Do que as séries americanas são sintomas?

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Ser acadêmico de Jornalismo é muito mais que ler obras que abordam temas como, por exemplo, manuais de como escrever para o ambiente digital,  conhecer como funciona assessoria de impressa ou ler livros reportagens. É também ir a fundo sobre produtos que estão se tornando populares hoje em dia, como é o caso das séries de televisão. Por isso, a editoria O Bibliotecário de hoje vai falar sobre o livro Do que as séries americanas são sintoma?

Publicada em 2011, do autor francês François Jost, a obra discute sobre a popularização das séries americanas e procura entender  e refletir como acontece essa relação fiel entre telespectador e o produto audiovisual.

Primeiramente François aborda a questão da narrativa, que foi fundamental para chamar a atenção do público. Para o autor, independente do que se é contado as pessoas estão buscando cada vez mais uma familiaridade, mesmo em histórias desconhecidas, como por exemplo as séries Arquivo X e Heroes. Ambas não têm nenhum contato da vida cotidiana de pessoas comuns, entretanto suas narrativas chamam a atenção do público porque se tratam de histórias impalpáveis, mas que de certa forma têm problemas sociais presentes no dia a dia, como dúvidas em relação ao governo, receios relacionados à Guerra Fria, crise da vaca louca, etc.

Greys Anatomy e Chicago Fire são séries que abordam tanto a vida profissional quanto a vida pessoal dos personagens. Fonte: Banco de Imagens do Google.

O autor também observa que com ao passar dos anos os heróis estão cada vez mais se humanizando, ou seja, estão perdendo as características de superioridade para tornarem-se pessoas comuns com problemas cotidianos. Assim se percebe o surgimento de séries que tratam sobre a vida de pessoas, de médicos ou bombeiros, como é o caso de Grey’s Anatomy e Chicago Fire. O que nos remete a outro ponto que o autor trata, que é a curiosidade pela intimidade da vida dos outros. Assim para os telespectadores é importante conhecer a vida de cada personagem, conhecer seus pensamentos, fragilidades e medos.

François também fala sobre as séries policiais, que é mais uma vez um ponto de atenção aos telespectadores, já que se sentem atraídos pelo mistério, pela necessidade de descobrir um segredo. O que pode perceber-se em séries atuais como Twin Peaks e The Fall.

É interessante que na versão traduzida deste livro há um artigo da autora Elizabeth Bastos Duarte em que ela contextualiza sobre a séries nacionais. A autora aborda como as séries americanas, que eram produtos importados veiculados na programação aberta, foram ganhando menos espaço, pois as emissoras nacionais passaram a apostar na serialização de histórias. Logo essas séries nacionais foram ganhando espaço na grade da programação com uma audiência significativa. A autora complementa falando como o gênero sitcom foi essencial para contar essas histórias cotidianas, como é o caso de A Grande Família (que ganhou renovações por muitos anos), A Diarista e Sob Nova Direção.

A Grande Família, Tapas e Beijos, A Diarista e Doce de Mãe

Fonte: Banco de Imagens do Google.

Uma emissora que tem apostado nisso é a Rede Globo, que dentre suas produções tem Dois Irmãos, Tapas e Beijos, Os dias Eram Assim, e até mesmo chegando a ser reconhecida mundialmente, como é o caso de Doce de Mãe, que ganhou o Emmy Internacional, mostrando que as séries nacionais estão ganhando o gosto popular em um ambiente em que as novelas são a principal forma de entretenimento.

Desse modo, com a leitura do livro e do artigo pode concluir-se que sua popularidade acontece justamente porque as séries estão cada vez mais realistas e dando mais representatividade a toda sociedade ao trazer uma diversidade de gêneros e histórias em que o público, de alguma forma, pode espelhar-se e se sentir que faz parte de um universo.

Referências:

Do que as séries americanas são sintoma? François Jost, traduzido por Elizabeth B.Duarte e Vanessa Curvello – Porto Alegre: Sulina, 2012.

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Gabriela Maciel

Gabriela Maciel

Gabriela, estudante do 7º período de Jornalismo, minha casa é lufa-lufa (com muito orgulho), amante de séries e dias chuvosos.
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