#PETEntrevista: Caio Pimenta

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Por Maria Cecília Costa

Responsável pelo programa Set Ufam, entre os anos de 2007 e 2010, Caio Pimenta já foi editor do Diário do Amazonas e do G1, criou o site Cine Set e, agora, está no posto de diretor de programas da TV Ufam, onde tudo começou. Durante duas horas de entrevista, realizada no estúdio do recém-reformado prédio da televisão universitária, Caio conta sobre sua trajetória que, guiada por sua paixão por cinema, o levou novamente à Universidade. Também conta seus planos para um futuro distante. E para o presente também.

 

Cecília: Primeiro, quando foi que tu percebeste que tinha interesse em cinema?

Caio: Quando? Eu sou mais cinéfilo do que qualquer outra coisa. Às vezes as pessoas chegam pra mim é falam ‘ah, tu devia fazer filme’… Não, eu não vou fazer filme. Eu não sou diretor, sou jornalista. Mas gostar de cinema, assim, eu comecei a gostar quando eu ia na casa da minha tia e ela tinha a revista SET lá. E, lendo a revista, comecei também a me interessar pelo assunto que ela tratava: cinema. Eu acho, pelo menos, que ninguém começa a gostar de cinema assistindo filme do Bergman. Todo mundo começa a assistir os filmes que bombam na sua época. Na minha foi Titanic, A Outra Face, Jurassic Park… Eu tinha 10 anos quando Titanic foi lançado. E, pô, eu tava começando a gostar de cinema, aí vem toda aquela adoração… O filme ficou seis meses em cartaz e eu fui três vezes: com minha tia, meu pai e minha mãe. Lembro o cheiro do perfume da minha mãe na estreia. Se passar por aqui, penso, “Olha, o cheiro de Titanic!”, isso cria alguns elos. Aí comecei a ir ao cinema todo final de semana. Nos primeiros seis meses meus pais me acompanhavam, depois eles cansaram e perceberam que não tinha mais jeito.

Cecília: Então Titanic é teu filme favorito?

Caio: Antigamente eu falava que era o melhor filme que existia, hoje eu não acho mais. Nem sei qual é o meu filme favorito. Não consigo ter um. O que eu tenho são filmes que marcaram minha vida. É aquela coisa: tem os grandes filmes, que são adorados pelos críticos e que a gente reconhece toda a importância. Mas é o que eu tava falando: você não começa a gostar de cinema gostando desses. Titanic é um filme muito importante pra mim porque foi ele que me fez começar essa paixão pelo cinema. Ele foi meio que a porta de entrada, né? Depois de um tempo você vai passando a reconhecer filmes mais experimentais, mais ousados. Faz muito tempo que eu não assisto, mas vai ficar sempre no topo dos que me marcaram.

Cecília: E quando tu percebeste que queria Comunicação? Foi a partir desse teu interesse em cinema ou não era uma opção e acabou acontecendo?

Caio: Eu gostava de escrever. Enquanto todo mundo só queria assistir DragonBall Z, eu gostava mais de assistir ao jornal, de novela, série, filmes. Você vai percebendo… Por exemplo, quando tinha alguma coisa eu pensava “Poxa, eu queria estar lá…”. Sei lá, no 11 de setembro: eu queria tá em Nova Iorque só pra ver como aconteceu. É perigoso? É perigoso. Mas é legal, bacana, é divertido. Quer dizer, ver uma pessoa caindo do trigésimo andar não é divertido, mas tem aquela sensação de você viver o momento.

Cecília: E tu te consideras mais repórter ou mais crítico?

Caio: Repórter. Não sou crítico, eu não me acho. Talvez porque eu não seja muito bom de me promover. Mas eu sou mais repórter: fico muito mais feliz quando dou uma notícia em primeira mão do que quando escrevo uma boa crítica. Por exemplo, eu descobri via Twitter que o Cinepólis tinha comprado o Cinemais. Crítica eu faço, curto, mas realmente eu gosto mais de ser jornalista.

Cecília: E na faculdade tu te identificavas mais com o que? Como surgiu o SET Ufam?

