O documentário conta como o sonho de se tornar jogador de futebol começa muito cedo nas crianças que jogam futebol na rua, nos campinhos de barro com as traves de madeira improvisadas. São apresentados os depoimentos dos ex-jogadores de futebol Sérgio Duarte e Zezinho Bastos. Ambos relatam um pouco de suas trajetórias e ressaltam como tudo se iniciou no futebol de rua e como conseguiram uma carreira no futebol não só local, mas nacional e internacional a partir dessas experiências.

Ex-jogador e atual técnico do time feminino do Iranduba, Sérgio Duarte

Para Kézia, as maiores dificuldades se concentraram em conseguir um jogador de futebol que fosse referência no cenário futebolístico e na captação de imagens de apoio de meninos que autorizassem a utilização das suas imagens jogando futebol na rua.

É difícil no futebol amazonense, os nossos times estão na série E, série D, não são tão conhecidos. O futebol aqui não é tão prestigiado e a gente precisava de um jogador que fosse referência”, afirma Késia.

Ex-jogador e radialista, Zezinho Bastos

O aprendizado que Késia obteve foi o trabalho como produtora. A procura e agendamento com os entrevistados, a viabilização das filmagens, a organização dos documentos necessários e toda essa experiência na produção foi algo que ela gostou de fazer. Talvez seja algo que procure futuramente na profissão.

Os contatos que fizemos desde o primeiro período são muito bons. Cada vez que fazemos um trabalho como esse, acumulamos contatos. Todos eles são importantes na nossa profissão”, completa.

Os alunos Matheus Mota, Nicole Baracho, Natália Serrão, Ariel Bentes e Alessandra Taveira apresentaram um videoarte como produto experimental. Chamado “Motus Vita”, inicialmente o filme apresentaria os movimentos corporais relacionados à arte, como na dança e no teatro. Mas logo o projeto tomou proporções maiores. A estudante Nicole Baracho diz que houve um amadurecimento na proposta, que passou a ver o movimento como um propósito, relacionando-o a todas as ações humanas:

Elas têm um propósito. Seja você deixar o seu filho na escola de manhã cedo ou você dançar, cantar, estar no trânsito, tudo tem um propósito”.

Segundo Nicole, a maior dificuldade encontrada foi gravar a grande quantidade de cenas de poucos segundos que o curta necessitava.

Precisamos pegar vários ângulos, em vários cantos da cidade. Por exemplo, eu tive que sair de casa três horas da manhã para filmar de madrugada na rua, com medo de ser assaltada, mas tudo pela arte”, diz Nicole.

O trabalho em equipe, a responsabilidade em produzir um curta e tudo o que ele envolve como gravar em vários lugares, criar um roteiro, conseguir câmeras, foram os principais ensinamentos que Nicole conseguiu retirar desse trabalho.

E também de aprendizado fica a apresentação dos trabalhos porque é aí que a gente tem o feedback dos nossos professores. Vemos  o que erramos e o que acertamos para  melhorarmos da próxima vez”, reitera a estudante.

Essas são algumas histórias que fizeram parte da experiência dos alunos nesse trabalho. Para a maioria, foi o primeiro contato com a prática audiovisual. Cada grupo, dentro do estilo de produção escolhida, enfrentou dificuldades tanto técnicas (captação de imagens, edição de vídeo, etc.) quanto na elaboração dos temas e do roteiro. Porém, nada que impedisse a entrega dos produtos e a aprendizagem ao longo da concepção dos curtas.

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Pedro Vinícius

Pedro Vinícius

Mais de 2 meses, 28 dias assistindo a seriados incríveis (e contando). Desde criança quis ser jornalista mesmo nem sabendo o que a profissão fazia. Sonha em ter a autoestima da Susana Vieira e com algum ônibus que vá pra UFAM vazio.

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