A Náusea, de Jean-Paul Sartre

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Um dos romances que marcam a corrente literária e filosófica existencialista é A Náusea, de Jean-Paul Sartre. Uma das célebres frases do autor é: “O homem está condenado a ser livre”. Entender o existencialismo ajuda a entender esta frase. E A Náusea ajuda a entender o existencialismo.

A obra conta a história fictícia de Antoine Roquentin, um historiador que, após uma vida marcada por viagens a diversos continentes, decide estabelecer-se permanentemente na cidade fictícia de Bouville, França. Em forma de diário, o livro é a descrição do dia a dia de Roquentin, focando em seu trabalho atual, que se resume a escrever sobre a vida do Marquês de Rollebon, um suposto aristocrata do século XVIII.

No início da obra, os relatos mais empolgantes e vívidos são sobre a vida do Marquês, um homem misterioso, envolvido em diversas tramas da aristocracia, planos, traições e o possível assassinato do Rei Paulo I. Já a rotina de Roquentin é tediosa. Maçante e repetitiva, essa parte da obra é lenta e desperta pouca curiosidade, ou até mesmo vontade, de continuar a leitura. No entanto, isso é proposital.

Antoine Roquentin descreve o mundo com tédio. Ele não é um homem triste, mas também não é feliz. A maneira como ele vê o mundo ou as relações que mantem com outras pessoas é completamente mecânica. Nada o empolga. Tudo é igual. Seu trabalho provoca o mais próximo que ele sente de empolgação ou ânimo, mas até isso passa a entediá-lo com o tempo.

Roquentin tem emprego, estabilidade, moradia, enfim, uma vida garantida, mas ainda assim um vazio o consome. A tal náusea do título é a palavra que o protagonista encontra para descrever este sentimento: um incômodo, uma mágoa indefinida, uma inconformidade com a vida, mas sem conseguir definir exatamente o porquê.

A descrição exaustiva da vida do personagem foi, como dito anteriormente, proposital. Sartre queria transmitir o tédio do protagonista. Queria que os leitores se aborrecessem e, por fim, sentissem a náusea.

O existencialismo de Sartre prega a ideia de que nossa existência precede nossa essência. Ou seja, não nascemos com um propósito, uma missão, algo a cumprir. Nada antes de nós pode definir nossa essência. Nascemos livres de significado e somos aprisionados a essa liberdade.

Pode parecer um pensamento extremamente negativo, mas para Sartre isso é algo muito bom. Somos livres para escolher nossos caminhos, definir aquilo que nos dá significado, propósito, ânimo. Aquilo que vai definir nossa essência e nossa vida. E isso, é claro, vem com uma grande responsabilidade: somos os encarregados por nossas decisões e pelas consequências das mesmas.

Em A Náusea, Antoine Roquentin passa a buscar um novo significado para sua vida. Amor, trabalho, hobbies, entretenimentos, viagens… O leque é infinito para ele. E Sartre queria dizer que é para nós também.

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Glean Oliveira

Glean Oliveira

Apaixonado por cinema, séries, livros, quadrinhos, música e recentemente por relações públicas...Coincidentemente tudo sobre o que posso escrever no PETCOM. Sou meio flamenguista e total futebol. Sobrevivente de uma greve de 4 meses e...Eu já falei que amo cinema?
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