Ainda existe espaço para a rivalidade feminina na música?

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Desde sempreas mulheres são ensinadas a criticarem uma as outras, a competirem para serem mais bonitas, mais interessantes, mais inteligentes. Muito se escuta que amizade feminina não existe, e a maioria das pessoas acredita nisso.

Esse comportamento surge devido ao machismo, que ensina que as mulheres precisam ser melhores que as outraspara conquistar os homens e constituir uma família. Esse pensamento é tão presente em nosso dia a dia que se reflete no que a mídia nos mostra. Uma vez ou outra encontramos matérias que dizem que Madonna e Lady Gaga se detestam, que Rihanna e Beyoncé competem para ver quem tem os melhores singles, e as constantes brigas entre os fãs das girl groups da atualidade Little Mix e Fifth Harmony.

E em meio a tudo isso, surge mais um capítulo da briga entre Katy Perry e Taylor Swift. Boatos afirmam que as duas brigaram pois Katy Perry emprestou os seus dançarinos para participarem da turnê Red Tour da Taylor Swift, e que no meio desses showsKaty Perry contratou os mesmos dançarinos sem aviso prévio. Taylor Swift afirmou em uma entrevista que ela e Katy Perry não tinham uma relação boa e que Taylor não se sentia confortável com os comentários que Katy fazia sobre ela.

Por mais que Taylor Swift tenha explicado o motivo pelo qual as duas não são mais amigas, sites de fofocas e os fãs especulam que a briga surgiu porque Taylor Swift e Katy Perry namoraram o mesmo cantor, John Mayer. A rixa surgiu em 2014 e até agora a mídia não se cansou de falar sobre as duas.

Mas porque ainda há um ibope tão grande quando o assunto é Taylor Swift xKaty Perry? Porque desde sempre o pop se baseia em rixas. E consequentemente gera discussões, as pessoas sentem a necessidade de opinar e tomar um lado como seu. Desse modo percebe-se que a mídia publica o que gera interesse no público justamente para conseguir audiência.

O contraditório é que nos últimos tempos podemos perceber que a palavra sororidade,que significa um sentimento de empatia que se tem entre mulheres, está mais presente que nunca. E as pessoas estão se dedicando cada vez mais a entender e simpatizar com a população feminina, mesmo que não concordem com o que elas pensam e acreditam.

Lembrando que não é sobre fingir que todas as mulheres são amigas, mas também não é transformar e incitar a competitividade. Se olharmos as páginas de redes sociais notamos a comunidade de fãs brigando diariamente sobre quem é a melhor, ou pior, diminuindo o trabalho de uma cantora para exaltar sua favorita.

Katy Perry, Madonna e Lady Gaga no evento Met Gala 2015.Depois dessas fotos surgiram diversos memes nas redes sociais mostrando a rivalidade entre elas.  FONTE: PAPELPOP

Felizmente ainda há uma luz no fim do túnel, e aos poucos as pessoas estão percebendo como a sororidade pode ser útil para combater o machismo. Um exemplo disso é o caso da jornalista Babi Souza que teve a idéia de fazer um movimento chamado “Vamos Juntas”.  Quando decidiu a andar do lado de uma mulher para evitar ser assediada, Babi percebeu como adotar essas atitudes pode fazer com que as mulheres se sintam mais seguras ao andar na rua. A partir desse movimento, a jornalista fez um livro ensinando sobre feminismo e contando relatos de como a sororidade pode mudar o que as mulheres estão vivendo.

Outro exemplo que pode ilustrar que está presente no mundo da música  é o caso da revelação de 2017, a cantora Dua Lipa, que recentemente lançou um clipe chamado New Rules. O clipe ilustra a sororidade ao mostrar que mulheres,quando unidas,podem superar um ex-companheiro.

Um exemplo nacional é o da cantora de funk Valesca Popozuda, que recentemente mudou a letra da música Beijinho no ombro para uma campanha de publicidade. Com os versos “Desejo a todas as amigas vida longa/ Unidas vamos conquistar ainda mais vitórias/ E vamos em frente, parceria é nossa onda/ Sem intriga, sem caô, amiga colabora.” Apesar de ter feito essa mudança com fins comerciais, é importante perceber como o discurso da sororidade aos poucos se faz presente na sociedade.

A prática da sororidade e a discussão sobre esse assunto ainda está no começo, mas esse é o primeiro passo para ter uma mudança e combater a desigualdade de gênero. E ter mulheres com o discurso de irmandade é essencial para essa prática se propagar e estimular a união entre as mulheres.

Referências:

https://www.aldeianativa.com.br/single-post/2017/01/22/RIVALIDADE-FEMININA-%E2%80%93-MITO-OU-REALIDADE

“Vamos juntas? – O guia da sororidade para todas”, de Babi Souza

https://www.vix.com/pt/bdm/comportamento/sororidade-palavra-de-significado-lindo-que-se-voce-praticar-mudara-sua-vida

http://emais.estadao.com.br/noticias/gente,valesca-muda-letra-de-beijinho-no-ombro-para-incentivar-uniao-feminina,70001881045

 

 

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Gabriela Maciel

Gabriela Maciel

Gabriela, estudante do 7º período de Jornalismo, minha casa é lufa-lufa (com muito orgulho), amante de séries e dias chuvosos.
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