Caio: SET Ufam foi por acidente. Assim como grande parte das coisas que fiz. Mentira, não sei por que falei isso (risos). Eu tinha um grupo de amigos, o Thiago Guedes, o Rafael Ramos, o César [Nogueira], e o Renildo Rodrigues. Tudo que era trabalho a gente fazia em vídeo. Começou com o Big Brother Ufam. Ficou tosco, mas a ideia era interessante e tiramos dez. Aí a professora Gracyanne Siqueira deu a ideia da gente fazer um piloto pra TV Ufam e, como a TV não tinha tanto critério – porque o programa era bem ruim – deixou a gente fazer o Set Ufam. Fomos fazendo e o negócio foi dando certo. No final, fizemos 47 programas em três anos. E foi isso que, de certa maneira, me salvou na Ufam: achava o curso muito chato. A gente tinha um trabalho do caramba, mas eu nunca ficava contente em não entregar. E, assim, o programa, mesmo com todos os defeitos que ele possa ter, ajudou muita gente a começar… Às vezes a gente fica aqui, só quer redação, fazer estágio, mas a TV Ufam ofereceu as portas pra gente. Eu acho que, de certa maneira, tem tudo pra voltar a fazer isso.

Cecília: E se tu não tivesses se encontrado no cinema, qual outra área seguiria?

Caio: Acho que seria mais esporte, política ou economia. Eu sempre gostei de política. Não falo muito porque hoje em dia não dá pra se expor, as pessoas tão meio doidas. Lembro que quando eu tinha 7, 8 anos, teve a eleição de 94 e eu peguei meu caderninho e fiz uma pesquisa eleitoral na minha família. Além disso, me interessa o jornalismo esportivo de investigação. Tinha um cara na ESPN Brasil, o Lúcio de Castro. O cara é um dos maiores jornalistas do Brasil e ninguém conhece. Ele descobriu os escândalos de corrupção na CBV, na natação, dessas federações todas. Eu gosto mais disso do que apenas olhar o jogo de futebol. Por fim, economia é algo que eu gostaria de aprender, porque acho que a gente falha muito: ninguém quer fazer economia. E economia é a vida das pessoas. Desde o cara no último andar da Paulista até o cara que tá tentando manter um mercadinho. A Dilma, por exemplo, não foi por corrupção, ela só levou o impeachment por causa da economia.

Cecília: E como foi a tua inserção no mercado de trabalho?

Caio: Eu fazia o Set Ufam, aí o Diário tava chamando videorrepórteres pro Portal que eles iam lançar. Porra, eu sou velho pra caralho… Essa parte tu pode tirar depois. Eu ficava enrolando, acho que com um pouquinho de medo de entrar num negócio desses, mas fui. Enfim, entrei na equipe, ganhava um salário mínimo dos mínimos, mas que, naquela época, dava pra fazer um monte de coisa. No começo a gente não faz o que quer, faz o que mandam, mas você aprende as coisas. Fiz polícia, esportes, cidade, política, cultura… Fiz de tudo. Um ano depois, o editor multimídia saiu, e eu tava pra sair também, tinha tido uma conversa pra ir pro Em Tempo. Aí o Márcio Noronha, diretor de redação, no meu último dia, disse: “ei, não, fica aí que tu vai ser editor”. Na segunda-feira virei editor multimídia. Depois de um tempo fui pro G1, editor também, passei um ano lá e, depois fui pra São Paulo.

Cecília: E por que foi pra São Paulo? Como foi?

Caio: Manaus é uma cidade que cansa uma hora. Meu negócio era estudar, conhecer as pessoas, viver em São Paulo, ter uma nova vida. E, relativamente, deu certo. Muito por causa disso: já tinha virado editor do D24, tava no G1… Aí estudei um ano e meio na Cásper Líbero e voltei… Você vai perguntar “por que você voltou?”, né? Então, eu voltei… Primeiro, eu tinha acabado um namoro lá. Eu ia ficar sozinho e não tava muito bem da minha cabeça. Mas, na verdade, sempre tive essa intenção de voltar. Porque é aquela coisa: em São Paulo tá praticamente tudo feito, a vida é muito mais baseada nas suas metas. Mas eu tinha uma cidade inteira aqui e a atitude de querer fazer algo por ela. Tenho que fazer alguma coisa por Manaus, tentar criar, estimular alguma coisa. Por isso, muito mais que na época do D24, estar aqui na TV Ufam me ajuda, apesar de todos os problemas que tem. E o Cine Set também, então eu acho que essa volta pra cá é muito mais essa questão de ajudar a fazer alguma coisa aqui. Essa entrevista vai sair quando?

