Os passaralhos e os profissionais multifuncionais

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Com o aumento da crise financeira no Brasil, vários setores passaram a cortar gastos e diminuir o número de profissionais empregados. No entanto, para o jornalismo isto sempre foi uma realidade. Um cenário tão comum que adotou nome próprio, conhecido como “passaralho”.

Essa palavra remete ao movimento dos pássaros, às revoadas que destroem tudo por onde passam. No jornalismo este conceito não é diferente, ligado aos índices de demissão em massa. Neste quadro constante, o futuro do jornalista se torna cada vez mais incerto. Afinal como isso reflete em sua profissão?

Essa tendência mercadológica demanda profissionais muito mais capacitados e eficientes, indivíduos que possam assumir o trabalho antes realizado por duas ou três pessoas. Por lógica, o salário deste único funcionário também valeria o triplo, o que não é uma realidade, mal chegando ao dobro do que se ganha, isso quando há aumento.

 

Tabela de demissões em 2016. Fonte: Portal Comunique-se

Além de diminuir as vagas ofertadas, esta medida sobrecarrega os profissionais que estão empregados, os quais muitas vezes assumem tarefas destinadas a outros setores como relações públicas, publicidade e propaganda e até mesmo design. Esta se torna a forma de sobrevivência no mercado. Pedir demissão é uma realidade improvável para o jornalista que pretende se manter com uma boa reputação no meio.

Ser jornalista passou a representar uma profissão com diferentes habilidades. Não basta apenas ter uma boa oratória ou escrever de forma concisa, é preciso também dominar técnicas de edição de vídeo, edição de imagem, gerenciamento de plataformas sociais, entre outras aptidões. Isto marca a geração de profissionais multifuncionais, que, muitas vezes, trabalham em dois ou mais empregos realizando diferentes funções.

Jornalista não precisa de diploma?

A antiga discussão sobre a necessidade de diploma para assumir a profissão como jornalista também reflete no mercado dos profissionais multiuso. Ao mesmo tempo que os jornalistas sem diploma ou especialização se tornam menos procurados, profissionais com formação em outras áreas ganham a possibilidade de assumir vagas antes destinadas para jornalistas.

Outra situação comum é a presença de estudantes de jornalismo realizando funções de profissionais com diploma. Isto é uma ferramenta utilizada por empresas como forma de gastar menos por um funcionário, o que acarreta malefícios para todos aqueles que não sejam o contratante. O estudante não possui a chance de realizar um estágio com as especificidades destinadas para tal e o profissional com diploma perde sua vaga para alguém menos qualificado.

Balanço

Com um mercado tão competitivo e com diferentes variáveis as faculdades e escolas de formação jornalísticas acabam formando profissionais sobrecarregados. No mercado de trabalho se tornam cada vez mais subjugados por seus chefes e empresas. Ser um ponto fora da curva, ou nesse caso, um pássaro longe do passaralho é uma idealização possível e árdua ao mesmo tempo. É preciso ter consciência que ser jornalista exige sagacidade, que o jornalismo nunca deixou de acontecer em tempo integral e que o comodismo não rende pauta.

Referências:

http://www.dicionarioinformal.com.br/passaralho/

http://apublica.org/2013/06/revoada-dos-passaralhos/

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Rebeca Almeida

Rebeca Almeida

Filha da greve. A não graduada. Mãe dos releases. Rainhas de entrevistas. Rainha dos deadlines e dos primeiros roteiros. Quebradora de caracteres. Senhora das sete redes sociais. Khaleesi dos bloquinhos. Primeira do seu nome.
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