A graduação e os prazos de validade

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Quando se entra na Universidade, especialmente uma federal, é quase unânime a preocupação com o tempo de conclusão do curso. Algo aceitável, afinal vive-se em um mundo capitalista e globalizado, o qual torna a alta velocidade quase um pré-requisito. Por isso, planejamento é fundamental para administrar bem o “tic-tac” corrido da vida. Mas, às vezes, pode ser importante e proveitoso desacelerar um pouco a vontade de pôr as mãos no diploma.
O mundo moderno imprimiu prazos de validade em tudo. Até determinada idade você precisa finalizar o ensino médio, fazer todos os vestibulares possíveis e entrar, imediatamente em uma faculdade, pois aos 23 anos você precisa estar formado e se preparando para um concurso público. Esperar o tempo passar nunca deve ser uma possibilidade; dar uma pausa quando acabar o ensino médio e somente depois pensar em uma faculdade, então, um total absurdo. Algo criou esse desespero por cumprir prazos. Humildemente reconheço não ter arcabouço teórico para alongar tal discussão a respeito desse “algo”, desse fator que se tornou tão imperativo em nossas vidas.

É essencial aproveitar o tempo que se passa na Universidade. Quando se participa da vida acadêmica efetivamente – em projetos de extensão, pesquisa, a própria sala de aula – chega um momento em que você percebe o quanto tudo passa rápido e que oito períodos não são muito quando se pensa na quantidade de coisas que podem ser desenvolvidas. Vejo que os quatro anos do curso precisam ser bem explorados e até mesmo prolongados. Como diria Vinícius de Moraes, infinitos enquanto durem, pois é neste espaço que são edificados os conhecimentos que formarão os lados profissional e pessoal de cada indivíduo, além de este ser também o lugar que possibilita conexões e relações sociais de igual relevância para o assustador e mutante mercado de trabalho, bem como para a vida pessoal.

Por intermédio do pai da química moderna, Lavoisier, faço um trocadilho à título de ilustração com a famosa frase “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” para reforçar o posicionamento exposto. Creio que na academia, quando pouco se cria, muito se perde, e menos ainda se é transformado. Tanto o próprio acadêmico, enquanto pessoa e profissional, quanto à sociedade na qual esse está inserido.

E por que não citar o famoso clássico literário Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll) quando a protagonista está em dúvida sobre para onde ir e recebe a resposta “se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve”. Isso define bem como muitos se sentem perdidos na graduação. Pois este é o momento de participar ativamente de tudo o que a Universidade pode oferecer e, quando menos se espera, descobrir qual caminho serve. E às vezes isso leva mais tempo do que os períodos determinados pela matriz curricular do seu curso, por isso não há motivos para se tornar um Coelho Branco e enlouquecer com o tempo por medo de retaliação da Rainha Vermelha por conta do atraso. A sua principal preocupação na academia deve ser apreender conhecimentos, e não tratá-la como uma corrida cujo prêmio é o diploma.

Referências
CARROLL, Lewis. Alice no País das Maravilhas. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
Disponível em: < http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/soneto-de-fidelidade > Acesso em: 6 de nov às 15h.
Disponível em: < https://www.infoescola.com/biografias/antoine-lavoisier/ > Acesso em: 6 de nov às 15h15

 

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Antônio Lopes

Antônio Lopes

Atualmente, divide o amor entre gatos, natureza, músicas, comida, livros, filmes e séries ( e mais comida). Perturba a mãe por roupas novas, treme quando dirige, tenta fazer Art Attack até hoje e gosta de áudios de discussão sobre a vida. Tudo isso enquanto aprende "o que faz um RP mesmo?"
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