Cecília: Acho que daqui uma semana e meia, por aí

Caio: Vou contar um negócio, mas você não vai falar pra ninguém até chegar no dia, viu? Eu me meti em muitas coisas: divulgar o cinema amazonense, estar na equipe da mostra de cinema, fazer vários eventos, mas não faço a menor questão de aparecer. E, assim, você pode ter uma série de críticas ao Cine Set, mas a gente tem uma importância na área cultural. E o que eu vou fazer agora – tô criando um suspense – é algo que queria fazer há muito tempo: tô fechando com o Cinépolis pra que, sempre antes do filme do Cinema de Arte aqui em Manaus, passe um curta amazonense. Eu já morei em São Paulo, nunca vi um curta paulista antes de um filme, por exemplo, da Marion Cotillard, que é o que a gente vai oferecer. Isso não existe em lugar nenhum. Nem os meninos do Cine Set sabem ainda. E, sabe, meu sonho é ter um cinema de arte aqui. Às vezes eu até brinco com a minha namorada: “a gente vai ter o centro cultural: meu cinema, a tua livraria e o restaurante da nossa possível filha”. A gente já até pensou no local, vai ser ali na frente do Manauara, onde seria o Baratão da Carne.

Cecília: Mas tu te sentirias com peso na consciência caso não conseguisse fazer isso?

Caio: Não. Eu teria peso na consciência se não tentasse. É lógico, eu não vou ficar satisfeito em tentar e depois não conseguir. “Ah, pelo menos eu tentei”, acho isso horrível. Se eu sentir que não há uma contrapartida dos realizadores, eu vou até me sentir mais tranquilo, porque vou pensar que a culpa não é minha e eles é que não conseguem perceber o espaço único que tão recebendo aqui. É como eu já disse, não sou diretor de cinema, sou jornalista. No máximo crítico. Mas também não vou ficar me martirizando. A minha parte eu tô tentando fazer com o Cine Set, que já é um grande legado, mas quero sempre fazer mais. Não é fácil de manter o CineSet. É fácil de ver, manter é outra história. Ficar enchendo o saco das pessoas, motivando, cobrando, mesmo elas não ganhando nada por isso… Aliás, o professor Tom Zé não envia o texto dele há um tempão, aí tu bota lá “off-topic”.

Cecília: O Cine Set, antes, fazia parte do Diário, certo?

Caio: A história é assim: dezembro de 2007, o Set Ufam surgiu. Aí passou três anos na TV Ufam. No meio desse período, a gente resolveu fazer crítica na internet. E aí que começou: montamos um blog do Set Ufam e, depois de um tempo, lancei a proposta de colocar o Set Ufam dentro do D24 pro Dante Graça. Na verdade, a gente já tinha começado a fazer algumas críticas no blog dos videorrepórteres. O público não gostava muito de mim, mas foda-se, dava audiência. O Dante só pediu pra mudar o nome, aí virou Cine Set. Em 2014, D24 começou a fazer umas mudanças e  a gente decidiu que era hora de ter a nossa casa própria. Em 15 de setembro de 2014 o site abriu pro público e tá aí até hoje.

Cecília: Como tu decidiste sair do Diário e vir pra TV Ufam?

Caio: Pois é, eu não falei que minha vida é um pouco de acidente? Eu tava lá no Diário me estabilizando… Aí meu pai falou que tava tendo um concurso pra TV Ufam, fiquei enrolando. Até que chegou o último dia das inscrições, não lembro se foi ele ou eu quem pagou, mas foi no apagar das luzes. E eu fui lá. Nem sabia a data direito, só sabia que era domingo de manhã. Enfim, não estudei, não fiz nada. Achei que seria legal ver como era um concurso, nunca tinha feito, todo mundo faz, né?… Aí fui, fiz. Não sabia que tinha lugar marcado. Tu sabe que tem lugar marcado em concurso?

Cecília: Sim, nos vestibulares da UEA também tem.

Caio: Ah, eu nunca fiz vestibular da UEA. Passei no PSC. No último ano, quando fui aprovado no vestibular, meus pais ficaram superfelizes, e eu fiquei mais feliz porque acabei meu inglês. Enfim, fui lá no concurso… E eu pensava que não merecia passar. Não tinha estudado, nem lido o edital,  só sabia que tinha que ir lá. Tava trabalhando uma noite e o Dante me manda mensagem – aí eu já achei que eu tinha feito merda – “tu passou no concurso da TV Ufam”. Eu não acreditei e ele me mandou o link do resultado. Aí fui mantendo os dois. Trabalhava aqui [TV Ufam] de 8 às 17h e ficava lá de 18 às 22h. E, assim, redação no dia a dia, é chato. Você vai juntando uma boa grana, mas tem uma hora que resolve viver um pouco. Eu tava trabalhando no Diário, na TV Ufam e no Cine Set. Os três ao mesmo tempo. Você tem namorada, família, tem o jogo que você quer assistir, a peça que você quer ir, o show, o restaurante novo… E aqui a demanda foi puxando cada vez mais…

Cecília: Mas tu realmente gostas de trabalhar na Universidade? Gosta do ambiente?

Caio: Ah, eu gosto da Universidade. Agora, é difícil… Olha aí a câmera que tá do teu lado: você trabalha com fita. E você trabalha com gente genial, mas que não tem noção do que é televisão. Bem, já que a gente tá conversando… O próprio Departamento de Comunicação muitas vezes não vem até a gente, a gente que tem que ir até eles… E a gente não consegue ir até eles porque ou a gente faz o programa, ou monta a programação, senão o negócio para. Pras pessoas, basta você ir no evento e botar a câmera pra filmar. Mas se nem você vai assistir, por que colocar a câmera lá pra ficar filmando você na sua palestra? As coisas aqui vão sendo tocadas pela gente, eu, Renata, Bruno, os meninos, e a gente tenta o máximo que dá. Manter, hoje, uma televisão durante quase 16h diárias é um milagre! As pessoas têm que deixar de lado suas vaidades, seus egos. Se Manaus vivesse de ego, era Paris e a Ufam era Harvard.

Cecília: E o que tu esperas da nova gestão?

Caio: Não sei, não faço a menor ideia. O que se quer fazer da TV? Que isso vire um show do Silvio Santos como era antigamente? Ou essa coisa experimental? A TV vai tá ligada à Proexti? Vai ser um órgão suplementar? Eu, acho, sinceramente, que devido às circunstâncias que a gente vive no país, de corte de verba, muita gente considera TV um luxo… Se o cara tiver que investir em outra área, ele vai investir. Prédio é o que mais aparece, fica pra história… Manter o HUGV também não é barato. Então, dentro dessas prioridades, qual vai ser a prioridade da TV Ufam? É isso que vai definir. E a gente precisa dos equipamentos novos, tem o processo de digitalização, levar pra TV aberta, manter o aplicativo… Além disso, é difícil pra um gestor brecar projetos. A professora Ítala consegue fazer isso muito bem, mas não sei se o próximo vai saber.

Cecília: E, falando sobre a tua relação com as pessoas, como tu lidas com as críticas que as pessoas fazem sobre o Cine Set e a TV Ufam?

Caio: Ah, eu não sou uma pessoa muito sociável, você sabe. Então eu não sei muito, mas imagino. E eu não posso fazer nada, a pessoa tem o direito de dar a opinião que ela quiser. Eu só acho que, se a opinião não for muito embasada, eu souber, e a gente um dia puder dialogar, a pessoa vai se arrepender.

Cecília: E isso já aconteceu?

Caio: É bem raro. Às vezes você tem que lidar e, assim, às vezes a pessoa tá certa. Teve uma crítica de um cara que tava reclamando das notas no Cine Set. Eu não podia expor um dos colaboradores e dizer que eu não tinha gostado da crítica, mas respondi que entendia. Agora, assim, eu não vou reconhecer de pegar a tua mão e pedir desculpas, mas você vai ver que vou mudar minha postura depois daquilo. Não acredito muito em desculpas. Eu sei quando extrapolo, mas, sei lá, é meu jeito. Não sou nenhum santinho. Já errei com vocês, por exemplo, aquele trabalho do “Encantados”: talvez eu não tivesse a experiência necessária na época. Mas é da vida. Não quero aplausos, eu só quero que as pessoas conheçam antes de falar besteira.

Cecília: E, hoje, principalmente no YouTube, tem muita gente que diz fazer crítica de cinema, mas o vídeo acaba uma opinião pouco embasada. O que tu pensas sobre isso?

Caio: Ah, eu acho todo mundo tem direito de fazer essas coisas, não acho nenhum crime. Eu só acho que, ao longo do tempo, as pessoas vão sendo filtradas. A gente tá na explosão do YouTube, todo mundo agora quer ser youtuber. Com o passar do tempo, naturalmente, isso vai diminuindo e vai ficando quem é forte. E isso dos vídeos é até algo bom: há 15 anos, qual era a possibilidade de milhões de pessoas estarem fazendo isso? Isso possibilitou até o crescimento do cinema amazonense. Lógico, às vezes é ruim. Por exemplo, entrar no oba-oba do filme que foi lançado agora. Detesto. Você acaba ficando tendencioso porque quer aceitação social.  E, muitas vezes, esses vídeos de YouTube são influenciados por isso, aí eu não gosto. Eu, por exemplo, defendo La La Land pra cacete, porque acho que tem uma série de pontos positivos e que as pessoas começaram a criticar porque viram outros pegando no pé.

Cecília: Existe uma hierarquia na tua relação com o pessoal do Cine Set?

Caio: Eu no topo e eles embaixo. Pior que é, mas claro que eles podem sugerir. A relação é boa, me considero amigo de todos eles, alguns mais, outros menos. Agora, eu acho assim: eu não vou falar pra fulano ser amigo do outro. Todos são adultos e não vou ficar querendo todos amigos como são comigo. Mas é uma relação muito tênue, porque eu não pago nada pra eles… Eu não posso chegar: “ei, seu filho duma put…”

Cecília: O Tom Zé vai ler isso aí e tu tavas ainda agora cobrando o texto dele…

Caio: Ah, mas essa parte não é pro Tom Zé… (risos) Mas, pois é, eu tenho que saber cobrar com elegância. Claro que tem os mais enrolados e eu tenho uma liberdade maior de cobrar. Agora é lógico que, se deu a palavra, eu cobro. Mas me dou bem com todo mundo, e acredito que todo mundo ali se dá bem. Tem as panelinhas, natural. Tô nem aí. Mas tem horas que dá vontade de desistir. Não vou te dizer que não dá, porque dá. Eu também tenho o problema de ser centralizador e em confiar nas pessoas, por mais que sejam meus amigos. Viu como eu sou bonzinho?

Cecília: O Cine Set já fez entrevista com Fernanda Montenegro, Pablo Villaça, cobriu Cannes… Qual seria outra meta?

Caio: Acho que não tem  nada não. Eu não trabalho com isso de conseguir algo e tá bom. Quando chegar no Oscar, a gente procura outra coisa pra fazer. Priorizar festivais brasileiros, entrevistar artistas nacionais. Estamos vendo uns negócios aí fora…

Cecília: Que negócios?

Caio: A gente tá vendo se uma amiga que trabalhou no Set Ufam vai pra pré-estreia do novo filme do Christopher Nolan, em Londres. Estamos vendo se o Lucas vai pra Veneza, se o Ivanildo vai pra Gramado… E, assim, nacionalmente, não tem ninguém que bata Fernanda Montenegro, mas a gente vai atrás dos outros. Um dia desses até mandei mensagem pro Selton Mello e fui ignorado. E aí é se estimular com coisas que são, teoricamente, menos glamourosas, mas muito importantes. Pra mim, a Mostra de Cinema Amazonense é tão importante quanto o Oscar, se não mais. Porque só a gente tem o papel de debater a produção local, e tem que valorizar isso pra não perder. Por isso que a gente tem que ter sempre ânimo pra buscar coisa nova. Pra mim é assim, não sei pros outros, aí eu também não posso colocar na cabeça de ninguém. Tem gente que gosta do Bolsonaro, fazer o quê?

 

 

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Cecília Costa

Cecília Costa

Quando criança, dizia que sua profissão seria “Leonardo da Vinci” porque ele fazia de tudo um pouco. Já quis ser astronauta, cientista, bailarina e antropóloga e, hoje, é estudante do curso de Jornalismo da UFAM. Ama contar histórias e, assim, nunca conseguiu ficar com caneta e papel nas mãos sem escrever, rabiscar e transbordar.
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